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A preocupação com a retirada prematura dos apoios

“A minha perspetiva é que mais vale cometer um erro tendo os ativos por mais tempo do que fazer o contrário, o preço a pagar é muito grande se se incorre de facto no cliff edge”, afirmou João Nuno Mendes, secretário de Estado das Finanças.

Filipe S. Fernandes 20 de Novembro de 2020 às 17:30
Pedro Catarino
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Nas instituições europeias, nomeadamente no BCE, existe "uma grande preocupação para que não haja uma retirada prematura dos apoios, para que não conheçamos o efeito do cliff edge, pois, por vezes, é uma tentação retirarem-se os apoios demasiado cedo. A minha perspetiva é que mais vale cometer um erro tendo os ativos por mais tempo do que fazer o contrário, o preço a pagar é muito grande se se incorre de facto no cliff edge", afirmou João Nuno Mendes, secretário de Estado das Finanças.

"Estamos a viver uma crise absolutamente extraordinária e, de certa modo também tem sido absolutamente notável, a forma como se capitalizou a aprendizagem de como lidar com crises em que face a histórico. Temos tido coordenação das políticas fiscal, monetária, económica e supervisão em termos nacionais e europeus", sublinhou João Nuno Mendes. O que permitiu que a política monetária injetasse liquidez, a indução da baixa das próprias taxas de juro, o alívio dos critérios prudenciais para suportar a capacidade de a banca poder continuar a emprestar à economia, a permissão de défices acima dos 3%, as moratórias bancárias segundo regras da autoridade bancária europeia para poderem ser aceites do ponto de vista prudencial.

Euro digital

"O lançamento das linhas de crédito com garantia pública que tem uma dimensão muito grande, o fundo da garantia mútua tinha, em finais de setembro, garantias prestadas de 7.500 milhões, quando historicamente desde 2007/2008 o stock de garantias vivas não tinha ultrapassado as 2.500 milhões. Estamos a falar de um stock de moratórias da garantia pública na casa do 25.000 milhões, 220.000 contratos de crédito que foram modificados, que estão de certa forma ao abrigo dessas moratórias. No Orçamento do Estado temos a possibilidade de estender as próprias garantias já concedidas até um máximo de 6.000 milhões, temos também a possibilidade de poder antecipar fundos comunitários no caso de haver atrasos ou os desembolsos europeus e isso pode ir para o Next Generation UE, na casa dos 1.200 milhões, se considerarmos todos os instrumentos comunitários, podemos ir até um máximo de 3.800 milhões".

João Nuno Mendes salientou ainda que "o financiamento sustentável vai adquirir uma importância muito grande e em que de certa forma o seu acompanhamento vai ser menos estritamente financeiro, baseado em indicadores só financeiros, mas a prevalência de outros indicadores não financeiros para acompanhar, no fundo, a eficácia do instrumento que está a ser financiado". Considerou ainda que existe "um subaproveitamento do mercado de capitais", e que este poderia ter outro impacto na economia portuguesa nas capitalizações de menor dimensão, porque nós temos este desafio de fazer crescer a dimensão média do setor empresarial nacional".

Em relação a algumas consequências da crise e das respostas, João Nuno Mendes referiu que o projeto do euro como moeda digital está a ser muito acelerado por parte do BCE que pode ter grandes implicações nos modelos de pagamento mais modernos, mais eficazes. Por outro salientou que "o aumento do trabalho à distância não acontece sem a alteração dos processos de negócio, hoje temos uma alteração profunda dos processos de negócio, das cadeias de distribuição e portanto, este não é propriamente um período de hibernação, este é um período para muitas empresas de grande ação competitiva porque querem sair desta crise numa posição competitiva, melhor do que aquela em que começaram a crise".