A saúde pública precisa de competências

Desenvolver práticas como o VBH não é uma matéria apenas de cultura organizacional, mas de formação e capacitação dos recursos que existem”, sublinha Alexandre Lourenço.
A saúde pública precisa de competências
Inês Gomes Lourenço
Filipe S. Fernandes 02 de outubro de 2019 às 13:00
"O grande desafio que temos nas nossas organizações de saúde públicas é de competências. A verdade é que não temos competências na gestão dos serviços de saúde para desenvolver estas práticas como o VBH de uma forma generalizada. Não é uma matéria apenas de cultura organizacional, mas de formação e capacitação dos recursos que existem", sublinha Alexandre Lourenço, presidente da APAH.

As organizações têm vários espartilhos que limitam a sua autonomia, a capacidade de atuação, a capacitação do ponto de vista técnico. É um modelo de governação que cerceia a mudança e que dificulta o recrutamento e requalificação dos recursos humanos.

As metodologias de VBH devem também ser utilizadas na prevenção, como base no PVBH (Population Value Based Healthcare) tendo uma lógica de base populacional e da saúde das populações, porque falamos muito em prevenção e gastamos cada vez menos em prevenção quando comparamos com outras áreas de despesa. alexandre lourenço
Presidente da Associação de Administradores Hospitalares

"Temos hospitais com mais de cinco mil colaboradores, que na área dos recursos humanos têm dois juristas e depois assistentes técnicos. Alguém referia que é impensável ter uma autorização do Ministério das Finanças para contratar um especialista em gestão de recursos humanos, quanto mais contratar para especialista o VBH", alerta Alexandre Lourenço.

O avanço dos privados

Gonçalo Lobo, presidente da Abraço, alerta para o facto de "o setor privado já se está a posicionar relativamente a este tipo de metodologia e surgem consultoras, como uma empresa especializada em PROM, tal como centros de investigação, mas não vejo qualquer movimento com consistência do ponto de vista público. Já ouvi em conferências que o VBH é uma metodologia para o privado, que não se aplica e não tem relevância para o sistema público de saúde". O presidente da Abraço defende a relevância da questão política no que se refere a VBH.

Alexandre Lourenço assinala que "as metodologias de VBH devem também ser utilizadas na prevenção, como base no PVBH (Population Value Based Healthcare) tendo uma lógica de base populacional e da saúde das populações, porque falamos muito em prevenção e gastamos cada vez menos em prevenção quando comparamos com outras áreas de despesa".

Considerou que "a sustentabilidade dos modelos de negócio não se faz nos departamentos financeiros, muito menos na área da saúde". Acrescentou que "a maior parte das pessoas que estão à frente das organizações e ao nível intermédio ainda não perceberam que o negócio tem de mudar e que o modelo de negócio que hoje temos tem de ter em conta o doente e as estratégias como a do VBH".



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