Outros sites Cofina
Notícia

Direitos têm preço

Numa altura em que se discute mais um aumento de capital no mercado português, vale a pena abordar uma questão que gera sempre alguma confusão: os direitos de subscrição preferente, ou simplesmente "direitos", como são tipicamente referidos.

Negócios 04 de Dezembro de 2020 às 12:00
  • Assine já 1€/1 mês
  • ...
Marco António Oliveira, Administrador do Caldeirão de Bolsa

Numa altura em que se discute mais um aumento de capital no mercado português, vale a pena abordar uma questão que gera sempre alguma confusão: os direitos de subscrição preferente, ou simplesmente "direitos", como são tipicamente referidos. Num aumento de capital com emissão de direitos, os acionistas atuais são colocados numa situação de preferência que lhes permite acompanhar o aumento de capital na proporção da posição que já detinham. Sejam pequenos ou grandes investidores, o exercício dos direitos permite-lhes manter a mesma proporção (percentagem) na cotada após a operação de aumento de capital. Se não pretenderem exercer esse direito, ou seja, se não tencionam acompanhar o aumento de capital, poderão transmitir os direitos a outros eventuais interessados, o que consiste em vender os direitos no período específico para o efeito, uma operação simples comparável a vender ações.

A razão por que os direitos têm valor - e porque tendem a suscitar procura - deve-se essencialmente ao facto de as novas ações serem emitidas com um valor de subscrição que é, por norma, inferior à cotação das ações antigas. Razão também pela qual ouvirá dizer com frequência que as novas ações se encontram "a desconto". Ora, convém no entanto ter em atenção que na prática, contas bem feitas, não existe realmente desconto. Com uma importante exceção: as ações sobrantes distribuídas em rateio (já lá voltaremos). E não existe na prática desconto dado que na data em que se dá o destaque dos direitos (quer isto dizer, a sessão a partir da qual a detenção de ações antigas deixa de atribuir direitos de subscrição) as ações antigas tendem a descontar o valor do direito. Se no dia em que atribuem o direito valem "xis", no dia em que deixam de atribuir o direito passam a ajustar no mercado para "xis" menos o valor teórico do direito. Assim, muito embora o acionista passe a deter uma ação e um direito, por cada ação previamente detida, esse direito teve "preço" e o "preço" pagou-se na desvalorização da ação que lhe deu origem, fazendo deste modo jus à máxima de que não há almoços grátis nos mercados.

Portanto, a reter, se decidir não acompanhar, deve vender os direitos que lhe foram atribuídos. Se não acompanha o aumento de capital e não vende os direitos, isso significa simplesmente que está a perder dinheiro pois uma vez passado o processo do aumento de capital os direitos extinguem-se. Se, por outro lado, decidir acompanhar o aumento de capital, então deve também candidatar-se às já mencionadas ações a rateio. Estas ações não requerem exercício de direitos pois na verdade correspondem a investidores que não exerceram os seus e são ações que estão verdadeiramente a desconto. São de aproveitar!





JOGO DA BOLSA16 de novembro a 11 de dezembro
O Jogo da Bolsa já está no terreno e termina a 11 de dezembro. As diversas classificações serão divulgadas nos dias úteis no site jogodabolsa.jornaldenegocios.pt e na versão impressa do Jornal de Negócios. Até ao final da iniciativa estas classificações serão sempre provisórias e poderão ser alvo de correções.

Todos os dias é retirada uma classificação provisória da Classificação Global, da Classificação Universitária e da Classificação Universo ISCTE Business School, que é divulgada no dia seguinte também no jornal impresso. Às terças-feiras é divulgado o vencedor semanal. O Jogo da Bolsa 2020 é um passatempo organizado pelo Negócios em parceria com a GoBulling e com o ISCTE Business School, e ainda o apoio do Caldeirão de Bolsa. 
Mais notícias