A industrialização da construção é necessária

Ricardo Sousa alertou para o facto de que só os investidores estrangeiros têm capacidade financeira para promover projetos em escala e que se retraem por causa dos tempos de licenciamento, da fiscalidade e da construção tradicional.
A industrialização da construção é necessária
André Veríssimo, diretor do Negócios, à conversa com Miguel de Castro Neto, Ricardo Sousa e Williams Johnson Mota.
David Cabral Santos
Filipe S. Fernandes 25 de setembro de 2019 às 14:45

"Existe um gap muito grande entre a oferta e a procura", reconheceu Ricardo Sousa, CEO da Century XXI Ibéria, o que é consequência da crise da construção, nomeadamente residencial, e de uma mudança de escala da cidade de Lisboa e de Portugal que têm capacidade de atração e de fixação de empresas e residentes.

"Vivemos um momento de transição porque o ciclo construção, promoção e reabilitação e reconversão é muito longo e é necessário ter uma visão de longo prazo para tomar as decisões e as medidas", considerou Ricardo Sousa.

Em relação ao comportamento dos jovens referiu que a opção pela compra resulta, muitas vezes, das dificuldades no arrendamento, em que os preços são mais elevados e não estão ajustados aos rendimentos.

"Isso é preocupante para quem está no início de vida, não tem ainda o seu futuro definido a nível pessoal e profissional, e tem de se deslocar para mercados mais periféricos do que desejaria", disse Ricardo Sousa. Sublinhou que segundo o estudo Os Desafios dos Jovens no Acesso à Habitação, promovido pela Century XXI, 37% dos jovens são apoiados pela família na aquisição de casa própria.

Novos investidores

Ricardo Sousa salientou que investidores nacionais e internacionais, como as Socimis (Sociedade Anónima Cotizada de Inversión en el Mercado Inmobiliario), sociedades imobiliárias de arrendamento espanholas, têm analisado projetos destinados ao mercado de arrendamento, que "veem como oportunidade", sobretudo como o novo regime das sociedades de investimento e gestão imobiliária.


56,9%
Preferência
dos jovens que ainda vive com os pais prefere que a sua primeira casa tenha uma sala grande e quartos pequenos.

64,1%
Prioridade
não se importa se a casa é nova ou não, desde que a mesma se econtre em boas condições.


Uma das preocupações do CEO da Century XXI Ibéria é que os investidores nacionais continuam "presos em ideias que já não têm sentido para a realidade que temos, mantendo-se numa lógica de urbanismo e de edificação do passado, a aposta em unidades mais pequenas ainda não existe". Na sua opinião o investidor nacional "continua a querer apostar no luxo, que é uma palavra banalizada e não é bem aquilo que se faz, e no turismo residencial, sobretudo na airbnb".

Mercado residencial

A sua experiência diz-lhe que muitos dos pequenos proprietários que compraram património para colocar no turismo residencial "estão a sair, porque é trabalhoso, e se subcontratarem a gestão, perdem rentabilidade, e estão a voltar ao arrendamento tradicional". No mercado residencial têm de ser os operadores privados a criar a dinâmica, competindo ao Estado as soluções da habitação social, reforça Ricardo Sousa.

Referiu que a evolução dos modelos de negócio e a tecnologia têm de ser aplicados por parte dos licenciamentos das autarquias e do Estado. Salientou que para os investidores em Portugal terem margens é necessária "a industrialização da construção, não se pode continuar a ter a construção tradicional, tanto pelos custos, como pela falta de mão-de-obra. Com a industrialização consegue-se, com o mix da produção em fábrica e no local, encurtar tempos, maior flexibilidade, construção em altura, mas acima de tudo uma construção mais eficiente, margens ajustadas a estes preços de mercado".




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