Outros sites Cofina
Notícia

Miguel Almeida é o 50.º mais poderoso da economia

Miguel Almeida, presidente executivo da Nos, é o 50.º mais poderoso da economia

Miguel Almeida é o 50.º Mais Poderoso 2015
Entrou para os 50 mais poderosos em 2014 ao assumir a liderança da Nos. A empresa que resultou da fusão entre a Zon e a Optimus criou expectativas de desafiar a liderança da PT. Os meses de fragilidade da PT reforçaram a expectativa de ver Miguel Almeida a assumir uma estratégia mais agressiva de conquista de mercado. Mas acabou por aproveitar menos do que se esperava. A entrada de novos poderosos força ainda mais a perda de poder relativo de Miguel Almeida.
  • Assine já 1€/1 mês
  • ...


Porque desce

Entrou para os 50 mais poderosos em 2014 ao assumir a liderança da Nos. A empresa que resultou da fusão entre a Zon e a Optimus criou expectativas de desafiar a liderança da PT. Os meses de fragilidade da PT reforçaram a expectativa de ver Miguel Almeida a assumir uma estratégia mais agressiva de conquista de mercado. Mas acabou por aproveitar menos do que se esperava. A entrada de novos poderosos reforça ainda mais a perda de poder relativo de Miguel Almeida.


Bilhete de identidade
Miguel Almeida, 48 anos

Cargo: Presidente executivo da Nos
Naturalidade: Nasceu no Porto em 1967
Estado civil: Casado
Formação: Licenciatura em Engenharia Mecânica pela Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto e MBA no INSEAD
A marca de 2015: Depois da fusão e da criação da marca única, a Nos conseguiu impor-se como novo operador, mantendo as metas projectadas e conseguindo, até ver, as sinergias prometidas e entregou dividendos.


Pelos altifalantes do Estádio da Luz o nome de Miguel Almeida foi bem audível. O presidente da Nos tinha de entregar o troféu de campeão ao Benfica. Sinais dos tempos. Portista dos quatro costados, Miguel Almeida não podia deixar a tarefa para outro. Afinal, a Nos é a principal patrocinadora da Liga Portuguesa de Futebol. O mesmo é dizer que o campeonato tem patrocinador porque a Nos manteve o apoio, depois de ter ameaçado sair.

Essa foi apenas uma das estratégias da Nos para aumentar a notoriedade e o reconhecimento de uma marca que tem pouco mais de um ano. A Nos foi apresentada em Maio de 2014, para reforçar a ideia de que Zon e Optimus agora eram uma única empresa. Todo o ano de 2014 foi levado a promover a nova marca. Miguel Almeida é o rosto dessa nova marca que, como referiu na apresentação, é mais do que isso: é um novo operador.

Um novo operador que teve este ano a oportunidade ideal para conquistar mercado. O principal concorrente esteve envolvido num processo de fusão que acabou em venda, agitando as hostes em Picoas. A Nos tentou aproveitar o momento, mas nem sempre o conseguiu. A Vodafone acabou por conseguir maiores ganhos de quota. A empresa liderada por Miguel Almeida tem sustentado que não vai crescer a qualquer custo e, por isso, assume que a rentabilidade é uma das suas preocupações. Ainda assim, conseguiu subir, nos últimos quatro trimestres (desde que a marca foi lançada), para 35,4% nos acessos fixos. E nos móveis o crescimento foi de quase quatro pontos percentuais. O reverso da medalha é a queda na quota de serviço de televisão.

Na primeira apresentação de resultados anuais, já este ano, como Nos, Miguel Almeida defendeu que a fusão tinha sido um sucesso e que as sinergias prometidas aos accionistas estavam a ser entregues. Mas acrescentou que não estava a olhar só para os custos. Estava a pensar e a executar também crescimento. E assegurou que a empresa tinha criado 1.500 empregos. Tem a preocupação dos accionistas e, por isso, entregou-lhes dividendos. Foi também essa a marca de 2015. Caiu na lista dos poderosos, mas ainda por mérito de outros. O seu "low profile" pode, também, não o ajudar a surgir no pedestal. Mas não é isso que procura. "Há heróis no desporto individual, agora nas empresas com 100, dois mil ou 20 mil trabalhadores não é possível existir um herói. Quando muito, há alguém que consegue mobilizar pessoas, partilhar uma visão, gerir talentos. Há alguma responsabilidade de gestão, mas heróis não há, o que há são equipas", declarou em Dezembro à Exame. O caso da PT e a queda de Zeinal Bava e Henrique Granadeiro estava fresco.

Miguel Almeida gere mais de duas mil pessoas. Apesar das críticas que sempre lhe fez, não esconde a ambição de se tornar a nova PT. Já tem o serviço universal (que obriga a levar comunicações a todo o país) sob sua alçada, já conquistou grandes clientes, nomeadamente na banca, à rival. Mas vai falando em ser diferente a nível de gestão. Não quer prémios. "Os recursos da empresa não são meus, são dos accionistas, não os vou usar a promover-me. O meu tempo é o da empresa, não vou usá-lo a promover a marca Miguel Almeida." Por isso mesmo não se importou de entregar a taça ao Benfica. Afinal, era em nome da empresa.