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"É como se estivéssemos no espaço", avisa Ana Paula Gajeiro, responsável pelas áreas de regulação e formação da Hikma, à entrada da fábrica de produção de injectáveis líquidos em Terrugem, Sintra. Uns passos mais à frente, logo na primeira divisão da fábrica envidraçada, totalmente fechada e esterilizada estão dois trabalhares do grupo de origem jordana com fatos como os dos astronautas. Certificam-se que os medicamentos estão aptos para serem administrados em milhões e milhões de utentes.

Todas as divisões da fábrica têm "janelas abertas [envidraçadas] para se conseguir ver todo o processo de produção", sublinha a responsável.

Ao lado desta sala "estéril", está a linha mais antiga da fábrica, que data de 1994. Trata-se da capsuladora. Um processo que decorre depois dos frascos e ampolas serem lavados, noutra linha. Como aqui "todos os cuidados são poucos", depois desta lavagem, passam para um género de túnel "que esteriliza" os produtos, detalha Ana Paula Gajeiro, para depois seguirem para a linha de enchimento. No caso das ampolas, são fechadas com uma chama a mais de 800 graus", acrescenta.

Controlo apertado

Depois da lavagem, esterilização e enchimento, o processo comum para todo o tipo de medicamentos independentemente da terapêutica, são capsulados, rotulados e embalados. E também aqui há reforço no controlo, quer de máquinas quer com  ‘dedo’ humano.

Uma das áreas de inspecção da qualidade dos medicamento é feita de forma automática por uma máquina, denominada Pinhole, que ao rodar os frascos detecta se existem microfissuras e "se as minhas ampolas estão íntegras", relata Ana Paula Gajeiro.

Os injectáveis que passam neste teste seguem para as linhas de embalagem. Os outros, onde é detectado algum tipo de efeito, são postos automaticamente à parte.

Ao longo dos corredores brancos da unidade fabril da farmacêutica, que produz, antibióticos, anestésicos, analgésicos ou cardiovasculares, há trabalhadores que também têm a missão de verificar se os produtos estão "íntegros", fazendo análises a várias amostras.

A Hikma t em ainda vários laboratórios de controle de qualidade. Até porque, como explica Ana Paula Gajeiro, " a indústria farmacêutica é das mais regulamentas". E, além disso, "o treino é constante. Os trabalhadores têm formações constantes", conta a responsável pelas áreas de regulação e formação.

Depois dos produtos terem passado por todos estes processos, vão para o armazém que tem capacidade para 2.400 paletes.

A fábrica produz medicamentos para o mercado nacional, mas também para mais de 12 mercados externos, produzindo por isso milhares de produtos diariamente.

Novos investimentos

Em Portugal, a Hikma vende 4% do total que produz. No ano passado o grupo  fundado em  1978, na Jordânia, gerou receitas no valor de 76 milhões de euros em Portugal, um aumento de 7% face ao ano anterior. Sendo a maioria deste montante (71 milhões de euros)  resultado das vendas para o exterior, que também cresceram 6%.

Os principais destinos de exportações a partir do concelho de Sintra são os EUA, Alemanha, Argélia, Itália e Arábia Saudita.

Desde 2004 a 2014 o principal empregador do concelho, com 452 empregos directos, investiu mais de 60 milhões na unidade fabril em Terrugem. E de acordo com o director-geral da Hikma, Riad Mechaloui – um dos responsáveis que liderou o processo de abertura da fábrica em terras lusas –, não ficarão por aqui.

Até 2017 prevêem aumentar este valor em quase 40 milhões, para 97 milhões de euros, na expansão e modernização de algumas áreas da fábrica. Como aconteceu recentemente no segmento de embalagem: a actual linha tinha capacidade para 500 injectáveis por hora. A nova consegue embalar 4 mil.