Jogo da Bolsa: Curtos, longos e "fake news"

A opinião de Marco António Oliveira, administrador do Caldeirão da Bolsa
Jogo da Bolsa: Curtos, longos e "fake news"
Negócios 09 de novembro de 2018 às 11:23
A propósito do famigerado "Tesla 420", o tweet em que Elon Musk alegava que pretendia retirar a Tesla de Bolsa por 420 dólares por acção, com financiamento alegadamente garantido, alguns pontos de reflexão:

Musk deu forma, com um cunho bem pessoal, ao enésimo episódio de culpabilização dos 'shorts' por uma suposta má apreciação das cotações em Bolsa. Não é o primeiro, não será o último. A saga já durava há meses, é claro, e todo o episódio acaba por não ser surpresa para quem a vinha acompanhando. O primeiro ponto porém é que a cotação não obedece a uma relação linear directa com a abertura de posições curtas. Tanto mais que o Open Interest das posições curtas baixou durante as semanas seguintes enquanto a cotação da Tesla mergulhava, no que não faço ideia se Musk reparou ou não. A questão não será quão por dentro da real complexidade dos mercados está Elon Musk ou se tudo não passou uma 'vendetta' apenas para provocar perdas de ocasião, mas antes que o episódio serve para fazer perdurar uma noção que é essencialmente uma falácia.

Por outro lado, a ingénua reacção e falta de cepticismo em relação a um possível IPO anunciado via 'tweeter' por um mercado habituado a comunicações institucionais que normalmente são tomadas como fidedignas. É extremamente difícil prevenir uma subida inusitada em direcção aos imaginários 420 dólares pelo menos no imediato. O que inevitavelmente tem implicações reais nos investidores, tantos curtos como, a prazo, longos (muitos dos quais acabariam a reclamar sobre as atitudes do CEO, note-se). Uma evidência do poder do social media e em particular, da sua instrumentação na produção de Fake News.

O terceiro ponto de reflexão neste episódio terá que ver com a pressão exercida pela própria dinâmica do mercado sobre quem toma as decisões. Nomeadamente a necessidade de justificar a cotação e satisfazer os accionistas. Em lugar do core business potenciar a cotação e por arrasto, satisfazer os accionistas, é em larga medida a capitalização em bolsa que conduz o negócio e condiciona as decisões. Não tivesse a Tesla uma capitalização que rivaliza com a General Motors e não seria tão grande a pressão sobre o cumprimento das metas de produção e, possivelmente, nem tão pouco o tweet que chegou a ameaçar a posição de CEO a Musk, teria ocorrido. E quem diz a Tesla, diz outras.

JOGO DA BOLSA

5 de Novembro a 30 de Novembro

As classificações do Jogo da Bolsa 2018 são actualizadas diariamente. Em primeiro lugar, um Top é publicado no Negócios e às 14 horas a listagem total é publicada no Jornal de Negócios Online (www.negocios.pt). Para o efeito, todos os dias é retirada uma classificação provisória da Classificação Global, a Classificação Universitária e da Classificação Universo ISCTE Business School. Depois, todas as terças-feiras, é divulgado o vencedor semanal. Na primeira semana, o vencedor da classificação é quem ficar à frente na classificação global. Nas semanas seguintes, o vencedor da semana pode não corresponder ao líder do jogo. Saiba quais são os prémios desta edição do Jogo da Bolsa em http://jogodabolsa.jornaldenegocios.pt/