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José Miguel Júdice é o 36.º Mais Poderoso de 2019

Este ano completa 70 anos de vida e já anunciou que em 2020 deixará de ser sócio da PLMJ. Vai dedicar-se à sua paixão profissional dos últimos anos, a arbitragem. Continuará ligado à política, através dos seus comentários televisivos.

Alexandre Azevedo
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Se José Miguel Júdice decidisse quem consta da lista dos mais Poderosos da economia portuguesa, o seu nome ficaria de fora. Não se sente um poderoso, já por diversas vezes o afirmou. Contudo, a sua história de vida, o seu percurso profissional e a sua projeção mediática fazem com que seja uma figura incontornável no ranking anual dos mais poderosos de Portugal.

Em 2019, Júdice tem razões acrescidas para integrar esta lista. Primeiro, porque em julho recebeu o prestigiado prémio ‘Lifetime Achievement’ do diretório internacional especializado em advocacia ‘Chambers & Partners’, mas também devido às intervenções descomprometidas sobre a política e os políticos no espaço de opinião semanal que mantém, desde janeiro, na SIC Notícias. O que diz, no âmbito política, da justiça ou da economia, causa impacto e suscita respeito. O poder faz-se sentir também pela via da palavra.

Já anunciou que partir de 2020, então com 70 anos, deixará de estar formalmente ligado à sociedade de advogados de que foi fundador, a PLMJ. Vai passar a dedicar-se exclusivamente àquela que é hoje a sua paixão profissional: a arbitragem de litígios comerciais.

"É a consequência normal numa sociedade de pessoas. As sociedades de advogados, as maiores, mais tradicionais ou modernas, ao mesmo tempo, têm esta regra: chega-se a uma certa idade e os sócios vão-se embora. Não sendo de capital, os sócios não levam consigo ações nem vendem ações. Portanto, eu saio e trago o meu computador, os meus livros e o que aprendi em 40 anos", explicou Júdice, numa entrevista à revista Advocatus.

Embora esteja desde há muito afastado da liderança da sociedade a que também empresta o nome, sempre que no espaço público se fala do escritório de advogados PLMJ, fala-se da "sociedade de Júdice". Algo que, já confessou por inúmeras vezes, lhe causa incómodo, por entender que não pode responder por tudo o que marca o dia-a-dia de uma organização que tem hoje a liderança de outro profissional - Luís Pais Antunes - e que, pese embora as saídas recentes de alguns sócios de peso, mantém quase 300 advogados e mais 120 funcionários.


Os poderes de José Miguel Júdice
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Nos cinco critérios do Negócios para analisar o poder, veja porque ficou José Miguel Júdice na 36ª posição na lista dos Mais Poderosos de 2019.

Verdade seja dita, José Miguel Júdice apenas dá a primeira letra do seu apelido (J) à PLMJ - o homem que o levou para a advocacia, o falecido António Maria Pereira (P), e os seus sócios Luís Sáragga Leal (L) e Francisco de Oliveira Martins (M) completam a sigla da sociedade. Contudo, o escritório a que dá a primeira letra do seu apelido tornou-se incontornável quando falamos do mundo da advocacia e dos negócios em Portugal, mas não só.

Em defesa da sua dama, recusa, contudo, que o peso das firmas de advocacia, como a sua ou as outras duas concorrentes diretas de maior dimensão - Morais Leitão e Vieira de Almeida - sejam vistas como centros de disputa do poder financeiro e económico.

"Ficaria estupefacto se algum destes três escritórios tivesse alguma vez feito alguma coisa de estigmatizante. Ficaria com um grande desgosto. Ponho as mãos no fogo por eles. Lutam e tentam obter clientes? Claro", afirmou Júdice em entrevista recente ao ‘Expresso’.

O Marcelo Rebelo de Sousa foi um bom presidente-rei. Quando tiver de ser bom Presidente da República não sei se vai conseguir.

A corrupção sempre existiu. Via-se menos.

José Miguel Júdice
Advogado e comentador político em entrevista ao Expresso a 20 de julho de 2019

Hoje continua a ser uma figura com grande notoriedade pública. Uma notoriedade que conquistou ao longo da vida, quer enquanto advogado, quer bastonário da Ordem dos Advogados - entre 2002 e 2004 - quer por via das suas ligações à política, às empresas e aos negócios.

No campo da política, no pós-25 de Abril, andou pelas franjas mais à direita do espetro partidário; depois, no centro-direita, com a adesão, nos anos de 1980, ao PSD. Foi aí que se cruzou e ganhou amizade como atual Presidente da República. Em 2006, contudo, deixou o partido. No ano a seguir, viria a tornar-se mandatário de António Costa na candidatura do atual primeiro-ministro à câmara de Lisboa, a quem hoje não poupa críticas, se achar necessário.

José Miguel Júdice em sessão fotográfica para a Sábado junto ao rio Tejo.
José Miguel Júdice em sessão fotográfica para a Sábado junto ao rio Tejo. Alexandre Azevedo

Hoje em dia está afastado da atividade partidária, mas não esquece a vida política, nem deixa de reconhecer a capacidade de quem está ideologicamente nos antípodas do que defende. "Sempre tive admiração por eles. [Pela] lógica de combate frontal" do Partido Comunista.

É por gostar de política sem estar dentro da atividade partidária que se tem mantido, com regularidade nos ecrãs televisivos. Deixou a TVI24 em finais de 2018, para no início deste ano dar continuidade ao gosto pelo comentário político. Esse é um gosto que vem de longe. Foi colunista no jornal Semanário e repetiu a função no diário Público.

Não se sente um poderoso, já por diversas vezes o afirmou. Contudo, a sua história de vida, o seu percurso profissional e a sua projeção mediática fazem com que seja uma figura incontornável no ranking anual do Negócios. Quer queira quer não queira, é percecionado como um dos rostos do poder no nosso país.


Sete vezes na lista dos poderosos
Evolução da presença de José Miguel Júdice no ranking dos mais poderosos

Em 10 anos da iniciativa os mais Poderosos da economia portuguesa, José Miguel Júdice esteve presente por sete vezes. Este ano recupera posições, ao aparecer como no 36.º posto, muito por força da sua visibilidade como comentador político.