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Patrick Drahi é o 24.º mais poderoso de 2019

A sua ambição sempre foi ser o "número um". E foi neste plano que se inseriu a compra da incumbente PT. Depois desta febre compradora que durou vários anos, agora a postura é de vendedora. Incluindo no mercado português.  
Patrick Drahi é o 24.º mais poderoso de 2019
Reuters

"2019 vai ser um ano muito bom para a Altice." Esta foi a mensagem deixada por Patrick Drahi ao mercado no arranque do ano. Um discurso para acalmar os investidores, mas muito diferente do que tinha quando arrancou com a Altice em 2002.

Na altura, o empresário de origem israelita não escondia que a sua ambição era comprar o máximo de operadoras possível, ter milhares de empregados e "ser o número um". Um objetivo que foi cumprindo ano após ano depois de ter fundado a Altice, com a ajuda do empresário português Armando Pereira. Durante anos, Patrick Drahi foi engordando o portefólio da Altice, e não só com operadoras de telecomunicações. Também alargou as compras ao setor dos media. Mas no final de 2017 o sonho de ser "o número um" sofreu um revés: com uma dívida avultada em mãos [superior a 50 mil milhões de euros] o patrão da antiga PT foi obrigado a avançar com um plano de restruturação que passou pela venda de ativos, incluindo em Portugal.

Agora, Patrick Drahi acredita que o grupo voltou a estar no trilho do crescimento. "A restruturação do grupo está concluída", disse o gestor em maio, numa conferência telefónica com analistas no âmbito da apresentação dos resultados dos primeiros três meses do ano. "Quando olho para os resultados do primeiro trimestre, sinto que o resto do ano será ainda melhor", acrescentou.

Virar a página


A rápida capacidade de decisão, uma característica apontada por quem trabalha com o milionário francês, ajudou o grupo a virar a página. Com os resultados abaixo das estimativas, principalmente devido à operação no mercado francês, os investidores começaram a pressionar os títulos da Altice. Patrick Drahi respondeu de imediato: alterou a estrutura de gestão de topo e voltou a assumir as rédeas da empresa. E fez questão de rodear-se dos seus homens de confiança para as tarefas mais difíceis. Em Portugal, esse selo pertence a Alexandre Fonseca, que acompanha o franco-israelita desde 2012, quando integrava os quadros da Oni.

Os poderes de Patrick Drahi


Visitas surpresa

Patrick Drahi faz questão de visitar várias vezes por ano as operações nos diferentes mercados onde a Altice está presente. E para perceber o real ponto de situação, gosta de fazer visitas surpresa a algumas direções, contaram ao Negócios fontes próximas do gestor.


As visitas do patrão da Altice passam, no entanto, despercebidas para a maioria dos trabalhadores e para os "media" devido ao estilo reservado do empresário. Quando vem à sede da Meo, em Picoas, Lisboa, prefere ir comer uma sanduíche a pequenos restaurante ali perto. Quem o conhece garante que vive sem grande luxo ou mordomia. No seu dia a dia, quando não está em viagens de trabalho, faz questão de passar o máximo de tempo possível com a mulher e os seus quatro filhos.

Falhámos, mas garanto que nas próximas semanas vão ver melhorias.

Patrick Drahi - Negócios, 15 de novembro de 2017

A restruturação do grupo está concluída. 2019 vai ser um ano muito bom.

Patrick Drahi - Negócios, 9 de maio de 2019


A música e a arte são duas das principais paixões do patrão da Altice que tem como um dos talentos escondidos tocar piano. Recentemente, decidiu associar o gosto por colecionar arte a uma oportunidade de negócio: comprar a leiloeira Sotheby’s por 3,7 mil milhões de euros. Um negócio que, a ser concretizado, será através de uma "holding " familiar - BitFair - criada especificamente para este fim. Mas, no futuro, esta "holding" poderá vir a ser o veículo para novas aquisições de âmbito pessoal, isto é, não relacionadas com a Altice, como tinham garantido fontes próximas do empresário ao Negócios. Aliás, a diversificação de investimentos parece ser um dos trunfos de Patrick Drahi para manter a sua fortuna, e consecutiva influência, avaliada pela Forbes em mais de 11 mil milhões de euros.


A todo-poderosa

Em Portugal, o seu poder e influência estão centrados na Altice Portugal. Apesar de já não ser a todo-poderosa PT, a operadora continua a ter um peso histórico e a ser líder em quase todos os segmentos, à exceção da televisão paga liderada pela rival Nos. Drahi tentou ainda estender a sua influência aos "media" em Portugal, mas a compra da Media Capital acabou por cair por terra no ano passado.

Patrick Drahi garante que o grupo Altice já virou a página, tendo concluído o processo de restruturação implementado no final de 2017 e retomado o caminho do crescimento dos resultados.

Enquanto nos últimos anos Drahi não excluía novas aquisições no mercado português, agora a postura é de vendedora. "Mas não a qualquer preço", como já fez questão de sublinhar mais do que uma vez nas conferências com analistas.

Depois de vender as torres de comunicações da Meo em 2018, o grupo pôs à venda a rede de fibra ótica. Um negócio que ainda não foi fechado por o grupo, neste momento, "não ter pressa nem necessidade" de concluir a compra a qualquer custo, garantiu o gestor.



Patrick Drahi cai 10 lugares
Evolução da classificação ao longo dos anos nos Mais Poderosos

O empresário de origem israelita entrou para lista dos Mais Poderosos do Negócios em 2015, ano em que comprou à Oi a Portugal Telecom, que entretanto passou a chamar-se Altice Portugal.

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