Transportes e Logística 2019 Logística e transportes: reinventar o negócio para chegar mais longe

Logística e transportes: reinventar o negócio para chegar mais longe

As empresas do setor enfrentam renovados desafios a cada ano que passa. A procura de novos nichos de mercado é uma primeira mudança visível nas estratégias internas, mas tecnologias como blockchain, inteligência artificial e IoT vêm impor novas revoluções.
Logística e transportes: reinventar o negócio para chegar mais longe

Portugal é um país à beira-mar plantado. Arrumados num cantinho da Europa, pode até haver quem pense que teremos por cá uma menos-valia em termos económicos pela posição geográfica que ocupamos. Mas, no setor de logística e transportes, esta é uma ideia que não poderia estar mais longe da realidade.

 

 

Embora se debata com problemas estruturais, a verdade é que o setor tem vindo a crescer nos últimos anos, representando já "entre 8 e 9% do PIB", conforme assegurou Raul Magalhães, presidente da APLOG. Ainda assim, este responsável recorda que "essas são umas contas cada vez mais difíceis de fazer porque há alguma plasticidade nas empresas destes setores". Na realidade, "as companhias de transporte que já fazem logística são a maioria e por isso a segmentação começa a ser cada vez mais difícil".

 

 

De qualquer forma, é inegável que as empresas de logística, incluindo os líderes das principais organizações mundiais a atuar em Portugal, sabem como dar a volta a um aparente problema, e transformar desafios em oportunidades valiosas, tirando partido das potencialidades que Portugal tem para oferecer.

 

 

Os números falam por si

 

 

Os valores do negócio nestes setores atestam bem a importância que as empresas da área têm no nosso país. Segundo dados do estudo "Setores Portugal (Operadores Logísticos)", publicado pela Informa D&B, a faturação dos operadores logísticos em 2018 alcançou um crescimento de 4,1% quando comparado com o ano anterior e mais de 20% face a 2012. Contas feitas, o volume de negócios dos operadores logísticos em Portugal, em 2018, ascendeu aos 555 milhões de euros.

 

Neste caso, destaque para a fileira da alimentação e bebidas, que teve o maior peso no negócio dos operadores logísticos, registando cerca de 51% da faturação ao longo do ano fiscal de 2018. O mesmo estudo dá ainda conta de que 20% das receitas chegaram do setor de farmácia, drogaria e perfumaria.

 

 

Por seu lado, se olharmos para a venda de veículos pesados de mercadorias, percebemos que houve uma quebra de 4,4% em 2018 face a 2017, enquanto os pesados de passageiros registaram um incremento de 34,1%, para 484 veículos, segundo dados da Associação Automóvel de Portugal (ACAP).

 

 

No que diz respeito à criação de emprego, o presidente da APLOG fala de "200 mil postos de trabalho, tendo em conta todas as empresas de transporte associadas à logística". Raul Magalhães recorda ainda que "hoje em dia a logística é TI, são pessoas e processos, e os próprios comerciais já têm competências também nessa área" o que tem levado a que "deixe de ser necessário ter um gabinete dedicado".

 

 

Tendência de crescimento mantém-se

 

 

Se olharmos para o futuro e projetarmos já o final de 2019, que está aí a bater à porta, as previsões apontam para um aumento da faturação setorial de cerca de 3,6%, situando-se nos 575 milhões de euros. Por seu lado, os indicadores de rendibilidade do setor vão melhorar de forma moderada, ameaçados pelos elevados preços do combustível e o peso que isso representa para os operadores.

 

 

No setor de operadores logísticos, as cinco principais empresas representavam, no último ano, conjuntamente, cerca de 45% do volume de negócios global, sendo que a quota agregada das dez principais empresas rondou os 65%, revela o estudo da Informa D&B. Em 2018, compunham este setor qualquer coisa como 80 empresas.

 

 

Tendências-chave para o futuro da logística

 

 

Foco no cliente, sustentabilidade, tecnologia e pessoas são alguns dos elementos-chave do futuro da logística, segundo avança o "Radar de Tendências da Logística" elaborado pela DHL. 

  

Na edição de 2018/2019, o estudo identificou que será "crucial" ir ao encontro das necessidades dos clientes, "proporcionando uma experiência de logística mais rápida e conveniente".

 

 

Por seu lado, a sustentabilidade é apontada como "elemento obrigatório para operar" nesta indústria, incluindo-se aqui a eletrificação de frotas e a contentorização inteligente no transporte. As pessoas vão continuar a estar no centro da logística, mesmo com a chegada da robótica e da automação.

 

 

Finalmente, quanto à tecnologia, prevê-se que esta passe a ser transversal a todo o setor, impulsionada por ferramentas suportadas em conceitos como a IoT, a inteligência artificial e o blockchain.

 

 

Este último, que surgiu no mercado financeiro com o aparecimento das criptomoedas, vem agora conquistar outros segmentos pela sua diversificada possibilidade de aplicação e terá um impacto profundo na logística e transportes, conferindo vantagens competitivas, principalmente pela redução de custos e riqueza nas informações.


Transportes seguros, sustentáveis e conectados

A política de transportes da União Europeia contribui para o dinamismo da economia europeia através do desenvolvimento de uma rede moderna de infraestruturas que torna as viagens mais rápidas e seguras, ao mesmo tempo que promove soluções digitais e sustentáveis.

Os transportes são uma pedra angular da integração europeia e são indispensáveis à livre circulação das pessoas, dos bens e dos serviços. O setor contribui também de forma significativa para a economia, representando mais de 9% do valor acrescentado bruto da UE, segundo dados da própria Comissão. Por si só, os serviços de transporte representaram cerca de 664 mil milhões de euros em valor acrescentado bruto em 2016 e empregam cerca de 11 milhões de pessoas.

A transição para meios de transporte sustentáveis e inovadores desempenha um papel importante na realização dos objetivos da UE em matéria de energia e clima. À medida que as nossas sociedades se tornam cada vez mais móveis, a política comunitária apoia o setor dos transportes para encontrar uma resposta para os grandes desafios com que este se confronta.




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