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Notícia

António Costa é o 2.º Mais Poderoso de 2017

Veni, vidi, vici. "Vim, vi e venci", poderá dizer António Costa aos seus botões. No espaço de 12 meses, o panorama mudou por completo. Depois de um ano a tentar sobreviver, a geringonça ganhou asas, alimentada pelos sucessos do país: a economia cresce ao ritmo mais alto dos últimos 17 anos, o défice entrou nos carris e a devolução de rendimentos prossegue alimentando a confiança dos consumidores na economia e no Governo. A popularidade do PS e de Costa, medida nas sondagens, serve de selo de garantia. Mas é cedo para festejos.

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Porque sobe

Contrariando as probabilidades e o cepticismo reinante, António Costa chega ao segundo ano da legislatura com um balanço bastante positivo: endireitou as contas, pôs a economia a crescer e o relutante investimento a subir e cumpriu, em linhas gerais, as promessas de devolução de rendimentos. A máquina que ajudou a criar, chamada geringonça, foi abaixo algumas vezes, mas pegou ao primeiro empurrão. As sondagens põe-no à beira da maioria absoluta.

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Contra ventos e marés, a vida correu muito bem ao primeiro-ministro António Costa no último ano. Para alguém que perdeu as eleições em Outubro de 2015; que montou uma solução governativa inédita e em que poucos acreditavam; que contou com a hostilidade da maioria dos colunistas de jornais e comentadores televisivos; que suscitava o cepticismo dos parceiros europeus, em particular da Alemanha; e que motivava enorme desconfiança junto dos mercados financeiros, Costa conseguiu chegar onde poucos imaginavam ser possível. 

Muitos têm dito que é um homem de sorte, que beneficiou de uma mudança da conjuntura externa decisiva e da alteração de paradigma da Comissão Europeia. Outros apontam a sua habilidade política, grande margem de cintura e capacidade de manipulação. Outros ainda vêem um pragmático, que sabe aproveitar as oportunidades. Enfim, explicações à parte, o balanço de dois anos do seu Governo é bem diferente do balanço do primeiro ano.
Marcelo Rebelo de Sousa tem-se revelado um aliado de peso de António Costa
Marcelo Rebelo de Sousa tem-se revelado um aliado de peso de António Costa Clara Azevedo/Correio da Manhã
Há um ano atrás, quando surgia como o quarto mais poderoso da economia portuguesa, o Negócios destacava sobretudo a forma como o primeiro-ministro conseguira transpor sucessivos obstáculos, recorrendo a soluções mais ou menos imaginativas.

Oleou a geringonça e superou o desafio do primeiro orçamento, conseguindo agradar a gregos (Bloco e PCP) e troianos (Bruxelas). Depois de grande tensão com a Comissão Europeia, que rejeitou liminarmente o primeiro esboço orçamental, o Orçamento lá venceu sem convencer. Pouco depois, a geringonça foi posta à prova e, pior, falhou. A necessidade de acorrer ao Banif e o Orçamento rectificativo desuniu a recém-formada geringonça, obrigando o PS a apoiar-se nos votos da direita. A seguir, veio a reversão da privatização da TAP; a elaboração do Programa de Estabilidade; a ameaça das humilhantes sanções europeias e finalmente a recapitalização da Caixa, que acabou por ser aprovada por Bruxelas. A tudo isto, Costa sobreviveu e chegou a Setembro de 2016 precisamente com esse estatuto: de sobrevivente.

Numa Europa a sério, o senhor Dijsselbloem já estava demitido neste momento"
22 de Março de 2017

[A geringonça permitiu] derrubar o último resquício do muro de Berlim que tinha subsistido ao longo destes anos todos. 19 de Abril de 2017

Seguramente, [2017] vai ser o ano de maior crescimento económico desde o princípio deste século. 8 de Agosto de 2017

O que aconteceu em Pedrógão é um fenómeno único na sua dimensão de tragédia humana, que nos marcará para sempre. Felizmente, não é o padrão de avaliação do desempenho do nosso sistema de protecção civil. Não posso dizer que um sistema que extingue 81% dos incêndios em menos de 90 minutos não funciona. 19 de Agosto de 2017


Por essa altura, já as sondagens davam um retrato muito diferente do que existia no início da legislatura. Em Setembro de 2016, o PS liderava o barómetro da Aximage, com quase mais 10 pontos percentuais do que o PSD. Como fora possível, questionava-se Pedro Passos Coelho? A inversão iniciara-se meses antes, em Abril, reflectindo a entrada em vigor das medidas de devolução de rendimento, tais como a eliminação gradual da sobretaxa, a reposição salarial na Função Pública e regresso às 35 horas, o fim do corte das pensões mais altas e a actualização geral da maioria das pensões e o reforço de algumas prestações sociais.

Ainda assim, as perspectivas permaneciam sombrias. A desconfiança de Bruxelas era evidente e, tal como as principais instituições, ninguém acreditava nas previsões do Governo para o crescimento e para o défice público. Por outro lado, a situação da banca suscitava enorme apreensão, designadamente a Caixa Geral de Depósitos e os mercados mantinham-se descrentes, conforme se materializou uns meses depois com uma tensão crescente nos juros.

De vento em popa

Mas tudo isto se desanuviou com o tempo. A economia manifestou um dinamismo que surpreendeu o próprio Governo e o défice ficou abaixo das previsões do Governo e até da Comissão Europeia. O plano de reestruturação da Caixa foi aceite e depois da polémica em torno do presidente nomeado, António Domingues, e dos compromissos que Centeno assumira com ele, o banco público deixou de suscitar preocupações. Seguiu-se o Montepio, mas o Governo conseguiu acalmar as hostes encontrando uma solução envolvendo a Santa Casa.
António Costa com o primeiro-ministro da Índia
António Costa com o primeiro-ministro da Índia Rafael Marchante/Reuters
E chega-se ao Verão com um governo e um primeiro-ministro aparentemente blindados às principais críticas que a oposição lhes fazia: a ingovernável e irresponsável geringonça funciona sem rasgar os compromissos europeus; a economia que iria definhar com a perda de confiança é afinal uma das que mais cresce na Zona Euro, com o investimento a subir; as contas públicas que iriam descontrolar-se estão nos trilhos como nunca tiveram; o pior na banca parece ter passado, apesar de continuar por resolver o problema do crédito malparado.

E, claro, a recuperação, ainda que ligeira, de rendimentos continua a produzir os efeitos desejados pelo primeiro-ministro: puxa pela economia e pela confiança. Confiança na economia, mas também pela confiança no Governo e no seu chefe. É isso que mostra o barómetro da Aximage: o PS à beira da maioria absoluta e quase o dobro das intenções de voto do PSD e Costa como o mais popular e Passos o mais impopular. Isto depois de um Verão que correu mal ao Governo, com a tragédia de Pedrógão e os incêndios de Agosto, o roubo de Tancos e as demissões no Governo do Galpgate.

Bilhete de identidade

 Cargo: Primeiro-ministro
 Naturalidade: Nasceu em Lisboa, em 1961
 Formação: Licenciado em ciências juridico-políticas, pela Faculdade de Direito da Universidade Clássica de Lisboa




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