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A Europa em busca da poupança perdida

Com a criação do Pan-European Personal Pension Product vai lançar-se uma solução de poupança em todo o mercado europeu. Em Portugal vem juntar-se ao PPR para aliciar as poupanças dos portugueses, que estão ao nível mais baixo de sempre.

Filipe S. Fernandes 21 de Março de 2018 às 09:51
Paulo Ferreira, responsável dos produtos Vida da Direcção de Design e Gestão de Produto da Liberty Seguros.
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"O PEPP (Pan-European Personal Pension Product) pode constituir um importante instrumento de poupança, uma vez que permite disponibilizar uma solução única em todo o mercado europeu, com ganhos em termos de eficiência e escala, benéficos para os seus subscritores" diz Giampiero Prester, general manager da Generali Vida. Esta solução padronizada permite a mobilidade no espaço europeu das poupanças dos europeus. Na sua opinião, "os players com presença pan-europeia têm a vantagem de poder acompanhar melhor os seus clientes". Alerta, no entanto, para questão central no tema dos PEPP que é a fiscalidade: "é desejável existir uma equidade fiscal entre países neste produto, para ter maior força".

"Os principais objectivos do PEEP deverão passar pela promoção da poupança a longo prazo, essencialmente, para a situação de reforma e com um regime fiscal (à entrada quando do pagamento dos prémios e à saída quando do pagamento dos benefícios) atractivo e estável / previsível para os aforradores, e que por isso, lhes permita estabilidade e confiança" diz Paulo Ferreira, responsável dos produtos Vida da Direcção de Design e Gestão de Produto da Liberty Seguros. Este produto que está a ser desenhado pelo EIOPA, regulador europeu de seguros e fundos de pensões será um estímulo à poupança na Europa, pois "actualmente apenas 27% dos europeus em idade activa possuem produtos de pensões individuais, e concentram-se em muitos poucos países" diz Gastão Taveira, CEO da i2S.

Os PPR e o longo prazo

Os actuais produtos de poupança não têm revelado capacidade de atracção para captar as poupanças apesar de os planos de poupança reforma (PPR) terem crescido cerca de 30%, passando de 1,7 milhões em 2016 para 2,2 milhões de euros em 2017. "As taxas de juro de mercado são negativas para o curto prazo, o que dificulta a obtenção de rentabilidades. Mesmo conseguindo superar o desempenho do mercado, muitas vezes os retornos alcançados não são vistos como atractivos pelos clientes" declara Giampiero Prester.

Paulo Ferreira considera que este produto europeu vai ter as características originais dos PPR, que "foram completamente alteradas e desvirtuadas". Passaram a ser permitidos reembolsos a curto prazo e o regime fiscal com grande volatilidade, o que reduzia a estabilidade e atractividade iniciais e reduzindo a confiança dos investidores. Por sua vez Giampiero Prester vê o lado positivo do PPR, que têm tradição e aceitação, por terem o que se pede a um produto de poupança atractivo: "regras claras, confiança no prestador, rendibilidade e incentivos fiscais".

Um desafio para as seguradoras

"Todo este novo ambiente competitivo - maior transparência, processos mais rigorosos e eficientes, maior competitividade, concorrência entre prestadores e canais distintos a nível pan-europeu - coloca um enorme desafio às seguradoras estabelecidas" refere Gastão Taveira. Avisa para o facto dos sistemas core de muitas seguradoras não responderem a estes requisitos. Adianta que "os produtos e processos têm de ser desenvolvidos logo de raiz levando em conta uma cadeia de valor e modelo de negócio assente na agilidade e na eficiência. Isto só é possível com um elevado grau de digitalização dos processos. Mas estes têm de ser concebidos de raiz, com o cliente no centro. Não basta automatizar os processos existentes".


O regime Solvência II veio contribuir para reforçar a ideia de um mercado único europeu de seguros.
Nuno Luís Sapateiro
Associado sénior da PLMJ 

Nuno Luís Sapateiro, associado sénior da PLMJ tem um outro olhar. Com a Solvência II e o processo em curso de transposição da Directiva de Distribuição de Seguros "deverão dar músculo suficiente às seguradoras nacionais para assimilar o produto pan-europeu sem qualquer tipo de dificuldade seja em matéria de compliance ou concorrencial" diz. "Creio que muitas seguradoras terão de se adaptar para, nestes produtos, competirem a uma escala de mercado muito maior. Vai exigir um maior nível de competitividade a nível de distribuição, informação dos clientes e mesmo de investimentos financeiros" refere Gastão Taveira.

Mercado único de seguros

"O regime Solvência II veio contribuir para reforçar a ideia de um mercado único europeu de seguros" afirma Nuno Luís Sapateiro. Na sua opinião, o PEPP contém as "as características que estão cada vez mais enraizadas no actual mercado europeu de seguros: multiplicidade de prestadores, portabilidade, passaporte único, competitividade, transparência e incremente dos níveis de informação". O que é facilitado pela cooperação entre autoridades de supervisão dos Estados membros e fazendo da EIOPA uma verdadeira autoridade de supervisão europeia.