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Telecomunicações O futuro: A prazo, os consumidores terão de pagar a qualidade das redes

Os preços dos serviços de telecomunicações terão de subir ou a qualidade terá de ser limitada. O aviso é deixado pelos operadores que assumem precisar de rentabilizar os investimentos em redes.

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Luís Avelar, do Meo, Sara Oliveira, da Vodafone, e Hugo Figueiredo, da Nos, falam das tendências para o sector.

 

 

As auto-estradas têm portagens. E o condutor tem sempre a alternativa de ir pela estrada nacional, não portajada, a uma velocidade menor e podendo ter buracos.


A analogia é feita para as redes de telecomunicações. Os operadores, que nos últimos anos fizeram investimentos elevados em redes de alta velocidade, querem o retorno. Não é como o mercado está que o vão conseguir. Antecipam, por isso, que ou os preços sobem ou a qualidade tem de ser paga. Uma discussão difícil de passar na Europa e, em particular, em Portugal, que "está um bocadinho mal habituado, porque a qualidade das redes é muito boa e as pessoas já dão isso como garantido".


Até agora, argumentam os operadores, estas empresas têm conseguido acrescentar funcionalidades aos serviços e, com isso, aumentar, em alguns casos, os preços. "Se não existirem essas novas solicitações que provoquem o reposicionamento dos preços por novos benefícios, obviamente os níveis de serviço vão começar a cair". E neste ponto todos estão de acordo. Por isso, não é difícil antever no futuro preços mais altos para serviços de maior qualidade. O pão com manteiga (expressão utilizada pelos 'marketeers' para indicar os serviços mais básicos) vai ser barato, mas acima disso já serão serviços de valor acrescentado. "Estamos sempre a dar coisas e não recebemos nada", desabafam.


Netflix? Já existe. "São as gravações automáticas"
Ter a relação com o cliente é, para os operadores, essencial. E são eles que hoje têm essa ligação. Não são os produtores de conteúdos, nem os serviços, como o Netflix, que agregam programas. "Vejo mais o Netflix como um serviço associado a um operador, integrando o 'bouquet' de canais. Se calhar tinha mais sucesso do que num modelo 'over the top' [na internet]". Nenhum dos operadores faz, no entanto, previsões sobre o impacto que uma eventual entrada do Netflix em Portugal pode ter. "É incontrolável". Parece, no entanto, haver uma vantagem a favor destes operadores no mercado português. "À borla toda a gente está pronta a ter". Mas pagando... basta ver o que aconteceu com o número de desligamentos dos canais premium, como a TV Cine e a Sport Tv, no momento de cortar na factura do lar.


As funcionalidades que já oferecem podem, também, funcionar como travão aos avanços. "Netflix? Já existe. Chamam-se gravações automáticas". Este é o tipo de funcionalidade, oferecida aos clientes sem custo extra, que os operadores gostariam de cobrar. "Já podemos ver tudo o que está para trás, durante sete dias, sem pagar um tostão. Não faz sentido, até porque é algo que os clientes valorizam e que matou o vídeoclube e aumentou o tráfego exponencialmente", forçando a acelerar os investimentos nas redes.