Outros sites Cofina
Notícia

Ana Botín é a 6.ª Mais Poderosa de 2017

Herdeira natural de uma antiga linha de banqueiros, Ana Botín procurou merecer o lugar de sucessora do homem que fez do Santander um dos dez maiores bancos europeus. Chegou à presidência do grupo após a morte de Emilio Botín, mas não receou impor os ventos da mudança. Sob o mote da simplificação, fez uma nova aposta comercial em Espanha e reduziu a estrutura do banco. Mas foi a compra do Popular, apadrinhada pelo BCE, que devolveu ao Santander a liderança da banca espanhola.

A carregar o vídeo ...
  • Assine já 1€/1 mês
  • ...


Porque entra

Teve a difícil tarefa de suceder ao pai Emilio Botín, um dos maiores banqueiros espanhóis de todos os tempos. Não se intimidou com isso, e incutiu nova filosofia ao Santander. Com a compra do Popular, que recebeu luz verde do BCE, o Santander volta à liderança da banca espanhola. E em Portugal, também, escala posições no "ranking" com esta aquisição, que se seguiu à compra do Banif. Também a nível nacional, já demonstrou, bom relacionamento com o actual Governo.

__________________________________________
 
Durante mais de 20 anos foi conhecida no meio financeiro da Península Ibérica apenas como Ana Patricia. Nos anos 1990, a conjugação dos dois nomes nos corredores da alta finança madrilena ou lisboeta remetia imediatamente para a filha de Emilio Botín, que então se forjava como o mais importante banqueiro de Espanha. Mas quando subiu à liderança do Santander UK, para substituir António Horta Osório, em 2010, o seu nome de guerra passou a ser simplesmente Ana Botín.

Terá sido a dificuldade dos ingleses com o nome Patricia que levou a banqueira a optar por uma formulação mais simples, pela explicação da edição espanhola da Vanity Fair. Certo é que, depois de ter chegado à liderança do Santander britânico, tanto no mundo financeiro como na comunicação social, a sucessora de Don Emilio passou a ser conhecida por Ana Botín.

Não foi a primeira vez que uma pequena mudança de nome marcou o seu percurso profissional. Quando se candidatou ao JP Morgan, primeiro banco onde trabalhou - de 1980 a 1988 - deu o sobrenome da mãe (O'Shea), ocultando o já então conhecido Botín. A alteração terá chegado a gerar confusão na instituição empregadora, já que o nome do formulário não batia certo com os restantes dados da candidata. Mas nos perfis sobre a mais poderosa banqueira espanhola, o episódio ajuda a ilustrar o seu empenho em ser reconhecida pelo mérito e não apenas por pertencer a uma antiga linhagem de banqueiros.
Ana Botín na inauguração da expansão da sede do Santander Totta em Lisboa, com o primeiro-ministro António Costa
Ana Botín na inauguração da expansão da sede do Santander Totta em Lisboa, com o primeiro-ministro António Costa Pedro Elias
Naquele início de carreira em Nova Iorque, Ana ficou também conhecida por ir trabalhar vestida de forma modesta. Ao ponto de ter surpreendido os amigos americanos quando apareceu na primeira festa com um "modelo impressionante", na descrição da Vanity Fair.

Agora que lidera um dos cinco maiores bancos europeus - depois de ter assegurado a compra do Popular por um euro -, a banqueira é notícia por optar pelo pronto-a-vestir. O casaco da Zara, de inspiração Channel, que vestiu na última assembleia-geral do Santander, foi assinalado tanto pela imprensa cor-de-rosa como pelos jornais de referência. A escolha foi mais um pretexto para comparar Ana Botín à rainha Letizia, que ainda princesa já era conhecida por vestir roupa de marcas espanholas de pronto-a-vestir, como Zara ou Mango.

A indumentária barata não esconde o poder de Ana Botín, que não tem parado de crescer desde que a banqueira ingressou no Santander, no final dos anos 1980. Nos 22 anos que trabalhou no grupo até à morte do pai, em Setembro de 2014, foi progredindo. De directora-geral, passou a liderar a expansão do banco no Brasil, projecto desenvolvido em conjunto com António Horta Osório, então líder do Santander Portugal. Foi precisamente para substituir o banqueiro português à frente do Santander UK que, em 2010, Ana Botín deixou a liderança do antigo Banesto.

Juntando as nossas forças convertemo-nos no líder da banca espanhola. Todos temos uma grande responsabilidade para com os quatro milhões de clientes do Banco Popular que a partir de hoje integram o Santander.  Carta aos trabalhadores do Popular, a 7 de Junho de 2017

Nada muda para os clientes do Popular. Serão atendidos pelas mesmas pessoas que até hoje. É uma boa operação para os nossos accionistas. Apresentação da compra do Popular, a 7 de Junho de 2017

Investir em tecnologia hoje é assegurar o futuro de amanhã. A transformação digital não deve servir apenas para fazer o mesmo de forma distinta, mas também para fazer coisas que antes não concebíamos. Assembleia-geral do Santander, 7 de Abril de 2017
Ana Botín
Presidente do Grupo Santander

A passagem por Londres catapultou-a de vez para candidata incontestada à sucessão de Emilio Botín. Mas a sua afirmação como líder do Santander não passou pela manutenção do "status quo" herdado do pai. A banqueira trouxe consigo os ventos da mudança. Fez uma renovação alargada na administração, rodeando-se de gestores que tinham estado consigo em Londres. Avançou com um aumento de capital de 7.500 milhões e cortou dividendos.

Mais importante do que as medidas de curto prazo foi a mudança de orientação estratégica.

Don Emilio passou as últimas duas décadas a promover o crescimento internacional do grupo, mesmo que isso implicasse abdicar da liderança do mercado espanhol. Ana colocou Espanha no centro das suas preocupações, sob o mote da simplificação.
Ana Botín com António Vieira Monteiro, que lidera o Santander Totta em Portugal
Ana Botín com António Vieira Monteiro, que lidera o Santander Totta em Portugal Pedro Elias
O novo mantra do Santander teve como símbolo o lançamento de um novo conceito de conta bancária a pensar na vinculação dos clientes (a Conta 1|2|3). E foi pretexto para o primeiro grande programa de redução de estrutura em Espanha. No ano passado, o banco encerrou quase 500 balcões e dispensou cerca de 1.400 trabalhadores. A aposta produziu resultados. Os lucros do banco e os dividendos pagos aos accionistas cresceram.

A estratégia foi diferente da de Emilio Botín, mas também conseguiu fortalecer o Santander. Esta força, que é hoje a fonte do poder de Ana Botín, abriu caminho a novas oportunidades. Com o alto patrocínio do Banco Central Europeu, o grupo acordou a compra do rival Popular por um euro. De uma penada, o Santander voltou a liderar o mercado espanhol. E pelo caminho subiu ao quinto lugar do "ranking" da banca europeia.

Bilhete de identidade

 Cargo: Presidente do Grupo Santander
 Naturalidade: Nasceu em Santander, Espanha, em 1960
 Formação: Licenciatura em Ciências Económicas pela Universidade Bryn Mawr College, nos Estados Unidos da América



Mais notícias