O longo voo da Kyaia

O esforço de investimento na marca Fly London foi um caminho exigente. Hoje é o peso da marca que permite ao grupo fazer mais investimentos
O longo voo da Kyaia
Segundo Fortunato Frederico o investimento na marca compensou.
Simão Freitas
Filipe S. Fernandes 22 de fevereiro de 2018 às 12:26
Há 35 anos, Fortunato Frederico não tinha dinheiro para dar a conhecer a Kyaia ao mercado por isso, para fazer marketing, aproveitava os grandes jogos no Estádio das Antas, nomeadamente quando vinha o Sporting, de que é um confesso adepto, para trazer uma dúzia de carrinhas com os logotipos da empresa de sapatos e estacionar nas zonas com maior número de pessoas. "Era barato, custava o gasóleo e os bilhetes para os motoristas verem o jogo".

Mais tarde comprou uma marca, a Fly London, e foram anos de investimentos até a marca se consolidar e crescer, permitindo libertar meios para poder fazer mais investimentos industriais, de software, comerciais. "Foi um trabalho longo a bater e a sofrer, só que a nossa resistência ao sofrimento foi maior", recordou Fortunato Frederico. "Houve um período em que quase desistíamos da marca porque todo o dinheiro que se ganhava ia para a marca, para as feiras. Mas aguentou-se e depois inverteu-se, já que foi o seu crescimento que nos permitiu investir em muitos campos e continua a permitir, pois é com a marca que ganhamos dinheiro". Hoje mais de um milhão de pessoas no mundo calça Fly London. "Crescemos, mas como me diziam em miúdo: passo a passo podes chegar a Roma, a correr podes cair".

A Kyaia cresceu seguindo um ditado que ouvi em miúdo: passo a passo podes chegar a Roma, a correr podes cair. Fortunato Frederico
Presidente da Kyaia

"A flexibilidade de mercado, ter a disponibilidade para o cliente exige a motivação dos trabalhadores porque muitas vezes é preciso trabalhar mais horas e sem motivação não trabalham para entregar as encomendas a tempo", assinalou Fortunato Frederico. Tiveram de se adaptar as máquinas para tornar a produção de sapatos mais ágil e mais eficiente. Mas até neste aspecto o tempo urgia. Como a empresa de informática que os apoiava demorava muito tempo a fazer as actualizações de software, o que era incompatível com as necessidades de agilizar processos, criou uma empresa de informática que começou a desenvolver software para as máquinas da empresa e a criar soluções. "Entretanto fizemos uma parceria com o INESC Porto durante três anos em que desenvolvemos um algoritmo que nos resolveu problemas de produção nas linhas de costura, que é a operação mais complicada na produção de sapatos. Esta solução serviu para a Kyaia e hoje estamos a vendê-la no mercado à indústria", contou Fortunato Frederico.

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A chave do sucesso 
• O investimento na marca Fly London