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Luís Marques Mendes é o 21.º mais poderoso da economia

Luís Marques Mendes, Advogado, comentador político, é o 21.º mais poderoso da economia

Luís Marques Mendes é o 21.º Mais Poderoso 2015
Desde há um ano, especialmente desde que anunciou na SIC, em primeira mão, a decisão do Banco de Portugal sobre a “resolução” do
BES, os seus comentários tornaram-se uma referência para a vida política portuguesa. Além disso, a sua exposição televisiva tornou-o ainda uma figura mais incontornável no intenso mundo das assessorias de diferentes negócios realizados em Portugal.
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Desde há um ano, especialmente desde que anunciou na SIC, em primeira mão, a decisão do Banco de Portugal sobre a "resolução" do BES, os seus comentários tornaram-se uma referência para a vida política portuguesa. Além disso, a sua exposição televisiva tornou-o ainda uma figura mais incontornável no intenso mundo das assessorias de diferentes negócios realizados em Portugal.


Bilhete de identidade
Luís Marques Mendes, 57 anos

Cargo: Advogado, comentador político
Naturalidade: Azurém, Guimarães
Formação: Licenciado em Direito pela Universidade de Coimbra
A marca de 2015: As notícias que pautam os comentários ao sábado na SIC. A sua importância como consultor


Luís Marques Mendes divide-se entre vários palcos: o da política (é conselheiro de Estado), o do comentário televisivo e o dos negócios e consultoria. É um homem dos mil instrumentos, o que lhe permite ocupar um lugar central no poder em Portugal.

Poderia ser um jogador de xadrez. Como o grande mestre cubano José Raúl Capablanca poderia dizer: "Quando vêem uma posição (das peças), perguntam-se o que poderá acontecer, o que sucederá. Eu sei." Sabendo, Marques Mendes pode mover as suas pedras, antecipando os acontecimentos. Aconteceu isso várias vezes na SIC, no seu espaço de comentário político, onde antecipou decisões do Governo, como o da "resolução" no BES.

Alguns poderão chamar-lhe gosto pela notícia. Outros, domínio do tabuleiro onde se joga o xadrez das decisões. Nada de novo em alguém que, ainda muito novo, já era um dos "jovens turcos" da política portuguesa. Ainda não tinha 30 anos e já era secretário de Estado da Comunicação Social no primeiro governo de Cavaco Silva. A Anabela Mota Ribeiro chegou a confessar: "Os seus colegas jornalistas adoraram-me. Em matéria de comunicação social era um consumidor de jornais, da imprensa, não era nenhum especialista na matéria." Mas fez-se.

Cresceu num mundo onde a política se servia à refeição. O pai, o advogado António Marques Mendes (já falecido), esteve envolvido na criação do PPD com Sá Carneiro, Pinto Balsemão, Mota Pinto ou Barbosa de Melo. Luís nunca saiu deste sistema solar. Formou-se em Direito na Universidade de Coimbra e, claro, tornou-se militante do PPD. No período de ouro do cavaquismo foi ascendendo até ao coração do poder político: em 1987 torna-se secretário de Estado da Presidência do Conselho de Ministros. Depois ministro adjunto do PM. E a seguir ministro dos Assuntos Parlamentares. Continua a subir. Em 2005, torna-se presidente do PSD, derrotando Luís Filipe Menezes (que, curiosamente, viria a suceder-lhe no cargo em 2007). E lidera a oposição, no Parlamento, ao Governo do PS.

Gradualmente vai-se afastando da vida política activa. Antes já fora o presidente da direcção da proprietária da Universidade Atlântica, em Oeiras, numa altura em que Isaltino de Morais (então um "autarca modelo" do PSD) a dirigia. Os caminhos entre os dois homens, então próximos, viriam a divergir mais tarde.

As suas actividades empresariais vão-se expandindo depois de deixar a direcção do PSD, sendo administrador de várias empresas, algumas das quais lhe acabaram por causar danos colaterais, como a JMF (abrangida pelas investigações aos vistos "gold" e que tinha como sócios, entre outros, Marques Mendes e Miguel Macedo, o ministro que se viria a demitir no meio das investigações ao caso). Marques Mendes, na SIC, viria a dizer que nunca tinha ido a reuniões, nem tomado decisões ou auferido rendimento da JMF. As suas actividades parecem hoje mais direccionadas para aconselhamento e consultoria de empresários ou empresas activas nos negócios. Hoje é consultor de uma das mais importantes sociedades de advogados, a Abreu & Associados.

Foi aliás um "peso pesado" da gorada candidatura de Germán Eframovich à privatização da TAP (que seria ganha por Humberto Pedrosa e David Neeleman, assessorados por outro advogado poderoso nesta área, António Vitorino). Essa derrota motivou mesmo um ataque de Marques Mendes a António Pires de Lima e Sérgio Monteiro, considerando os dois uns "pândegos", por considerarem que o PS poderia vir a pôr em causa a privatização. Foi um dos momentos em que Marques Mendes foi mais forte nas críticas ao Governo, tal como quando considerou uma "vassalagem" a ida de Maria Luís Albuquerque à Alemanha para estar junto do ministro das Finanças alemão na altura crítica da crise grega. Dizendo mesmo: "Quem não se dá ao respeito, não é respeitado."

Seja como for a presença no pequeno ecrã permite a Marques Mendes ser hoje um dos políticos/comentadores mais poderosos em Portugal. Com o peso que isso tem nas outras actividades profissionais.