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Mário Centeno é o 4.º Mais Poderoso de 2017

Mário Centeno alcança este ano a segunda posição mais elevada de sempre para um ministro das Finanças. Salta de 16.º para 4.º mais poderoso da economia portuguesa. Ao longo dos últimos meses, Centeno ultrapassou grande parte dos obstáculos com os quais se deparou - a saída do PDE é o maior destaque -, sobreviveu à polémica CGD, manteve o equilíbrio Bruxelas vs. partidos de esquerda e chega a 2016 com uma economia em aceleração e contas públicas controladas. É o ministro mais popular do Governo.

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Porque sobe

De potencial remodelável a intocável. Enquanto ministro das Finanças, Mário Centeno seria sempre muito poderoso, mas a aceleração da economia, a descida do desemprego, o cumprimento das metas de défice e consequente saída do PDE colocam-no num patamar superior ao do ano passado. Fora de portas, esta mudança de percepção é bastante clara, com declarações elogiosas de governantes, como Wolfgang Schäuble, e especulação sobre uma futura presidência do Eurogrupo. A sua reputação sobe em paralelo com a de Portugal. Falta arrastar consigo o rating.

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Por melhor que seja um treinador de futebol, ele será sempre tão apreciado quanto os resultados conseguidos em campo. Mário Centeno é um bom exemplo dessa forma de ver as coisas. Num só ano passou de elo político frágil do Governo para "Ronaldo do Ecofin". É possível que ambas as descrições sejam exageradas. O ministro das Finanças talvez nem tenha mudado muito, mas a percepção que existe sobre ele é hoje muito diferente. O resultado é um salto no ranking dos mais poderosos da economia, de 16.º para 4.º. Entre os ministros das Finanças, só Vítor Gaspar acumulou mais poder.

Há um ano, a imprensa destacava as gaffes de Centeno, as contradições com o discurso de António Costa e as dificuldades em gerir a tensão entre a relação com Bruxelas e as negociações com o PCP e o Bloco de Esquerda. Por esta altura no ano passado a execução orçamental parecia correr bem, mas havia muitas dúvidas sobre o cumprimento da meta de 2,5% ("aritmeticamente não é possível", dizia em Setembro Maria Luís Albuquerque). A economia dava sinais preocupantes, tendo crescido abaixo de 1% na primeira metade do ano, sem perspectivas de aceleração no horizonte. A banca suscitava ainda muitas preocupações, não existindo solução para a recapitalização da Caixa Geral de Depósitos (e ainda aí viria a polémica com os SMS trocados com António Domingues). Da varanda do Terreiro do Paço, Centeno via um céu coberto por nuvens bastante negras.


O ministro das Finanças ultrapassou a tormenta. Dobrou o cabo das sanções económicas, a economia acelerou vários nós e cresce ao ritmo mais rápido em 17 anos, o desemprego continua a afundar e o défice chegou a bom porto, batendo as previsões do Governo e permitindo a Portugal sair do Procedimento dos Défices Excessivos (PDE). Talvez mais importante, as amarras das negociações não romperam. Nem do lado dos partidos de esquerda, nem do lado da Europa.

Pelo caminho, Centeno ganhou capital político e poder. Está mais confiante e agressivo nos debates e, como as coisas estão a correr bem, o PS parece mais disposto em sair em sua defesa, apesar das desconfianças iniciais (excessivamente liberal para uns, demasiado susceptível a gaffes para outros). A utilização mais intensiva de cativações centralizou ainda mais poder num ministério já com grande ascendente sobre os outros, embora aumente a discricionariedade das decisões orçamentais e diminua a transparência das mesmas.

Centeno colhe os louros das conquistas - afinal, ele é ministro das Finanças -, mas também beneficiou de mudanças às quais é alheio. Houve uma melhoria da conjuntura internacional, a Comissão Europeia tem-se mostrado muito mais flexível e poucos esperariam que BE e PCP assinassem por baixo do maior excedente primário da Zona Euro.

