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Francisco Pinto Balsemão é o 35.º Mais Poderoso de 2019

Apesar de não ter funções executivas, Francisco Pinto Balsemão ainda mexe os cordelinhos. Na empresa e na política. Nacional e internacional. Este ano ganhou novo motivo para rir: a SIC voltou à liderança da televisão de sinal aberto.

Ricardo Ruella
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Cristina Ferreira confirmava, a 7 de setembro, que ia trocar a TVI pela SIC. "É oficial: a SIC é o futuro. O meu. A minha casa. A sua casa. Onde o desafio é o maior alimento do sonho. Estou feliz. Muito. A dois dias de fazer 41, abro a porta do entusiasmo e da surpresa. Com a certeza deste ser o meu caminho. O melhor ainda está por ver. Juntos". A mensagem, divulgada na sua conta do Instagram, que tem um milhão de seguidores, era acompanhada por uma fotografia de Cristina com Pinto Balsemão.

O "patrão" da Impresa ria-se. Talvez antecipasse que aquele milhão de euros que custou contratar Cristina daria os seus frutos poucos meses depois. Ao fim de 12 anos, a SIC voltava à liderança das audiências. No segundo mês de emissão, o "Programa da Cristina" era visto por mais de 430 mil espectadores. A liderança não fugiu mais à SIC este ano. Daniel Oliveira, diretor geral de Entretenimento da Impresa, descreveu a contratação de Cristina Ferreira como "um feliz encontro de vontades".

Foi também um encontro de vontades que levou a empresa a aproveitar o embalo da liderança para emitir 51 milhões de euros em obrigações. Isto depois de ter falhado, em 2017, a emissão de 35 milhões de euros. Este ano a dívida foi colocada pela SIC - e não pela Impresa - e junto de investidores particulares. Aproveitando a popularidade da Cristina, foi também a contratação milionária que fez a publicidade à emissão. A SIC garantiu mais de 10 mil investidores para as suas obrigações, que rendem um juro anual de 4,5%, um pagamento que é, no entanto, acima do custo médio da dívida da Impresa.

O semestre encerrava com a Impresa a lucrar 3,46 milhões de euros, o que o grupo de Balsemão - agora praticamente reduzido à SIC e ao Expresso - destacou como sendo "os maiores lucros nos últimos cinco anos".

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Francisco Pinto Balsemão terá, também aqui, motivo para se rir. Afinal, os marcos estão a ser conseguidos com o filho na liderança. Uma escolha que foi vista, por muitos, como arriscada. Balsemão manteve-se ao lado do filho e, mesmo não tendo funções executivas, continua a mexer os cordelinhos.

Francisco Pedro, debutante

É também noutros círculos que Francisco Pinto Balsemão espera que o filho Francisco Pedro seja reconhecido. E assim juntou-o a nomes como Paula Amorim, Vasco de Mello, Leonor Beleza, Carlos Carreiras, António Lagartixo, Isabel Mota, Pedro Penalva, António Ramalho e Carlos Gomes da Silva para integrar o grupo de fundadores dos Encontros de Cascais, um clube de reflexão à semelhança de Bilderberg (que teve Balsemão como o membro português do conselho diretivo e que, em 2015, passou o testemunho a Durão Barroso).

[A emissão de obrigações] é importante (...) para assegurar a capacidade de manter a independência editorial e para prosseguirmos a luta contra as ‘fake news’, a devassa de dados privados e pessoais e toda uma série de ameaças à democracia.

Francisco Pinto Balsemão
Em julho, citado pelo Negócios

Com este clube de Cascais, Balsemão quer pensar o país e o mundo, trocando ideias entre quem considera serem algumas das pessoas mais marcantes da sociedade. Um grupo de onze pessoas, com mandato renovável de três anos, para definir caminhos. A economia forte e justa, amiga dos empresários, e a democracia são pedras de toque desse caminho. Duas lutas de sempre de Balsemão. "O facto de Portugal ser um pequeno país não justifica que nos calemos nas organizações internacionais de que somos membros, nem que não tomemos medidas internas adequadas", palavras proferidas por Balsemão, num encontro promovido pelo Instituto Sá Carneiro, sobre os princípios e valores do fundador do PSD homenageado na ocasião, em dezembro de 2018.

Jornalismo e democracia

Balsemão, sempre que pode, faz ouvir-se. Convidado assíduo de vários congressos e reflexões - além de fazer parte do conselho de Estado -, foi eleito co-presidente do Fórum Iberoamérica, em conjunto com Julio María Sanguinetti, ex- presidente do Uruguai. Nada, para Balsemão, justifica o silêncio. Por isso, fala do poder excessivo dos fundos de investimento, dos bancos, das agências de "rating", e agora dos GAFA (Google, Apple, Facebook e Amazon). Estes são, aliás, a sua luta atual mais permanente. Estas empresas, nas suas palavras, "são veículos ideais para a divulgação maciça de notícias falsas e para o seu envio prioritário para destinatários que, pelos dados que deles disponibilizam, são os mais suscetíveis de nelas acreditarem". Balsemão acredita que o caso do Cambridge Analytica, em que dados de milhões de utilizadores do Facebook foram usados para fins políticos, levou a uma votação favorável ao Brexit e a Trump. "O desempenho da função jornalística é cada vez mais importante para separar o trigo do joio, um joio que os gigantes tecnológicos da ‘net’ consentem e alimentam".

Francisco Pinto Balsemão na cerimónia que assinalou a transferência da SIC para Paço d’Arcos.
Francisco Pinto Balsemão na cerimónia que assinalou a transferência da SIC para Paço d’Arcos. Ricardo Ruella

A luta contra estes gigantes será feita com jornalismo independente, acredita o patrão da Impresa. Independência em relação ao "poder político e ao poder económico, e a outros poderes, como o cultural ou o desportivo". E essa independência, não se cansa de dizer e não silencia, só é possível com saúde financeira dos meios de comunicação social. E, por isso, as contas da Impresa dão, hoje, e para já, a Balsemão mais uma arma para prosseguir as suas lutas.


Sempre na lista, mas em queda
Posição ocupada por Francisco Pinto Balsemão nos Mais Poderosos

Houve tempos em que ocupava os lugares cimeiros. Ter deixado de ser presidente executivo da Impresa levou-o a cair na lista, mas o seu poder continua, mesmo sendo não executivo. Este ano sobe com a melhoria da Impresa e a influência nacional.