Valérius quer ser empresa de serviços

O grande desafio é transformar a indústria num serviço, pois os clientes em Portugal não procuram capacidade mas disponibilidade
Valérius quer ser empresa de serviços
José Vilas Boas Ferreira, defende que a indústria deve estar preparada para hoje e para daqui a três anos.
Simão Freitas
Filipe S. Fernandes 22 de fevereiro de 2018 às 12:22
O novo projecto de José Vilas Boas Ferreira é a Valérius 360º. "Fizemos um estudo e concluímos que a crise económica não provocou apenas activos tóxicos na banca mas também nas marcas internacionais de vestuário. Há 650 mil metros quadrados de stocks parados há mais de três anos, estando cerca de 40% na Alemanha, 30% em França". Este projecto entra em funcionamento em Janeiro de 2019 e a proposta aos clientes é a trituração das peças e fazer nova fibra, nova malha e novas peças.

O calçado tem uma vantagem, trabalhou muito bem o marketing, enquanto o têxtil e o vestuário trabalharam muito bem a produção
José Vilas Boas Ferreira
Presidente do Grupo Valerius

Este projecto foi apresentado em Setembro e implicou o envolvimento de empresas fabricantes de equipamentos e ainda parcerias com outras empresas e com universidades portuguesas (como a Universidade do Minho) e britânicas. Este projecto é pioneiro na recuperação das peças de vestuário e poderá atingir os 10 milhões de euros.

Solução para o cliente

A Valérius tem dez anos e fabrica para as grandes marcas como o grupo H&M, Moschino, Max Mara, Carven, Coach, Joseph entre outras. Com um volume de negócios de 35 milhões de euros, a Valérius emprega 130 pessoas. Como refere José Vilas Boas Ferreira, "somos industriais e o grande desafio é transformar a indústria num serviço, pois os clientes em Portugal não procuram capacidade mas disponibilidade". Acrescentando que "por isso é que nos tornámos uma empresa de serviços com capacidade de em 24 ou 48 horas resolver o problema do cliente".

Diz que os próximos quatro ou cinco anos vão ser muito importantes para o nosso sector, pois há vários trends a mudar. Alertou para o facto de que enquanto sectores como o automóvel têm um feedback imediato do comportamento do mercado, no têxtil há uma décalage de dois anos. "Por isso é que na minha empresa tenho pessoas a trabalhar para amanhã e outras para daqui a dois ou três anos", referiu José Villas Boas Ferreira.

O empresário que tem participações em empresas de vários sectores disse que "o calçado tem uma vantagem, trabalhou muito bem o marketing, enquanto o têxtil e vestuário trabalharam muito bem a produção". Concluiu que "somos muito bons a produzir mas temos uma dificuldade quando vamos vender: temos uma cultura industrial".

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