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José Neves é o 50.º Mais Poderoso de 2019

É o fundador e líder da primeira empresa unicórnio de base portuguesa. E um dos gestores mais influentes do mundo da moda. Um poder que poderá ser alargado a outros campos depois de ter entrado para a lista de amigos do Facebook para lançar a Libra.

Chris Ratcliffe/Bloomberg
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Desde cedo que José Neves sabia o que queria ser: empreendedor. Uma missão que concretizou, em parte, devido à sua teimosia, uma das características apontadas por quem o conhece. Um trajeto que contou com altos e baixos mas acabou por ganhar contornos mitológicos. Hoje, o fundador da Farfetch, o primeiro unicórnio português, é um dos gestores mais influentes do mundo da moda e um dos homens mais ricos de Portugal, segundo a lista da Forbes. E é um dos aliados do Facebook para a Libra: a criptomoeda que promete revolucionar o mercado.

Começou a programar aos oito anos, quando os pais lhe ofereceram um computador ZX Spectrum. Uma paixão que sempre manteve acesa. Criou a sua primeira empresa aos 19 anos: a Grey Matter, uma loja de software que contou com empresas do setor do calçado como primeiros clientes. O que não foi por acaso. As ligações familiares, da parte do avô e do pai, a este setor incentivaram os contactos. Dois anos mais tarde, aos 21, decidiu lançar a sua própria marca de calçado, tendo sido ele próprio a desenhar não só a insígnia Swear, como também alguns dos modelos. É aqui que começa a paixão pela moda. E, talvez, a preferência por sapatos em vez de ténis.

Foi também por esta altura que o empresário natural de Guimarães decidiu concretizar um outro sonho: viver no estrangeiro. Fez as malas e mudou-se para Londres, onde ainda vive com a sua família, continuando a realizar viagens frequentes ao Norte do país.

É neste quadro, numa das viagens a uma feira de calçado, que José Neves tem a ideia que viria a resultar numa empresa de mil milhões de euros: reunir numa plataforma digital boutiques e criadores da indústria do luxo. O problema? Estávamos em 2008 em plena crise financeira. Mas a sua famosa teimosia fez com que não baixasse os braços quando todos os bancos lhe fecharam a porta. "Em 10 anos já fiz 10 rondas de investimento. Mas entre 2008 e 2010 não fiz rondas de investimento. Tivemos momentos muito difíceis", reconheceu José Neves no ano passado, na apresentação da parceria com a marca de luxo Burberry.



Os poderes de José Neves
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Nos cinco critérios do Negócios para analisar o poder, veja porque ficou José Neves na 50ª posição na lista dos Mais Poderosos de 2019.
Todos estes "nãos" ainda deram mais força a José Neves. "Normalmente, os ‘nãos’ são a prova de que a nossa ideia rompe com o estabelecido. Quando as coisas são realmente inovadoras, suscitam resistência ou ceticismo", disse numa entrevista ao Observador. Sete anos depois, em 2015, a Farfetch viria a concluir uma ronda de investimento que superou os mil milhões de dólares tornando-se no primeiro unicórnio de base portuguesa, aquando da entrada da DST Global para o capital da empresa que tem sede em Londres.

Quem convive com ele destaca que é uma pessoa bastante ativa. Costuma começar o dia bem cedo, por volta das 6h30, com meditação. O desporto faz parte da rotina de José Neves que gosta de correr no parque. Se não for possível correr, gosta de fazer sempre algum tipo de exercício, seja ioga ou ginásio, pelo menos uma hora por dia.

O CEO tem a profissão mais solidária do mundo.

José Neves
Visão em novembro de 2016

Se conseguimos atingir o sucesso sem falhar? Isso é impossível.

Seremos lucrativos quando quisermos. Não estou nada preocupado.

José Neves
Observador em 2018 e 2019
E quando é que acaba o dia? Depende. Há dias em que há jantares de negócio, conferências, e só termino 16 ou 18 horas depois de me ter levantado", contou ao Observador.

O patrão discreto

Apesar de ter sede em Londres, é em Portugal, na zona do Porto, que a Farfetch concentra o maior escritório. Tendo ainda presença em Guimarães, Lisboa e Braga. Uma aposta que José Neves não quer inverter, e que acaba por dar ainda mais incentivo aos jovens portugueses que o têm como exemplo e aspiram seguir as suas pisadas, como explicaram ao Negócios pessoas ligadas ao ecossistema nacional de start-ups. Isto apesar de a sua presença em eventos do setor em Portugal ser rara.

Apesar de discreto, e de serem poucas as vezes que aceita dar entrevistas, não sendo, por isso, conhecidos muitos pormenores da sua vida, José Neves tem sido notícia um pouco por todo o mundo. Principalmente depois de ter levado a Farfetch para a bolsa de Nova Iorque, em 2018.


A Farfetch entrou para a bolsa em setembro de 2018. Os títulos estrearam-se na praça de Nova Iorque a valer 20 dólares, tendo fechado a sessão nesse dia com uma valorização de 41,75%. Este ano está a subir 22%
A Farfetch entrou para a bolsa em setembro de 2018. Os títulos estrearam-se na praça de Nova Iorque a valer 20 dólares, tendo fechado a sessão nesse dia com uma valorização de 41,75%. Este ano está a subir 22% Brendan McDermid/Reuters
Este mediatismo ganhou recentemente novas proporções com o anúncio do lançamento da criptomoeda promovida pelo gigante Facebook. Isto porque a Farfetch integra a lista de fundadores da Libra que promete alterar o paradigma do sistema de pagamentos a nível mundial.

Mas nem sempre se é notícia pelos melhores motivos. E José Neves começa agora a perceber isso. Ainda este mês, o The Times noticiou que a Condé Nast saiu do capital da Farfetch por causa dos receios quanto à forma como a empresa está a ser gerida pelo português. Aliás, o facto de a Farfecth ser um empresa muito jovem, faz com que José Neves ainda não tenha uma lista maior de inimigos, como apontaram as mesmas pessoas do setor ouvidas pelo Negócios. E o lançamento da Libra, envolto em polémicas regulatórias e de privacidade de dados, pode vir a dar uma ajudar.

A chegada ao poder
Evolução de José Neves na lista dos Mais Poderosos

O fundador da Farfetch, primeiro unicórnio português, surge pela primeira vez na lista dos poderosos dos Negócios após a entrada em bolsa da empresa em setembro do ano passado, três anos depois de ter superado a fasquia dos mil milhões de euros.