Mais Invented in Portugal em vez de Made in Portugal

Os desafios destes dois sectores do têxtil, vestuário e calçado serviram de mote para a intervenção de Carlos Oliveira, presidente da InvestBraga.
Mais Invented in Portugal em vez de Made in Portugal
Para Carlos Oliveira a ligação das empresas ao saber tem de ser a longo prazo.
Simão Freitas
Filipe S. Fernandes 22 de fevereiro de 2018 às 12:50
O aumento de produtividade passa pela venda de produtos e serviços a preços mais elevados, para assim aumentar o valor acrescentado bruto e subir na cadeia de valor. "Isso só acontece se tivermos produtos mais inovadores que respondem melhor aos nossos clientes e lhes tragam mais-valias. A produtividade não vem de mais de horas de trabalho mas do talento", sintetizou Carlos Oliveira.

Segundo Carlos Oliveira um dos tópicos-chave de desenvolvimento é a aposta na requalificação dos recursos humanos. Há um grande número de sectores necessitados e existe um número ainda relevante de desempregados cujas competências não encaixam nas necessidades dos investidores e empregadores. Neste aspecto, Carlos Oliveira referiu a necessidade de política pública imediata e a médio e longo prazo nos aspectos relacionadas com a educação e a qualificação, "por exemplo, as universidades deixaram de produzir engenheiros têxteis por causa da crise. Hoje são necessários. Mas as indústrias também têm de se tornar mais atractivas e pagar melhores salários", referiu.

O aumento de produtividade passa pela venda de produtos e serviços a preços mais elevados, aumentanto o valor acrescentado bruto.  Carlos Oliveira
Presidente da InvestBraga

Sem recursos humanos qualificados e adaptados às necessidades das empresas, estas terão muitas dificuldades em subir na cadeia de valor e vender mais caro, e mais dificuldade em aumentar as exportações.

Nos desafios incluiu a continuação da subida na cadeia de valor ,pois é esta que permite aumentar a produtividade através do preço. Depois de ganhar escala no contexto internacional, "não devemos ter receios de consolidações para se competir com mais escala a nível internacional porque já se percebeu que a micro-escala não serve para um crescimento acelerado a nível internacional".

Financiamento e capitalização

Este aspecto das fusões e aquisições torna importante o financiamento e o desafio da capitalização. Além do crédito bancário, que deve servir para o cash flow e working capital das empresas, há o problema da capitalização. Esta implica outro tipo de instrumentos que são mais fundamentais, sejam instrumentos de capitalização ou recapitalização, como o private equity, mezannine, ou a entrada de parceiros estratégicos para o capital.

Carlos Oliveira, presidente da InvestBraga, referiu a importância da inovação, da investigação e estas não se cingem só aos produtos e serviços mas também aos procedimentos, processos, marketing na forma como se vende e como se apresenta o produto. Tanto mais que se está a passar das empresas produtoras para empresas que acrescentam serviço e mais valor à cadeia e aos seus clientes. Defendeu a ligação às universidades em projectos de longo prazo para que cada vez mais seja "invented in Portugal, em vez de Made in Portugal".