O clima e a demografia

Com o agravamento das alterações climáticas, os seguros poderão deixar de ter riscos seguráveis num futuro próximo. Desafios são a demografia, o envelhecimento e a poupança.
O clima e a demografia
Para Paulo Silva, da Prévoir-Vie, são precisos produtos simplificados que respondam ao aumento da esperança média de vida.
David Martins
Filipe S. Fernandes 22 de maio de 2019 às 16:00
Carlos Maia, Insurance Lead Partner da PwC, falou da "questão incontornável do desafio climático", na senda de Gabriel Bernardino, com um dos principais desafios para a indústria seguradora. "Se não mudarmos de comportamentos corremos o risco de não haver riscos seguráveis num futuro próximo". Referiu-se também à emergência do populismo e de governos mais protecionistas, que podem dificultar a tomada de "decisões estruturais e de medidas sustentáveis".

Além disso, existem alguns problemas de curto prazo como as assimetrias sociais. Há uma consciência das alterações climáticas até porque as seguradoras se debaterem com mais catástrofes naturais e com "maior severidade". Por isso "os modelos preditivos em função da informação começam a acomodar estas situações".

A questão da poupança também é importante pelos problemas que se colocam ao Estado Social, pelo efeito nos montantes futuros das reformas, que poderão representar 50% dos salários. "Mas a poupança é uma coisa complicada num cenário de taxas de juro muito baixas. As pessoas não estão dispostas a colocar dinheiro para receber taxas zero até porque os bancos e as seguradoras não têm taxa e têm consumo de capital", admitiu Carlos Maia.


O envelhecimento demográfico na Europa e nos EUA coloca desafios ao nível da saúde e da poupança. Na Ásia o problema é o contrário.


Assinalou que um dos problemas é que há concentração de investimento na Europa e nos Estados Unidos, "onde há excesso de dinheiro". Há oportunidades para os intermediários financeiros e outros investidores, que tenham mais apetite ao risco, para investir noutros mercados com taxas de juro superiores, mesmo com a questão cambial.

Os ciclos de vida

Em Portugal, por causa do envelhecimento demográfico, que é um traço comum à Europa e aos Estados Unidos, surgem desafios ao nível da saúde e da poupança. No outro lado no mundo, na Ásia é o contrário, a população está a crescer a uma razão de 70 a 80 milhões de pessoas por ano, "o que também não ajuda à sustentabilidade ambiental", conclui Carlos Maia.

A Prévoir-Vie tem em França "uma larga experiência em seguros para pessoas com idades mais avançadas. Tem-se focado não só na proteção das pessoas mas em algo, de que se fala pouco em Portugal, e que é a manutenção da independência. Mais do que cobrir um determinado sinistro ou risco que vai ocorrer, é ajudar possam ter um nível de vida e uma qualidade de vida como tinham anteriormente. E isto passa por agir antes de as pessoas chegarem à idade sénior, já com plano preventivos, de acompanhamento, check-ups, etc. Este não é apenas um seguro mas um conjunto de serviços nomeadamente na assistência", refere Paulo Silva, diretor de desenvolvimento comercial da Prévoir-Vie.

A esperança média de vida aumentou, os seguros de saúde já estão a dar uma resposta significativa, contudo compete aos seguradores, através de produtos simplificados, dar uma resposta adequada a outros problemas provocados pelo envelhecimento.

Para Paulo Silva, "o seguro que tenha uma resposta rápida em dois ciclos, quer na subscrição e o digital vai reduzir essa fase que por vezes é complexa devido à dificuldade de os clientes perceberem o que estão a subscrever, e depois no momento importante que é a resposta que dá ao sinistro".

O legado e os novos sistemas

A ligação dos novos sistemas com os antigos "era um processo muito difícil, mas está mais simples desde que a arquitetura de sistemas seja correta. E mesmo assim estamos a falar da ponta do iceberg para uma seguradora", explica Gastão Taveira.

O CEO da i2S considera que a indústria seguradora é complexa e tem necessidade de "ter sistemas core robustos, que quando emitem os recibos estejam bem calculados, e saiam no dia certo, e que o cálculo das provisões matemáticas do ramo Vida seja bem feito".

Faz a comparação entre a banca e os seguros. "Na banca há milhares de transacções por dia, mas são relativamente simples como um débito, um crédito, um juro. Nos seguros há muito menos transações mas extremamente complexas, a estrutura dos produtos dos seguros é complexa. Por isso os sistemas têm de ser robustos na raiz", concluiu Gastão Taveira.

Comunicação com o cliente

Referiu que na i2S têm vários projectos em seguradoras para fazer a ligação entre os sistemas, "e permitir que uma seguradora possa fazer a digitalização na camada superior sem mudar os seus sistemas core".

A comunicação com o cliente, que "tem de ser mais frequente e multidispositivo", a interação homem-máquina e a ligação com sistemas externos, porque o ecossistema do setor segurador envolve serviços externos, são fundamentais. Mas, como disse Gastão Taveira, "é fácil desenhar sistemas para o que existe hoje, mas não é solução que passa mais por saber onde é que vamos estar daqui a cinco e dez anos e é o que as seguradoras têm de fazer". 




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