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Paulo Macedo: “A realidade não é tão negativa como a estamos a percecionar”

As perspetivas para 2023 são bastante menos animadoras do que as do corrente ano. Mas Paulo Macedo, presidente da Comissão Executiva da Caixa Geral de Depósitos, na edição da Figueira da Foz dos Encontros Fora da Caixa, defende que a realidade não é tão negativa quanto estamos a percecionar.

Susana Marvão 02 de Dezembro de 2022 às 14:30
Paulo Macedo, presidente da Comissão Executiva da Caixa Geral de Depósitos Ricardo Almeida
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Sem fazer futurologia, Paulo Macedo, presidente da Comissão Executiva da Caixa Geral de Depósitos, foi o responsável por partilhar com os presentes uma visão sobre as diferentes perspetivas e cenários que hoje todos temos pela frente. O ano de 2022 foi caracterizado por uma inflação bastante elevada, quer em Portugal, Europa, como nos Estados Unidos. "A inflação não começou com a guerra, quer no caso da energia, quer nas matérias-primas", realçou Paulo Macedo. "A guerra veio foi acentuar este facto". No entanto, o executivo admite que - "estamos todos mais ou menos de acordo", diz - a inflação vai descer. A questão é saber se fica em valores entre os 3% e os 5%, "que são valores controláveis", ou se escala para valores de 6%, 7%, que aportam mais problemas para a economia, com repercussões nos salários reais e, logo, no consumo e poder de compra. Outra questão intimamente relacionada com a inflação é o valor das taxas de juro

Paulo Macedo reforça que o elevado grau de incerteza, quer económica quer política, se deverá manter em 2023, mas não deixa só más notícias. "O PIB este ano vai crescer mais de 6% e muitas empresas vão ter um dos melhores, se não mesmo o melhor, ano de sempre". E em vários setores, diz este executivo.

O presidente da Comissão Executiva da Caixa Geral de Depósitos projeta que em termos de previsões de crescimento, Portugal não deverá ficar muito longe da média europeia, "vai depender deste último trimestre". Assim, deveremos ter um crescimento abaixo do 1%. "Por exemplo, os EUA acham que terão uma recessão bastante ‘soft’ no terceiro trimestre, nada comparado com a pandemia ou com a crise financeira". Ou seja, deveremos ter crescimentos pouco significativos ou, eventualmente uma recessão pouco acentuada, "sabendo que o cenário central da União Europeia, do FMI e do Governo português é que Portugal terá um crescimento de mais de 1% no próximo ano".

Subida das taxas de juro

As taxas de juro têm subido. "Estavam negativas, o que é uma total anormalidade", disse Paulo Macedo aos presentes no evento. "A questão agora é a velocidade a que estão a subir e a que nível vão parar", com impacto para as empresas e, muito claramente, para as famílias.

Quanto às taxas de inflação, a Caixa prevê que venham a baixar, sendo a questão se ficamos "nos 4% ou nos 6%, o que faz toda a diferença". Paulo Macedo assume que "somos muito mais pródigos a queixar-nos do que a ver os benefícios e a verdade é que beneficiámos muito de uma queda da inflação nos últimos anos. Beneficiámos muito de uma baixa de preços por via da globalização". O responsável explica que a tecnologia que importámos foi cada vez a valores mais baixos, "obviamente porque vinha do continente asiático", com o desenvolvimento dessa tecnologia a permitir ter menos custos salariais.

Desafios da Caixa

Face a todo este cenário, a Caixa, em termos dos seus clientes particulares, está a antecipar-se e a contactar os clientes que acreditam ir ter mais dificuldades. No caso das empresas, o banco fez inquéritos no sentido de saber como estão a passar por esta crise. Paulo Macedo revela que 75% a 85% das empresas alegaram que não vão passar por esta crise de forma "não negativa".

No fundo, "temos perspetivas bastante menos animadoras para o ano que vem, mas a realidade não é tão negativa quanto estamos a percecionar". O responsável garante que a Caixa tem vindo, ao longo do tempo, a preparar para "servir os clientes dentro destes tempos mais difíceis".