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Xi Jinping é o 7.º Mais Poderoso de 2017

Xi Jinping, líder do país mais populoso do mundo tem também poder real na economia portuguesa. A presença de capital chinês na EDP, no BCP, na REN, na Fidelidade ou na ES Saúde é disso sinónimo. Tal facto alia-se à cada vez maior presença de turistas chineses que as ligações aéreas directas com a China alargarão. Basta recordar as palavras do ministro Pedro Marques, que estava à espera na Portela do primeiro avião que vinha da China: "Este é o verdadeiro lançamento da nova rota aérea da seda do século XXI".

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Porque sobe

O líder da segunda maior economia do mundo é, na China, uma figura central em todos os domínios. Esse poder extravasa fronteiras e chega a Portugal, através do investimento que empresas chinesas - estatais e privadas - têm feito, estão a fazer e farão epor cá. O início este ano das ligações aéreas directas entre Pequim e Lisboa tornou-se mais um indicador da aposta da China no nosso país. Xi está no centro de tudo. Daí o seu poder crescente, directo e indirecto, na economia portuguesa.

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O discurso do presidente chinês, Xi Jinping, em Davos, no passado mês de Janeiro, marcou o início de uma nova era global. Ele apresentou-se como um defensor firme da globalização económica, num tempo em que muitas das nações que sempre defenderam essa ideia, a começar pelos EUA, parecem estar a fechar-se no nacionalismo económico. Já antes, na sua visita a Genebra, na Suíça, tinha desenvolvido essa ideia com números esmagadores: "Nos próximos cinco anos a China vai importar 8 triliões de dólares de bens, atrair 600 biliões de dólares de investimento estrangeiro, fazer 750 biliões de investimento externo e os turistas chineses farão 700 milhões de visitas ao estrangeiro". 

Se dúvidas houvesse sobre o peso cada vez maior da China no comércio mundial elas estariam dissipadas. A ideia de um "futuro partilhado" é a base da política de Xi Jinping. Mas nos EUA os tempos são de mudança, com uma animosidade notória da administração Trump ao poder chinês, mesmo depois de Trump, ao telefone com Xi, ter garantido a continuação da política de "uma China", mostrando que as relações com Taiwan continuarão a ser laterais.
Xi Jinping com o primeiro-ministro António Costa, um seu aliado no Ocidente
Xi Jinping com o primeiro-ministro António Costa, um seu aliado no Ocidente Naohiko Hatta/Reuters
Numa coisa o choque é notório: a política da China, em matéria da chamada "Nova Rota da Seda" assenta numa premissa: as vias de abastecimento. São os pilares de um novo modelo geoeconómico e transnacional que, a prazo, se poderá transformar num modelo geopolítico de futuro. As vias de abastecimento cimentam as rotas trans-siberianas as do sudoeste asiático ou através do Paquistão e encontram um parceiro financeiro global, o Asia Infraestructure Investment Bank. A juntar a isso uma outra organização económica faz a aliança com a Rússia e a Ásia Central: a Eurasian Economic Union. Ambas as estratégias são complementares, deixando na defensiva os EUA e a própria União Europeia.

Embora, compreensivelmente, se os EUA de Trump apostem na desintegração europeia, a China deseja que o mercado único continue. A China, com Trump, sabe que tem de depender menos das exportações para os EUA e deve continuar a investir no mercado interno. Resta saber se Trump e os seus mentores vão continuar a alimentar uma guerra comercial (e política) com Pequim. Aí todos seriam perdedores. Mas é esse novo "soft-power" que a China tem para oferecer ao mundo em tempos de dúvidas e nacionalismos.

Tudo isto acontece numa altura Xi Jinping vai reforçando o seu poder a nível do aparelho central do Partido Comunista Chinês, incluindo no sector militar, onde os seus fiéis têm substituído membros da "velha guarda.

Numa altura em que, à volta, a tensão é grande, seja por causa da Coreia do Norte, da Índia (nos Himalaias) ou de Taiwan, os olhos voltam-se para o próximo congresso (o 19.º) do PCC no Outono. Nele se deverá reforçar o poder de Xi, cada vez mais próximo de mostrar que é um forte sucessor de Mao ou de Deng. Xi tem apostado numa retórica nacionalista (equilibrada com a aposta numa "economia sem fronteiras"), onde o regresso à pureza ideológica é parte integrante do discurso. E isso leva a que o poder central actue com firmeza, seja na liderança das empresas, seja no sector político, como se viu na recente remoção de Sun Zhengcai, um membro do Politburo e o chefe do PCC em Chongqing, que era visto como um potencial primeiro-ministro no futuro. Se segundo as regras vigentes Xi só poderá estar no topo do poder até 2023, a sua idade (63) dá-lhe fôlego para exercer agora a sua liderança e projectá-la para além disso.

