Semana da Economia Braga 2019 O problema não é ter competências é saber usá-las

O problema não é ter competências é saber usá-las

O mercado pede novas competências, mas estará a usar os recursos que procura da melhor forma? O tema centrou um dos debates da 4º Semana da Economia Braga 2019.
O problema não é ter competências é saber usá-las
Vista do painel Territórios, Inovação e Talento, com Sylvain Giguère, Gary Heath e Gerri Burton

O mundo está em mudança e o mercado de emprego reflete essa mudança, impulsionada pela evolução tecnológica. Adaptar as competências à nova realidade da economia é fundamental, mas apostar em formação não basta. É preciso criar mecanismos para garantir que esses recursos são aproveitados da melhor forma e estão realmente a contribuir para criar valor, melhorar a produtividade das empresas, a qualidade do emprego e os salários. A mensagem centrou a apresentação de Sylvain Giguère, responsável pela divisão de Local Employment, Skills and Social Innovation (LESI) da OCDE na Semana da Economia, em Braga.

O responsável quis deixar no evento uma mensagem de otimismo, admitindo que nos últimos 20 anos as transformações da economia criaram desafios difíceis de ultrapassar, com a crescente automatização de tarefas, a pressão competitiva e a transformação dos modelos de negócios. Ainda assim, defende que muito pode ser feito a nível local, para afinar estratégias e colmatar as falhas que influenciam a qualidade do emprego e a disponibilidade de talento, na medida e peso certo para cada região.

 

Atores em sintonia para promover equilíbrios  

A chave está em "alinhar desenvolvimento económico e competências/formação", flexibilizando "os sistemas de educação e de formação", promovendo uma aproximação entre todos os atores (poder político, empresas, universidades) para encontrar as melhores respostas para cada realidade local, defendeu, mas não só. "Não temos apenas de garantir que as competências certas existem. Temos de garantir também que são usadas", sublinhou o responsável, admitindo que estão a fazê-lo porque a pressão do mercado mais facilmente as direciona para aumentar a competitividade pelo corte de custos do que pela inovação.

A mensagem de Sylvain Giguère destaca que uma aposta em competências que as empresas não têm capacidade para absorver não vai gerar crescimento e ainda cria o risco de deslocalização desses recursos. Apostar todas as fichas na atração de investimentos e não ter recursos humanos adequados tem o mesmo efeito.

 

Aprendizagem ao longo da vida é fundamental

O sucesso está no equilíbrio, e tanto Sylvain Giguère como Gerri Burton, Thought Leader, Education Architect e CEO da New Learning Ventures, que com ele partilhou o painel de debate "Territórios, Inovação e Talento" da Semana da Economia de Braga, defenderam que os decisores políticos devem ter uma intervenção central nesta matéria.

Gerri Burton foi mais longe e sublinhou o papel das cidades na criação dos seus próprios ecossistemas sustentáveis de talento, através de mecanismos que ajudem os seus cidadãos a tomarem as decisões certas na altura certa (durante o percurso escolar, por exemplo), com políticas inclusivas e abrangentes. A tónica da intervenção de Gerri Burton foi, no entanto, para a importância da aprendizagem ao longo da vida, como único meio de fazer convergir competências e oportunidades.



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