Transportes e Logística 2018 “A importância de uma boa malha logística tem vindo a crescer”

“A importância de uma boa malha logística tem vindo a crescer”

Uma maior aposta na criação de centros de distribuição e nas capacidades das tecnologias de informação suporta os planos de expansão do sector em Portugal.
“A importância de uma boa malha logística tem vindo a crescer”

É um dos sectores que maior relevância tem vindo a ganhar na economia nacional e, bem assim, a nível global. A aposta nas tecnologias ajuda a suportar planos de expansão, embora existam ainda obstáculos a ultrapassar como a agilidade, a velocidade e a flexibilidade.

Em entrevista ao Negócios em Rede, Raul Magalhães, presidente da direcção da APLOG – Associação Portuguesa de Logística, traça cenários para o presente e o futuro da logística em Portugal e no mundo.

 

Como vê, hoje em dia, o sector da logística no nosso país?

Apesar de ainda estar aquém dos níveis de robustez e desenvolvimento das maiores potências europeias, é um sector em claro desenvolvimento e no qual têm sido feitos investimentos relevantes nos últimos anos.

Com a competitividade dos diversos sectores de negócio cada vez mais assente em detalhes, a importância de uma boa malha logística tem vindo a crescer. É isso que se nota no sector logístico em Portugal: uma aposta em centros de distribuição, acompanhada por investimento em TI, que visam não só suportar as empresas nos seus planos de expansão, como também facilitar as suas decisões nesse campo.

 

Quais os principais desafios que este sector enfrenta?

Agilidade, velocidade e flexibilidade.

Muito por culpa da globalização, os níveis de exigência do consumidor (final ou empresarial) têm aumentado de forma exponencial nos últimos anos, criando necessidades que não faziam parte da equação.

As cadeias de abastecimento estão cada vez mais tensas, sendo, de forma relativamente generalizada, alvo recorrente de processos de melhoria contínua. Como parte fundamental dessas cadeias, o sector da logística é um dos que mais têm vindo a ser pressionados para absorver essas exigências, principalmente quando falamos de "delivery", isto é, já no final da cadeia e, tipicamente, com todos os eventuais "buffers" já esgotados.

Temos vindo a assistir a fenómenos crescentes de serviços de entregas em tempos recorde, cada vez mais opções (físicas) de entrega, de alteração das entregas já durante o processo, etc., sendo que os maiores desafios para a logística se prenderão com a capacidade de adaptação a esta nova realidade. Essa capacidade de adaptação e de agilidade para fazer face aos novos requisitos do mercado (que rapidamente se tornam standard) será um dos maiores desafios para o sector logístico.

 

Qual a importância deste sector na economia nacional?

A grande importância dos transportes e logística na economia nacional é indiscutível. Qualquer transacção pressupõe uma actividade logística por base. Se a base não for sólida, todo o processo a jusante não será consistente, sendo que o principal efeito imediato será uma perda de competitividade. Cada vez mais a logística tem de ser vista como parte integrante dos negócios e não apenas como uma actividade de suporte.

 

O crescimento digital e o online têm sido uma realidade também neste sector?

São a realidade. O comércio online e a aposta no digital têm sido a tendência dos últimos anos e continuarão a ser, por contraste com o comércio físico ou tradicional. Claro que nada disto funciona sem o movimento dos produtos do local A para o local B, pelo que o acompanhamento desta evolução do mercado por parte dos fornecedores de serviços de logística é absolutamente crucial.

 

A modernização das empresas é uma aposta?

A modernização não pode ser vista como uma mera aposta, mas sim como uma necessidade básica para a sobrevivência das empresas num contexto de extrema competitividade como o que estamos a atravessar.

Temos inúmeras histórias de grandes empresas com declínios supersónicos por incapacidade de modernização ou por falta de visão de futuro.

 

De que forma as tecnologias podem ajudar a agilizar o trabalho na logística?

Essencialmente em dois grandes departamentos: operações e planeamento.

Operações numa óptica de melhoria e optimização de rotas, de processos, de ferramentas, na redução de desperdício, etc. Do ponto de vista de planeamento, no sentido de permitirem o desenvolvimento de "forecasts" de trabalho para precaver picos e definir atempadamente escalas de trabalho, mas também numa óptica de previsão de movimentos de mercadoria.

Buzz words como "inteligência artificial", "machine learning", "blockchain", "big data", "data lakes", "sistemas de recomendação", etc., estão na ordem do dia, e, embora muitas vezes usadas de forma abusiva, quando estas tecnologias/conceitos são efectivamente bem aplicadas, têm permitido a algumas empresas gerar importantes vantagens competitivas. Exemplos de previsões que resultam em decisões como expedir mercadoria (avançar stock, por exemplo) antes de uma encomenda, ou encomendar/sugerir encomenda de um determinado produto de forma autónoma devido à análise de conjunto de parâmetros predefinidos já não são ímpares e têm sido diferenciadores.

 

Qual apontaria como sendo o ponto positivo em matéria de competitividade neste sector e porquê?

A diferenciação. Por tudo a que já fiz referência, a busca por vantagens competitivas estará intimamente ligada à capacidade diferenciadora de cada empresa.

Pode dizer-se que a logística assenta em três grandes pilares: custo, tempo e qualidade. Uma proposta capaz de conseguir conjugar da melhor forma estas três características, e a isso somar flexibilidade, estará claramente na linha da frente deste sector.

APLOG próxima dos seus associados

O papel da associação passa muito por fomentar de forma activa a partilha de conhecimento e de boas práticas no sector. O foco da APLOG está em garantir programas de formação específicos para empresas, "de forma que possam colmatar áreas nas quais não sintam total conforto, e, ao mesmo tempo, desenvolver iniciativas de partilha de experiências entre empresas associadas", explica o presidente da direcção, Raul Magalhães.
Outra das prioridades é promover acções específicas em cadeias de abastecimento e/ou áreas pouco cobertas: "Embora muitas vezes isto se revele um desafio, também é isso que nos estimula, faz evoluir, e que nos leva a trabalhar diariamente para fazermos mais e melhor."




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