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Ulrich: BCE não pode retirar apoio à banca

Presidente do BPI considera que o BCE “não pode deixar de facultar liquidez ao sistema” financeiro.

Negócios negocios@negocios.pt 02 de Dezembro de 2010 às 10:21
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“O BCE tem que proporcionar liquidez ao sistema bancário europeu. Entendo que o banco central não pode deixar de facultar liquidez ao sistema numa altura em que o sistema na Europa está disfuncional”, afirmou Fernando Ulrich no Hora H do Negócios.

“Percebo que o Banco de Portugal tenha recomendado aos bancos portugueses que reduzissem a dependência do BCE, sobretudo porque isso passou a ser critério de saúde dos bancos. Assim os bancos ficam melhor perante as agências de rating e os mercados”, afirmou O presidente do BPI admite que “o BCE pode tornar esse apoio um pouco mais caro” mas “não pode retirá-lo”, dando o que se passa na Grécia como exemplo.

“Na Grécia a troika chegou e os bancos gregos deviam ao BCE, no início de 2010, 40 mil milhões; em Maio, 85 mil milhões, agora devem 90 mil milhões. Apesar da intervenção, os bancos gregos devem mais. Agora o BCE retira os apoios aos bancos gregos e vai ter que haver outra ajuda à Grécia?”, questionou.

Considerou que “o apoio do BCE ao conjunto dos sistema europeu é hoje inferior ao de antes da crise financeira, e nessa altura não eram os bancos do sul da Europa a ir lá buscar dinheiro”. “Se o sistema não funciona, o BCE está a fazer de intermediário. O que em condições normais, os bancos fariam sozinhos”, disse.

Sem necessidade de BCE comprar dívida pública

Ainda assim, Fernando Ulrich admite que é possível ultrapassar a situação dos financiamentos do Estado sem que o BCE tenha de comprar títulos de dívida pública. Reconheceu que é uma matéria que causa muita susceptibilidade na Alemanha e noutros países, por isso "deve ser possível ultrapassar situação sem ter de actuar massivamente a esse nível. Admito que seja possível ultrapassar situação sem ter de ir por aí". “É preferível”, diz Ulrich, “actuar-se sem que se vá contra as vontades alemãs”.
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