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Indústria europeia não se pode basear em custos de produção baixos

A reindustrialização implica criar uma indústria capaz de enfrentar os desafios da digitalização, da descarbonização, da economia circular, e a mudança do sistema de produção, transporte, consumo e acesso à energia.

Filipe S. Fernandes 07 de Outubro de 2021 às 10:30
Ricardo JR
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As atividades industriais saíram da Europa e foram para a Ásia à procura de custos mais baixos de produção, mas a verdade é que “a indústria na Europa não se baseará em custos de produção baixos”, avisa Pedro Siza Vieira (na foto), ministro de Estado, da Economia e da Transição Digital, na abertura da webtalk sobre “Reindustrialização” no âmbito do “Vamos lá, Portugal!”, uma iniciativa do Jornal de Negócios, em parceria com o Millennium bcp, um dos principais pilares do Plano de Recuperação e Resiliência.

Para Pedro Siza Vieira, a reindustrialização implica refletir em como compensar as ameaças estratégicas que existem sobre algumas indústrias pesadas, ou como é que a indústria do futuro vai enfrentar mudanças muito significativas como a digitalização, a Indústria 4.0, uma maior atenção ao serviço e à assistência a clientes vistos mais como serviço do que como entrega de bens.

A que acrescem os desafios de como enfrentar as ameaças das alterações climáticas e os desafios tecnológicos de novos componentes, novas tecnologias para a descarbonização dos processos industriais na produção de energia ou no transporte de bens, e mudar todo o sistema de produção, de transporte, de consumo e de acesso à energia. “Não se trata por isso apenas de aproximarmos a produção de bens físicos dos locais onde os consumimos, trata-se também de modernizarmos a nossa atividade industrial”, referiu Pedro Siza Vieira.

Investimento empresarial

Segundo Pedro Siza Vieira, o PRR, no montante de 750 mil milhões de euros, tem fundos dedicados aos desafios da descarbonização, da digitalização e muito focados na reindustrialização da Europa, e o próximo quadro financeiro plurianual tem prioridades muito claras em matéria de combate às alterações climáticas, apoio às indústrias no esforço de descarbonização e de construção de uma economia circular.

Neste contexto, Portugal tem verbas muito significativas “que vão mobilizar o esforço do nosso sistema científico e tecnológico para responder aos desafios de uma economia industrial mais inovadora, mais assente no conhecimento, mas também no próprio apoio ao investimento empresarial na esfera da descarbonização”, disse o ministro.

“Temos disponíveis no PRR cerca de 715 milhões de euros para apoiar em subsídios de capital os esforços de descarbonização das empresas industriais mais responsáveis por gases de efeito estufa, assim como teremos no PT 20/30, no âmbito dos nossos sistemas de incentivos, verbas muito significativas para apoiar os esforços de descarbonização e de economia circular”, acrescentou

Pedro Siza Vieira afirmou que o Governo vai “continuar a apoiar o investimento empresarial no que diz respeito a novas capacidades produtivas, sobretudo à volta da inovação e em torno daquilo que é o investimento dedicado a processos industriais e produtos que incorporem o conhecimento nacional”.