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Agricultura é o motor económico na pandemia

Em 10 anos, o setor dos frutos, legumes e flores duplicou o volume de exportações, passando de 700 milhões de euros para 1,7 mil milhões de euros. A média da produção nos últimos três anos foi de 3 mil milhões de euros.

Filipe S. Fernandes 24 de Dezembro de 2021 às 14:30
Mariline Alves
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"Temos de ser pragmáticos e o valor dos produtos vai ter de crescer, o preço aos consumidores tem de aumentar, não há outra hipótese devido ao disparar dos custos de energia, dos combustíveis, dos custos de produção e dos transportes. Neste caso, não se trata dos preços, mas da escassez", afirmou Gonçalo Andrade, presidente da Portugal Fresh. Por sua vez, o presidente da Associação dos Agricultores do Ribatejo, Luís Seabra, salientou que "houve um ciclo ao contrário, em que os fatores de produção não estavam tão altos no início do ano e a colheita acabou com preços em alta, como o tomate, o milho, o arroz, o azeite, que são anuais. Mas há outros setores que estão a ser afetados pelos aumentos de preços dos fatores de produção já no presente."

Se o contexto é marcado pela inflação, desregulação das cadeias de abastecimento, aumentos de preços da energia e de fatores, Gonçalo Andrade sublinha que, neste ciclo longo de 22 meses de pandemia, "o setor agroalimentar sem dúvida de que foi e é o motor económico do país e da União Europeia. Os consumidores europeus tiveram acesso a produtos de elevada qualidade, com enorme segurança alimentar, tanto frescos como secos ou transformados ou congelados, a preços acessíveis."

Década impressionante

Gonçalo Andrade referiu ainda que "esta última década foi impressionante" para o setor dos frutos, legumes e flores. Em 2010, produzia cerca de 2,2 mil milhões de euros, exportava 700 milhões de euros, cerca de 35% do valor que produziam. Hoje, valores referentes a 2020, o setor produz cerca de 2,9 mil milhões de euros, a média dos três últimos anos foi de 3 mil milhões de euros de valor de produção, e exportam 1,683 mil milhões de euros.

"Em 10 anos, duplicámos o valor das exportações, o que demonstra uma agricultura muito moderna, altamente tecnológica, virada para um equilíbrio adequado entre a sustentabilidade ambiental, social e económica, porque sem o equilíbrio adequado também é difícil criarmos empregos, como temos criado, e para termos uma relevância importante para o PIB nacional", salientou Gonçalo Andrade.

Em 10 anos, duplicámos o valor das exportações, o que demonstra uma agricultura muito moderna, altamente tecnológica, virada para um equilíbrio adequado entre a sustentabilidade ambiental, social e económica. Gonçalo Andrade, presidente da Portugal Fresh
O responsável pela Portugal Fresh considera que muitas vezes a burocracia tem sido um travão sobretudo quando se quer ter um setor mais moderno. Sublinhou que a escala é muito importante e, num país pequeno e com agricultura familiar, "os agricultores pequenos são muito importantes, mas devem estar inseridos em organizações de produtores para conseguirem valorizar mais os seus produtos", defendeu Gonçalo Andrade.

Organização de produtores

No setor dos frutos e legumes, o valor médio da produção europeia que passa por organizações de produtores está em cerca de 46%, enquanto em Portugal apenas 25% da produção passa por organizações de produtores. "Temos de saber cooperar mais entre as empresas e organizar melhor a fim de conseguirmos criar mais escala e melhorar o nosso poder negocial para que se consiga distribuir melhor o valor na cadeia de valor alimentar", disse Gonçalo Andrade. Considerou ainda que a Portugal Fresh tem "excelentes parcerias tanto com a indústria como com a distribuição, mas temos de ter um poder negocial superior para conseguirmos melhorar a nossa posição na cadeia agroalimentar"