Esta decisão [saída do PDE] é um momento de viragem na medida em que expressa a avaliação da UE de que o défice excessivo de Portugal foi corrigido de forma sustentável.

Admito que possa não ter afastado do entendimento do senhor António Domingues que o acordo poderia retirar o dever de apresentação das declarações.

Estamos a desenhar uma medida que vai ao encontro de uma necessidade de alívio fiscal nesse intervalo de rendimentos [2.º escalão de IRS].

A folga a existir tem de ser para criar melhores condições nestas dimensões [de financiamento da economia] ou seja, nós não podemos pôr em causa as nossas metas. 
Mário Centeno
Ministro das Finanças de Portugal

Mário Centeno é, de longe, o ministro mais popular do Governo e, ao contrário do passado recente, não está entre os mais impopulares. Em Julho do ano passado, 15% dos inquiridos numa sondagem da Aximage dizia que Centeno era o melhor ministro e quase 11% achavam que era o pior. Um ano depois, a percentagem de pessoas que o considera o melhor membro do Executivo duplicou (é agora 29%), enquanto os que o vêem como o pior caíram bastante (2,7%).

Este movimento é explicado, em parte, pela viragem da atenção mediática para crises graves sob a alçada de outros dois ministros. Depois do flagelo dos incêndios e do roubo de armas em Tancos, Constança Urbano de Sousa e Azeredo Lopes são os ministros mais impopulares.

Mário Centeno está a seguir a trajectória de outros ministros das Finanças. Maria Luís Albuquerque, por exemplo, entrou neste ranking em 19.º lugar, subiu ligeiramente para 17.º no ano seguinte e em 2015 saltou para 6.ª mais poderosa. Vítor Gaspar também subiu de 5.º para 2º. Teixeira dos Santos só esteve um ano no ranking, em 9.º lugar. Ou seja, depois de ter entrado nos mais poderosos com a terceira posição mais baixa para um ministro das Finanças, Centeno alcança este ano a segunda mais alta.
Cerca de um ano depois de Portugal conquistar o Europeu de futebol, o país conseguiu finalmente sair do Procedimento dos Défices Excessivos.
Cerca de um ano depois de Portugal conquistar o Europeu de futebol, o país conseguiu finalmente sair do Procedimento dos Défices Excessivos. Jasper Juinen/Bloomberg
Em retrospectiva, este Governo beneficiou de expectativas baixas na primeira metade do mandato. O mesmo se pode dizer de Centeno. Daqui para a frente, a barra será colocada alguns centímetros acima. É necessário garantir que este crescimento é sustentável, que a dívida pública começa a descer e o rating a subir. Ao mesmo tempo, os acordos assinados com os partidos à esquerda estão a esgotar-se e BE e PCP mostram-se cada vez mais exigentes, pedindo mais medidas de apoio aos rendimentos. Obstáculos que terão de ser superados sem Fernando Rocha Andrade, que tinha o perfil mais político da equipa das Finanças.

No Governo anterior, uma das principais garantias do poder de Vítor Gaspar era a influência que tinha nas instituições internacionais. Mário Centeno - o "Ronaldo do Ecofin", nas palavras de Wolfgang Schäuble - goza hoje de uma reputação internacional em crescendo. De tal forma, que se sente confortável para alimentar publicamente a possibilidade de ser escolhido como presidente do Eurogrupo. No entanto, até Ronaldo falha golos isolado. Mesmo depois de ter fintado meia equipa.

Bilhete de identidade

 Cargo: Ministro das Finanças
 Naturalidade: Nasceu em Olhão em 1966
 Formação: Licenciatura em Economia pelo ISEG em 1990, mestrado em Matemática Aplicada pelo ISEG (1993) e em Economia em Harvard (1998). Em 2000, terminaria o doutoramento em Economia, também em Harvard.



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