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Água pode condicionar o futuro da agricultura

Uma estratégia forte da água passa desde a modernização dos sistemas de rega, porque há muitos que são antigos, às novas estruturas e ir à procura de novas fontes de água.

Filipe S. Fernandes 23 de Dezembro de 2021 às 14:00
Luís Seabra, presidente da Associação dos Agricultores do Ribatejo Mariline Alves
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"A água é um tema central, a evolução nos últimos 20 anos no uso eficiente de água é impressionante, mas é preciso mais", afirma Gonçalo Andrade, presidente da Portugal Fresh. Considera que "entrámos numa agricultura moderna, intensiva, que utiliza a tecnologia para usar os recursos de uma forma muito eficiente".

"A agricultura vive um período entusiasmante que se iniciou nos finais dos anos 1980. Começou um grande desenvolvimento com a introdução do regadio, que foi o grande motor de desenvolvimento, nomeadamente com o Alqueva", disse Luís Seabra, presidente da Associação dos Agricultores do Ribatejo. "Se somarmos a isto a tecnologia e o seu desenvolvimento, não só ao nível das culturas e da genética, mas também dos sistemas de rega, os drones, os satélites, os sensores, é uma agricultura atrativa e entusiasmante", concluiu Luís Seabra. Enfatizou que "a tecnologia tem sido uma aliada da agricultura". Desde o fim dos anos 90, a cada pequena oportunidade de inovação que surgiu no mundo a agricultura respondeu na hora. Recorda de se deslocar a Espanha e aos Estados Unidos para saber o que se fazia. Mas, na opinião de Luís Seabra, "hoje em dia é ao contrário, vêm ver porque passámos a ser uma montra e um modelo exemplar na agricultura de alta intensidade, no sentido de proteção do ambiente e do território".

Mas Luís Seabra chama a atenção de que, no futuro, se nada for feito, a água se torne um fator limitativo para o desenvolvimento da agricultura. "A transição climática é uma preocupação, mas é um facto que em Portugal estamos em 2021 e não temos nenhuma obra projetada relacionada com água para os próximos 10 anos. No PRR, falamos de uma barragem de Pisão que tem impacto regional, é importante e justificada mas não temos mais nada", considerou Luís Seabra.

Água do Norte para o Sul

Portugal utiliza menos de 10% dos recursos de águas superficiais anualmente, que estão concentrados a norte do Tejo. Para Luís Seabra, a solução seria trazer água para o Sul para aumentar as áreas de regadio. Mas "a política europeia tende para a limitação, a proibição. A resposta devia ser clara e dizer à Europa que não há possibilidades de desenvolvimento da agricultura nos países do Sul se não houver aumento das áreas de regadio. Não se trata só de água para manter os ecossistemas, mas para desenvolver o Sul do país, e, além disso, com barragens podemos acrescentar milhares de hectares."

Adianta que no "Tejo não há uma barragem de retenção de caudais, temos uma no Zêzere, que é afluente. Os espanhóis armazenam 90% da água e depois queremos que estes nos abram a torneira? Estamos sempre no fio da navalha porque não temos a consistência desse recurso essencial." A água poderá condicionar a evolução do setor, admite Gonçalo Andrade. Na sua opinião, se houver uma verdadeira estratégia para o regadio, o setor dos frutos, legumes e flores conseguirá aumentar a área de produção e, em 10 anos, chegar a mais mil milhões de euros em volume de negócios. No PRR, dos 200 milhões de euros alocados para o regadio no Algarve, 60% são para novas fontes de água, que é o transvase do Pomarão, e uma dessalinizadora.