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António Lobo Xavier é o 43.º Mais Poderoso de 2019

Os grandes negócios passam pelo seu escritório, as famílias que os lideram também, e continua a chegar semanalmente aos portugueses, com os seus comentários na “Circulatura do Quadrado”, na TVI24 e na TSF. Lobo Xavier tem assegurado um lugar no “ranking” dos mais poderosos.

Alexandre Azevedo
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Em junho deste ano a tailandesa PTT Exploration and Production pagou 553,3 milhões de euros à Fundação Calouste Gulbenkian pela compra da Partex, a histórica companhia petrolífera. A operação, que fez parte da nova estratégia da Fundação de se desligar dos combustíveis fósseis e apostar em formas de energia mais sustentáveis, andou a ser negociada durante mais de um ano por uma equipa liderada por António Lobo Xavier e foi uma das muitas em que o advogado da Morais Leitão interveio nos últimos tempos. A Fundação Calouste Gulbenkian é um dos seus principais clientes, enquanto advogado, mas está longe de ser o único e pelo seu escritório passam nomes como os da Sonae, Jerónimo Martins, REN ou Galp, entre outros.

António Lobo Xavier ocupa este ano o 43.º lugar da lista de poderosos, elaborada anualmente pelo Negócios. Em dez anos, não falhou um único e mantém-se firme muito embora desta vez desça uns lugares. Mas já lá vamos.

Advogado e fiscalista, comentador, conselheiro de Estado, barão do CDS-PP, partido a que mantém desde sempre uma ligação, ainda que sem cargos ativos na política - foi recentemente o mandatário para as Europeias -, muitos são os cordelinhos que o ligam aos diferentes corredores do poder, nos quais se move com todo o à-vontade.

E tem, desde logo, um mediático palco semanal de que poucos se podem gabar, já que integra, desde 2014, o painel de comentadores que, primeiro na SIC e agora na TVI24, passam a pente fino os acontecimentos políticos (e não só) que foram notícia. O programa "Quadratura do Círculo", cujo nome agora mudou para "Circulatura do Quadrado" esteve para sair do ar quando, no início deste ano, a SIC anunciou que pretendia acabar com ele e que não renovaria o contrato com o painel de comentadores que, além de Lobo Xavier, integra Pacheco Pereira e Jorge Coelho, moderados pelo jornalista Carlos Andrade. De imediato a RTP e a TVI entraram em competição, a ver qual ficaria com o programa, e acabaria por ser a TVI24 a dar continuidade ao modelo que, além disso, passou também a ser emitido na TSF, o que veio ainda alargar mais a potencial audiência.



Os poderes de António Lobo Xavier
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Nos cinco critérios do Negócios para analisar o poder, veja porque ficou António Lobo Xavier na 43ª posição na lista dos Mais Poderosos de 2019.
"Para mim, [o programa] funciona como um iQOS, um tabaco de aquecer que não tem monóxido de carbono, alcatrão, chumbo, mas que dá o mesmo efeito, sem fazer tão mal. Eu que gosto da política diria que a Circulatura é o meu iQOS", admitiu recentemente nas conversas "E Deus nisso tudo?", conduzidas semanalmente por Maria João Avillez na igreja do Campo Grande, em Lisboa.

Sempre com um pé na política

Um vício com consequências menos graves, mas ainda assim um vício. Um pouco como a política de que, reconhece, nunca perdeu o bichinho. Lobo Xavier foi dirigente do CDS-PP e deputado entre 1983 e 1995. Pelo meio tentou a liderança do partido, mas perdeu para Basílio Horta e, desde então, mantém-se na confortável posição de barão e conselheiro, sempre próximo dos vários líderes, incluindo a atual, Assunção Cristas.

Na mesma conversa com Maria João Avillez, reconheceu, no entanto, que não põe de parte a possibilidade de uma "recaída". O CDS registou um desaire nas eleições europeias e tem vindo a cair nas sondagens e, talvez até por isso, o advogado não recusa agora completamente um eventual regresso. "Sinto-me atraído por essa vida [política] e pela vida pública, mas sei que vou sofrer, se ceder à tentação", afirmou.


[Um político] deve ser uma pessoa com boas intenções, séria, com sentido de serviço público, uma pessoa direita, conhecedora, competente e honesta. [...] Com estas características todas não conheci muita gente.

António Lobo Xavier
Junho de 2019, nas conversas "E Deus nisso tudo?", conduzidas por Maria João Avillez.
O certo é que não lhe falta o que fazer. E quem o rodeia não deixa de se questionar sobre como consegue responder a tudo sempre com a mesma eficiência. "Costumamos dizer que é omnipresente", brinca Nuno Galvão Teles, seu colega de escritório e de longos anos de prática na advocacia.

Além de grandes empresas, conta entre os seus clientes muitos particulares e, até, algumas das famílias mais influentes no mundo dos negócios, que procuram o seu aconselhamento jurídico, como os Melos ou a famílias Soares dos Santos. "Tem uma capacidade notável de encantar qualquer cliente, e quando entram no seu escritório já não saem", elogia Nuno Galvão Teles. "É um conciliador, um diplomata e um advogado brilhantíssimo."


António Lobo Xavier no Porto à chegada a uma assembleia-geral do BPI, banco no qual exerce o cargo de vice-presidente.
António Lobo Xavier no Porto à chegada a uma assembleia-geral do BPI, banco no qual exerce o cargo de vice-presidente. José Coelho
A sua mais-valia é a Fiscalidade, área de prática em que se especializou e pela qual muitos recorrem a ele. Foi ele que liderou a última reforma do IRC e, recentemente, foi contratado pela Região Autónoma da Madeira para preparar a reforma da tributação das empresas no arquipélago.

Nos tempos livres, António Lobo Xavier está na administração de diversas empresas, com cargos executivos e não executivos, e é administrador da Casa da Música e da Fundação Francisco Manuel dos Santos e curador da Fundação Belmiro de Azevedo. "E ainda consegue tempo para ser um bom amigo, coisa que poucos alcançam", remata Nuno Galvão Teles.


Presença na lista há dez anos
Evolução da classificação ao longo dos anos

Foi nos tempos do governo de coligação PSD/CDS-PP que Lobo Xavier mais subiu no "ranking". A dinâmica da lista e os maus resultados do seu CDS-PP ditaram agora uma queda, mas sem ameaçarem a sua permanência neste grupo.