O gás do mercado de escritórios

O imobiliário representa a maior fatia na classe dos investimentos alternativos, mas em Portugal é também muito estreito, em que a entrada de novos investidores faz subir os preços.
O gás do mercado de escritórios
Miguel Baltazar
Filipe S. Fernandes 02 de dezembro de 2019 às 14:30

"Os investimentos alternativos vão ganhar peso porque são investimentos de retorno absoluto, em que benchmarking é zero, e, se as pessoas forem percebendo isso, são capazes de animar em vez de estar a ver se ganham qualquer coisa acima de zero", referiu Rui Alpalhão, do departamento de Finanças do ISCTE-IUL Business School e presidente executivo da FundBox SGFIM.

O imobiliário representa a maior fatia na classe dos investimentos alternativos, "mas o investidor português não investe em imobiliário, possui imobiliário com dívida, com muito poucas exceções não tem qualquer perspetiva de investimento imobiliário". Acrescenta que "as pessoas não têm carteiras de prédios arrendados, nem estão investidos em fundos com centros comerciais".

Os fundos de imobiliário abertos tiveram algum sucesso "apesar da sua má conceção porque o seu mismatching de maturidades era brutal. Os fundos resgatavam em três dias e os ativos eram a 30 anos. Mas correram bem, com uma única exceção e esta curiosamente era o único fundo aberto que não estava suportado num banco, porque o banco que atrofia o mercado de capitais também subscreve para não haver problema", recorda Rui Alpalhão.

Mercado residencial

O mercado imobiliário em Portugal é também muito estreito, em que a entrada de novos investidores faz subir os preços. "No residencial os preços recuperaram, o que já aconteceu quando Portugal entrou na União Económica e Monetária. em que o imobiliário e o terciário portugueses passaram a ser transacionados por operadores europeus, as yields baixaram e os preços subiram", disse Rui Alpalhão.

O mesmo aconteceu recentemente no residencial com a entrada no mercado de investidores chineses e franceses. Entrou no radar dos investidores internacionais, o que levou à subida de preços, "mas é uma ilusão achar que as casas em Lisboa vão custar o mesmo que em Paris. A subida discreta está feita no residencial e agora pode-se esperar umas subidas de 4 a 5%", concluiu.

Rui Alpalhão considerou que o mercado comercial é mais cíclico e durante a recessão esteve parado. "Neste momento não há oferta de escritórios mas veem-se as gruas e quando esses projetos entrarem no mercado vão fazer baixar as rendas. Porque é um setor em que se colocam no mercado muitos metros quadrados de cada vez", adiantou.

Diz que existe ainda um bocado de gás no imobiliário terciário, que não resiste à falta de stock. "Há promotores, até private equities internacionais, que estiveram a ganhar muito dinheiro no residencial que estão a fazer escritórios em quantidade por trás da estação do Oriente. É uma estratégia de rotação dentro do país. O sucesso desses projetos inviabilizará os seguintes", admitiu Rui Alpalhão.

Nas superfícies comerciais não é provável que haja promotores que invistam mais porque o país está forrado de superfícies comerciais, vão-se transacionando as que existem, normalmente a desconto.





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