Houve um tempo em que a China também tinha dúvidas sobre a globalização económica, e não tinha certeza se deveria aderir à Organização Mundial do Comércio. Mas chegámos à conclusão de que a integração na economia global é uma tendência histórica.  Janeiro de 2017

Xi Jinping tem um poder real na economia português. Por isso o seu poder na China reflecte-se também aqui. A presença de capital chinês na EDP, no BCP, na REN, na Fidelidade, na ES Saúde, mostra isso. A isso alia-se à cada vez maior presença de turistas chineses que as ligações aéreas directas com a China alargarão. Basta recordar as palavras do ministro Pedro Marques, que estava à espera na Portela do primeiro avião que vinha da China: "Este é o verdadeiro lançamento da nova rota aérea da seda do século XXI. É um grande feito para Portugal a concretização desta ligação".

Não admiraria por isso que o próximo grande investimento chinês em Portugal seja na área do turismo. A isto há que ligar a conexão lusófona: a China dá grande importância a mercados como os de Angola e Brasil, mas também Guiné-Bissau e São Tomé e Príncipe (este país acabou mesmo por cortar relações com Taiwan e aceitar investimentos fortes na área das infra-estruturas nas ilhas equatoriais).

No meio de tanta turbulência, o estilo de Jinping parece ser perfeito. Promoveu o nacionalismo e a moralidade tradicional de origem confuciana (a campanha contra a "corrupção", que tem servido para afastar adversários internos e calar alguma dissidência, inclui-se nesta lógica). O orgulho de ser chinês ganhou força com a sua liderança. O poder foi reorganizado e está cada vez mais nas suas mãos.
Xi Jinping com Donald Trump, presidente dos Estados Unidos, que tem mantido um discurso contraditório sobre o homólogo chinês.
Xi Jinping com Donald Trump, presidente dos Estados Unidos, que tem mantido um discurso contraditório sobre o homólogo chinês. Saul Loeb/Reuters
Na China, o poder económico acaba por ser uma consequência do político. Muitos dirigentes do PCC ocupam lugares centrais nas principais empresas estatais. Muitas delas, como acontece nas que actuam em Portugal, têm cada vez mais interesses no estrangeiro. Ou seja, o poder directo e indirecto de Xi Jinping estende-se às empresas que actuam sob a batuta das directrizes do núcleo de poder da China. A sua proposta de Rota da Seda e a própria criação do Banco de Infra-Estruturas, o BAII, (de que Portugal é um dos fundadores, o que diz da atenção a que o nosso país é devotado em Pequim) dizem bem que a política externa chinesa se faz através dos meios económicos e financeiros.

Filho de um revolucionário e fundador do PCC, Xi Zhongxun, Xi Jinping assistiu ao afastamento deste do cargo de vice-primeiro-ministro em 1962, pouco antes da Revolução Cultural. Com 15 anos, Xi foi enviado para ser "reeducado" numa remota vila, durante sete anos. Viria depois a estudar engenharia química na Universidade Tsinghua em Pequim. Em 2007, tornou-se o representante do PCC em Xangai e tornou-se vice-presidente no ano seguinte.

Quando tomou posse como presidente da China, Xi anunciou desde logo que iria lutar para "o grande renascimento da nação chinesa". E esse parece o seu foco desde então. Mas ele representa sobretudo uma mudança geracional. Entre os seis presidentes da República Popular da China até hoje, é o primeiro que nasceu após a revolução. Muitos esperariam que ele fosse uma voz liberal, mas a sua liderança mostra um líder que quer preservar os valores sólidos do PCC como guia da sociedade chinesa. Xi está no centro de tudo. Daí o seu poder directo e indirecto na economia portuguesa.

Bilhete de identidade

 Cargo: Presidente da República Popular da China
 Naturalidade: Nasceu em Pequim em 1953
 Formação: Engenheiro. Doutor em Leis (Direito, Política, Gestão e História Revolucionária) pela Universidade de Tsinghua
 Outras funções: Secretário-geral do PCC, Presidente da Comissão Central Militar.






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