O digital é uma oportunidade para todas as marcas

O marketing digital é mais sofisticado, complexo e envolve múltiplas variáveis, mas o fundamental é chegar ao coração das pessoas.
O digital é uma oportunidade para todas as marcas
Alexandra Machado moderou o frente-a-frente entre João Epifânio da Altice e Ana Paula Marques da Nos.
David Martins
Filipe S. Fernandes 07 de dezembro de 2018 às 16:00

"A infra-estrutura é uma peça fundamental para o mundo digital", considerou João Epifânio, CSO da Altice. "Foi um dos factores para este clima de inovação, basta olhar para o tráfego e os seus múltiplos e muitos dos negócios não existiriam". "O digital é uma oportunidade para as marcas", reforçou Ana Paula Marques, administradora executiva da NOS, "para isto é importante a infra-estrutura, a tecnologia, a Inteligência Artificial com que se tratam os dados, os parceiros com quem se trabalha".

João Epifânio acrescentou que "não haveria Portugal como um centro de negócio, de criação de startups, que promove a deslocalização de serviços, como inshore, sem uma infra-estrutura adequada".

Neste frente-a-frente, Ana Paula Marques respondeu que em Portugal se passa 6,30 horas online, muitas vezes em multidevices, mais um minuto do que nos Estados Unidos. "A nossa população tem um grau de literacia tecnológica bastante elevado e isso não seria possível sem o grau de investimento em infra-estrutura, que permitiu o aumento de dados", referiu a gestora.

Estratégias de marketing

João Epifânio falou das estratégias de marketing da Altice. Salientou que privilegia "o maior reach possível no menor espaço de tempo e com menor custo". O online tem vindo a ganhar expressão e permite fazer hoje abordagens completamente diferentes, "ser muito mais precisos no targeting ou no retargeting, na forma como capturamos o tráfego para o nosso site, sendo que há um aspecto fundamental que é a relevância".

Referiu que no actual paradigma a televisão continua a ser uma plataforma incontornável, mas que "o plano de meios tem uma lógica de multiplataforma e multidevices e mesmo os próprios conteúdos têm de ser adaptados a vários ecrãs de diferentes formatos e dimensões e diferentes capacidades, o que implica um exercício mais complexo de adaptação e até de criatividade". "São muito mais variáveis que um marketer ou um criativo tinha de gerir para se ter rácios de engagement relevantes e que consigam projectar uma campanha".

Coração das pessoas

Hoje em dia o marketing digital tem um grau maior de sofisticação e de complexidade concorda Ana Paula Marques, para quem "o fundamental do marketing continua a ser conquistar o coração das pessoas".

A gestora da Nos considera que o meio através do qual se atinge é crítico, pois as pessoas são expostas a muito mais meios e cada meio tem o seu papel. "Há meios que têm outro tipo de reach, de velocidade de construção, são muitas vezes distintos, mas são complementares". Alertou que "o share de atenção é baixo. É um desafio de criatividade conquistar a atenção das pessoas".

Nas questões de regulação e de regulamentação, em que, depois do RGPD, está na linha do horizonte o e-privacy, João Epifânio e Ana Paula Marques concordaram que limitam o desenvolvimento e crescimento das empresas europeias em relação às norte-americanas e chinesas. Na Europa há tendência a regular a internet, além disso, o regime de protecção dos dados pessoais, práticas legislativas e impostos criam uma assimetria muito grande. Por isso não existe nenhum gigante europeu", salientou João Epifânio.

Digital rules?
com Ana Paula Marques, administradora executiva da Nos, e João Epifânio, CSO (Chief Sales Officer) da Altice, com moderação de Alexandra Machado.