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Rui Barros: “Não podemos viver sem tecnologia”

A estratégia das empresas e das organizações tem cada vez maior dependência da forma como endereçam temas como a arquitetura tecnológica.

Filipe S. Fernandes 11 de Junho de 2021 às 12:15
Mariline Alves
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“A tecnologia foi fundamental e o estudo da Accenture das tendências tecnológicas para o futuro vem acentuar que não podemos viver sem tecnologia. Hoje os negócios, as atividades, o dia a dia, dependem da tecnologia”, afirmou Rui Barros, managing director, responsável pela área de Technology da Accenture em Portugal. A estratégia das empresas e das organizações tem cada vez maior dependência da forma como endereçam temas como a arquitetura tecnológica.

Rui Barros destacou três aspetos do estudo que são relevantes para Portugal e que passam pela adoção da cloud e das ferramentas associadas a cloud a nível internacional, “que começamos a assistir e que permite outra flexibilidade, outra dinâmica, nomeadamente no que são novas soluções”.

O segundo ponto é a existência em Portugal de grandes organizações com sistemas pesados, monolíticos, difíceis e pouco ágeis. Neste contexto de pandemia e de necessidade de mudança “tem de ser mais rápida a sua alteração e a sua gestão e tem havido um esforço grande de transformar esses sistemas em mais modulares. Em termos de arquitetura tecnológica, sem entrar em grande detalhe, é uma área de transformação em que as organizações estão a apostar”, diz Rui Barros.

O terceiro aspeto relaciona-se com as mudanças na forma como se vive, consome e trabalha, nomeadamente, o teletrabalho. “O comércio eletrónico disparou em Portugal tal como as consultas de telemedicina. Estamos numa nova realidade e claramente vai existir um maior investimento durante os próximos anos em criar uma experiência única entre a parte física e digital que permita oferecer novos serviços e novas capacidades ao mercado”, conclui Rui Barros.

Comércio eletrónico

Cada vez mais as pessoas estão abertas a ter uma experiência digital. As vendas de comércio eletrónico aumentaram significativamente em Portugal, passaram de 10% para 18% de acordo com a SIBS. O que se está à procura é de experiências integradas. A Starbucks lançou uma app durante a pandemia nos Estados Unidos em que as pessoas podem fazer o pedido e depois podem levantar na loja e também podem usar a própria app quando vão à loja porque a Uber Eats também está integrada. Uma experiência que junta o digital com o físico. Em Portugal, o Continente inaugurou um supermercado em que a pessoa com a app consegue fazer as compras.

“A integração entre o digital e o físico é uma tendência que está a surgir e que irá crescer e os clientes também esperam isso. Se pensarmos nos balcões bancários, tudo em que havia interação física passou a ser mais digital e cada vez mais vai haver esta necessidade para juntar dois mundos. Os canais digitais não serão um canal complementar ao físico, mas uma experiência única que terá uma componente digital e uma física”, disse Rui Barros.

“A mudança muitas vezes não é tanto tecnológica porque a tecnologia já existia mas mais de atitude e de oportunidade. Tanto os colaboradores como os próprios clientes finais de produtos e serviços estão de mãos abertas a este tipo de novas ofertas e de novos mecanismos numa lógica de remoto. É uma aposta que estamos a sentir a nível internacional com a adoção cada vez maior destas ferramentas e tecnologias como o data analytics, a inteligência artificial, como colocar estas capacidades ao serviço das pessoas e conseguirmos dar novas ofertas e serviços”, salientou Rui Barros.

O managing director da Accenture chamou ainda a atenção para a sustentabilidade. “É uma segunda derivada que surgiu este ano e que está cada vez mais em cima da mesa e cada vez mais as pessoas não esperam apenas que as organizações prestem um serviço ou sejam focadas em resultados, esperam que continuem para uma sociedade melhor, um melhor contributo para o que é a responsabilidade corporativa e até a tecnologia também terá de contribuir nomeadamente com a tendência que está a surgir em termos internacionais, que é o green IT, como consumimos menos energia, de uma forma eficiente para contribuir para a sustentabilidade do planeta”, afirmou. Acrescentou que a tecnologia, a adoção de cloud e a green IT são tendências internacionais que, acredita, se irão refletir no mercado em Portugal.