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Xhapeland: Pranchas "made in" Portugal com destino à Europa

São perto de duas mil as pranchas, de surf e não só, que saem anualmente da Xhapeland, polo industrial em Cascais, com destino a vários países da Europa.

Helena C. Peralta 18 de Março de 2019 às 22:30
David Cabral Santos/Cofina
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A terra dos sonhos de surfistas e "shapers" que procuram desenvolver os seus projetos feitos à medida encontra-se bem perto da capital. A Xhapeland é uma start-up que realiza o sonho de dois amigos na aventura da produção de pranchas de surf. Um deles estava já ligado a este desporto e surgiu com a ideia de criar um modelo que ainda desconhecido em Portugal: a instalação de um polo de produção que trabalhasse para várias marcas. E o projeto saiu do papel em 2014, com o lançamento desta empresa instalada na incubadora DNA Cascais.

Não querendo revelar o nome do seu sócio, nem dos outros dois que entretanto se juntaram, Hermano Menezes dá a cara pelo negócio. "A ideia era produzir várias marcas e vários tipos de pranchas destinadas ao mercado global", afirma o empreendedor. Para isso era necessário angariar o fabrico de marcas internacionais, sempre com o mercado europeu em mente. O negócio passava não apenas pela produção como pela distribuição em exclusividade. "Este modelo é vantajoso para os clientes porque têm facilmente uma perceção do custo de produção, e não assumem tantos riscos", refere Hermano Menezes.

Em pouco tempo a Xhapeland angariou marcas de surf reconhecidas, como a Chili, a Rusty, a Town and Country, mas depressa se apercebeu que as margens de distribuição eram muito pequenas, e fez uma mudança no plano de negócios inicial, procurando aumentar a fatia de venda direta e a produção em serviço (isto é, o serviço de produzir a prancha). A Xhapeland vende ainda a sua marca própria, a Wanted, quer na loja física, junto à unidade de produção, quer online. O projeto arrancou com apenas seis colaboradores, mas a equipa já ascende a 17 pessoas.

 

Produção média entre 1.500 e 2.000 pranchas

A Xhapeland faz a produção completa de pranchas, que podem ser de surf, de kitesurf, de stand up paddle (SUP), skimboard, wakesurf e waskim. Assegura todos os serviços desde o design, passando pelo corte até pintura final, e utiliza variados materiais, desde os de maior rigidez, como a madeira, aos mais flexíveis e inovadores do mercado. São cerca de 1.500 a 2.000  pranchas que saem anualmente desta fábrica, produção esta que tem de ser muito bem planeada ao longo do ano.

A unidade industrial disponibiliza também serviços avulso, de corte, "shape", laminação e acabamento, para clientes individuais e coletivos. A empresa investiu cerca de 120 mil euros numa máquina de corte assistido por computador, uma AKU Shaper, dizendo ser a primeira fábrica em Portugal a operar esta tecnologia, que disponibiliza a terceiros. Desta forma vai buscar outro tipo de negócio, o de "shapers" independentes que pagam um determinado valor para utilizar este serviço. .

Tome Nota

Segmentos de negócio em ascensão

Para alargar o seu leque de clientes, e dar notoriedade à marca, a Xhapeland não fica sentada à espera de novas oportunidades de negócio e vai à luta.


Xhaper's Nest para sair do ninho
Lançado recentemente, o Xhaper's Nest é um espaço de co-work destinado a fabricantes de pranchas independentes que pretendam assegurar a produção dos seus designs com acesso à tecnologia e "know how" disponível na Xhapeland. Localizado nas instalações da unidade industrial,  o espaço dispõe de duas salas de "shape", integradas na fábrica e um escritório independente. Os utilizadores do espaço terão acesso gratuito ao software de design de pranchas Shape 3D, e ainda a um conjunto de serviços, desde o corte à pintura, passando pela colocação de quilhas e acabamentos. Esta iniciativa pretende aproximar os "shapers" independentes aos serviços da fábrica.


Novos desportos, mais oportunidades
São vários os tipos de pranchas produzidas pela Xhapeland para diversos desportos aquáticos. As pranchas de surf são ainda as mais procuradas, mas há outras a crescer. O desenvolvimento do wakeboard e do stand up paddle são duas oportunidades de negócio a aproveitar. O wakeboard, praticado com uma prancha tipo snowboard, puxada por uma lancha, é uma alternativa para locais com poucas ondas, tal como o stand up paddle. Ambos os desportos podem ser praticados em lagos, pelo que a oportunidade de abertura de mercado na Europa é enorme, sobretudo em países como a Holanda, a Alemanha, a Suíça, entre outros.