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Gabriela Figueiredo Dias é a 47.ª Mais Poderosa de 2019

Discreta, pouco acomodada e muito focada nos detalhes, mas sempre com uma dose de bom humor. É assim que Gabriela Figueiredo Dias encara o dia-a-dia, à frente da CMVM. A pé ou de avião, move-se pelos corredores do poder em Portugal e nas instituições estrangeiras.

Mariline Alves
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Sempre que pode é a pé que vai para a Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM), a entidade que passou a liderar há quase três anos e onde faz questão de conhecer todos pelo nome. Dona de um bom humor contagiante, Gabriela Figueiredo Dias é uma verdadeira "workaholic": mais horas o dia tivesse, mais dedicaria ao trabalho. Quem com ela trabalha garante que tem uma capacidade de motivar equipas, sem nunca descuidar o profissionalismo e a exigência, que a própria função exige. Sempre que pode é para Coimbra que corre, para junto dos amigos e da família.

Nascida numa família de advogados muito ligada à Academia, nomeadamente à Universidade de Coimbra, foi nesta cidade que iniciou a sua carreira, também ela como advogada. Só alguns anos depois de ter assumido funções na CMVM - passou por vários departamentos no regulador - é que se mudou para Lisboa. Durante o período em que mantinha a morada e a família em Coimbra, fazia o percurso entre as duas cidades de carro todos os dias. Conduzia 1.500 quilómetros por semana. Por esta altura, caminhar dava-lhe um prazer ainda maior. O gosto mantém-se, assim como o de viajar.

"A Gabriela gosta muito de viajar. Fez erasmus na primeira leva do programa em Portugal", conta Paulo Olavo Cunha. O sócio da Vieira de Almeida é um dos grandes amigos da presidente da CMVM, pessoa com quem partilha gostos e que conheceu quando trabalhava com o advogado Galvão da Silva. "É das melhores pessoas que conheço e tem um nível científico elevadíssimo. Gosto de falar com ela com regularidade. Tem imenso sentido de humor, divirto-me imenso com ela", partilha o advogado.



Os poderes de Gabriela Figueiredo Dias
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Nos cinco critérios do Negócios para analisar o poder, veja porque ficou Gabriela Figueiredo Dias na 47.ª posição na lista dos Mais Poderosos de 2019.
Também João Gião, administrador da CMVM, que trabalha há mais de uma década com Gabriela Figueiredo Dias, elogia o bom ambiente de trabalho. Segundo o responsável, a presidente da CMVM é "agradável, divertida e leal", mas também "exigente, inquieta, pouco acomodada e sempre na tentativa de procurar corrigir situações que merecem ser corrigidas". "Gosta essencialmente de trabalhar e em segundo lugar gosta de trabalhar", resume João Gião.

Dinamizar é prioridade

A dinamização do mercado está entre as prioridades da CMVM. "O foco é o desenvolvimento do mercado, sem perder o nosso propósito, que é a proteção dos investidores", defendeu Gabriela Figueiredo Dias, nos prémios Melhores Fundos do Negócios e da APFIPP. No último mês, na conferência da Exame, a presidente da CMVM reforçou que "o financiamento pelo mercado é, e será cada vez mais, uma oportunidade atrativa e um imperativo para a economia portuguesa".


O foco [da CMVM] é o desenvolvimento do mercado, sem perder o propósito da proteção dos investidores.

Gabriela Figueiredo Dias
Negócios em maio de 2019

O financiamento pelo mercado é uma oportunidade atrativa e um imperativo.

Gabriela Figueiredo Dias
Lusa em junho de 2019

Nesta tarefa, Gabriela Figueiredo Dias conta com a parceria de várias entidades no mercado. Desde logo, outro regulador, o Banco de Portugal, com quem tem estabelecido várias iniciativas, a Euronext Lisbon, a associação dos fundos APFIPP, e o próprio governo, na figura do ministro da economia. Pedro Siza Vieira assume-se como um forte defensor da dinamização do mercado de capitais e da criação de instrumentos alternativos, tendo trabalhado na criação das Sociedades de Investimento Mobiliário para Fomento da Economia e dos certificados de dívida de curto prazo. Mais recentemente, o Executivo aprovou ainda os fundos de crédito.

Ricardo Mourinho Félix é outra das figuras com quem tem trabalhado de perto. Ainda que tenha tido algumas diferenças com o Ministério das Finanças, nomeadamente no que diz respeito à reforma da supervisão financeira e à lei das cativações, o secretário de Estado Adjunto e das Finanças tem sido, muitas vezes, um parceiro, nomeadamente na transferência dos poderes de supervisão dos fundos de investimento para a esfera da CMVM.


A presidente da CMVM com o governador do Banco de Portugal, Carlos Costa, num evento onde esteve o primeiro-ministro.
A presidente da CMVM com o governador do Banco de Portugal, Carlos Costa, num evento onde esteve o primeiro-ministro. Mariline Alves
É na área da auditoria que Gabriela Figueiredo Dias tem travado algumas batalhas. Na sequência do caso BES, o regulador tem procurado apurar responsabilidades e avança na acusação contra a KPMG, a mesma auditora que recusou para o Montepio, obrigando à rotatividade prevista na lei. À Deloitte tem pedido esclarecimentos sobre a CGD. Manteve também uma relação tensa com o presidente da Associação Mutualista Montepio, alvo de algumas decisões - como a separação dos produtos da mutualista do Banco Montepio - que não agradaram a Tomás Correia. Mas uma das principais decisões da CMVM foi mesmo a que determinou o fim da OPA da China Three Gorges à EDP. Foi pela mão do supervisor, que o empurrão foi dado, ao obrigar os chineses a tomarem decisões em plena assembleia-geral.

Mas não é só entre as instâncias nacionais que Gabriela Figueiredo Dias tem influência. Lá fora, a responsável mantém vários cargos relevantes em instituições como a ESMA, a OCDE ou a IOSCO. Uma presença que, segundo Paulo Câmara, é reconhecida como de "grande relevância" e onde a sua participação merece "rasgados elogios" a nível internacional, refere o advogado. "Tem construído uma relação de grande prestígio", remata.


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