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Miguel Relvas é o 22.º mais poderoso da economia

Miguel Relvas, Gestor, facilitador de negócios, é o 22.º mais poderoso da economia

Miguel Relvas é o 22.º Mais Poderoso 2015
É uma reentrada. Já esteve no “top 10” dos poderosos, em 2012. Uma licenciatura de validade discutível e uma demissão do Governo
foram insuficientes para atirarem de vez Miguel Relvas da lista das personalidades com poder na economia portuguesa. O lançamento do livro “O Outro Lado da Governação” foi um exemplo do seu poder de rede. Muitos dos “Poderosos Negócios” estiveram lá. Com a apresentação do ex-presidente da Comissão Europeia, José Manuel Durão Barroso.
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É uma reentrada. Já esteve no "top 10" dos poderosos, em 2012. Uma licenciatura de validade discutível e uma demissão do Governo foram insuficientes para atirarem de vez Miguel Relvas da lista das personalidades com poder na economia portuguesa. O lançamento do livro "O Outro Lado da Governação" foi um exemplo do seu poder de rede. Muitos dos "Poderosos Negócios" estiveram lá. Com a apresentação do ex-presidente da Comissão Europeia, José Manuel Durão Barroso.


Bilhete de identidade
Miguel Relvas, 53 anos

Cargo: Gestor, facilitador de negócios
Outras funções relevantes: Ex-ministro dos Assuntos Parlamentares, presidente do Conselho Nacional do PSD
Naturalidade: Lisboa
Estado civil: Casado
Formação: Licenciatura em Ciência Política e Relações Internacionais pela Universidade Lusófona, em disputa judicial
A marca de 2015: "O Outro Lado da Governação" veio lembrar que não saiu dos radares do poder


Uma página de jornal é curta, muito curta, para acomodar a larga teia de amizades e alianças que Miguel Relvas foi tecendo ao longo dos anos, tal como não houve sala de hotel de luxo espaçosa o suficiente para receber confortavelmente todos quantos quiserem marcar presença no lançamento do livro do ex-ministro sobre "O Outro Lado da Governação". Dois anos e meio depois de ter sido humilhado um pouco por todo o País, de se ter visto desamparado no Governo e de ter abandonado a vida política por falta de "força anímica", Miguel Relvas regressou de cabeça erguida e com uma demonstração do poder de influência que continua a ter.

Depois de ter abandonado funções governativas, o ex-ministro continuou a tirar partido daquilo que sempre foi o seu maior activo: a capacidade de mover influências, fazendo uso da sua vastíssima agenda de contactos, o seu mais valioso instrumento de trabalho. No sector privado acumulou fortuna pessoal como facilitador, ou, como ele lhe prefere chamar, na consultoria estratégica.

Continua a não revelar para quem trabalha, excepto naquilo que é público. Em entrevista recente ao Expresso enumera que é "'senior adviser' para toda a América e para África" da Roland Berger, colabora com um fundo internacional na área financeira de reestruturação e de empresas e tem sociedades suas em Moçambique, no Brasil e em Portugal. Mas a Visão coloca-o também em Macau, na China, no México e no Uruguai, nalguns casos lado a lado com José Maria Aznar, agora líder da Fundação para a Análise de Estudos Sociais (uma fundação do Partido Popular) e prefaciador do livro que criou o pretexto para a sua reaparição pública.

Se mantém segredo das portas que vai abrindo nos inúmeros voos transatlânticos, Relvas já faz questão de desmentir os proveitos que lhe atribuem, alegadamente sem fundamento. Com o antigo braço-direito de Lula da Silva, José Dirceu, por exemplo, que é dado como um dos seus (vários) contactos directos no Brasil, garante ter mantido relações no estrito plano político. Do mesmo modo, a mãozinha que se escreveu que terá dado a Efromovich na privatização da TAP arruma-a numa tradição que diz imperar na sociedade portuguesa, onde "as versões pesam mais do que os factos".

No regresso programado à cena mediática, garante que não quer voltar à política (recusou o convite para integrar as listas de deputados à Assembleia da República), nem fazer ajustes de contas. Mas quer limpar a imagem cabisbaixa com que foi empurrado para fora de palco e que lhe reconheçam o seu espaço.

As personalidades da política, do meio empresarial, da banca e do futebol que afluíram em massa ao lançamento do seu livro, mesmo quando não morrem de amores pelo ex-ministro, são um sinal inequívoco de que está muito longe de ser uma carta fora do baralho. Já para restaurar a credibilidade pública em torno do seu nome é preciso percorrer um caminho mais longo. Talvez por isso, aquele que em 2011 o Negócios descreveu como "o Armando Vara de Passos Coelho" faça agora questão de se demarcar de percursos análogos ao seu, e que em Portugal estão sob investigação, ao ter deixado no Expresso um desafio a todos quantos suspeitam da forma como tem gerido a sua carreira: "O que me faria ter vergonha era se aparecesse um processo de corrupção com o meu nome."