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RD Systems “controla” chamadas angolanas e crime no Qatar

O “cérebro” de algumas das maiores empresas nacionais é desenhado por uma discreta empresa de Matosinhos. A especialista em salas de comando e controlo está no aeroporto de Lisboa e já voou para o Médio Oriente.

27 de Setembro de 2016 às 00:01
Paulo Duarte
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Centro de comando operacional da Refer em Braço de Prata, centro de convergência da Nos no Parque das Nações, cinco salas de controlo e a gestão das duas mil câmaras de vigilância do Aeroporto de Lisboa. São apenas três exemplos nacionais da respeitável lista de projectos que a RD Systems está agora a engrossar com o centro de controlo nacional da Angola Telecom – em conclusão e num contrato superior a dois milhões de euros –, após obras semelhantes noutras operadoras locais, como a Unitel, ZAP e Angola Cables. 

As salas de comando e controlo, onde as grandes companhias centralizam toda a informação e a partir das quais fazem a gestão operacional do negócio, são o nicho de mercado em que opera esta discreta empresa de Matosinhos. A este "cérebro" (no caso da EDP, por exemplo, é onde faz a gestão das redes de distribuição de energia eléctrica,) estão também associados os "data centers", salas de crise, de formação e áreas de descanso. A oferta integra ainda sistemas de segurança electrónicos, que vão desde o controlo de câmaras e de acessos ao reconhecimento de matrículas.

O administrador, Luís Xavier, explica que, por serem "ambientes críticos e salas que trabalham 24 horas por dia", além dos equipamentos informáticos há exigências ao nível da arquitectura, do design de interiores e da ergonomia, envolvendo as condições acústicas, o mobiliário, a iluminação e o conforto. "Tem de ser um espaço em que os funcionários se sintam bem. Esse é o nosso principal elemento de diferenciação", frisa o empresário, para quem essa foi a razão de terem sido escolhidos pelo Ministério do Interior do Qatar para conceber as várias salas "confortáveis e sofisticadas" do novo Centro Nacional de Cibersegurança.

Ligado a este sector há quase duas décadas, em 2004 Luís Xavier juntou-se ao primo, Pedro Tuna, para fundar a Room Dimensions (mudou o nome há três anos) depois da falência da empresa em que trabalhava e que fazia o mesmo. Não sendo uma área fácil para se começar do zero, diz que essa "bagagem" anterior ajudou no arranque da operação, que conta actualmente com nove trabalhadores e escritórios também em Lisboa, Madrid e Luanda.

Em 2015, metade do negócio anual de três milhões de euros foi feito fora do país e no currículo mostra projectos em Angola, Moçambique, Qatar, Cabo Verde, Argélia e Nigéria. E com a selecção recente como centro de competências de arquitectura e design de interiores dos belgas da Barco, uma das principais fabricantes mundiais de "videowalls", prevê chegar a países onde seria difícil estar pelo próprio pé. O arrefecimento da economia angolana, que no último exercício ainda foi o melhor mercado externo, já fez a RD Systems realinhar a mira estrangeira para Espanha.
tome nota Sala de visitas está a chegar às indústrias

Sala de visitas para o marketing

Além da questão operacional e funcional, muitas empresas também usam as salas de comando e controlo como elemento de marketing. "Querem que seja uma sala de visitas porque usam esses espaços para promover a empresa internamente e junto dos clientes e dos accionistas", aponta Luís Xavier.

Custos mais baixos para ir à indústria

Até agora apenas as grandes empresas tinham capacidade para investir nestes projectos. "Agora que o custo da tecnologia vai baixando", começa a abrir-se mercado para outro tipo de clientes, como as indústrias, para quem estes equipamentos eram antes um investimento "proibitivo".

A concorrência que sopra de espanha...

Embora algumas empresas portuguesas comecem a ter "alguma capacidade instalada" para conceber os projectos do desenho à obra civil, o administrador da RD Systems aponta os espanhóis como os maiores concorrentes.

...e o concorrente accionista de lisboa

O sector exige "investimento significativo" e a RD aliou-se à concorrente Casa Serras, que "aportou alguma capacidade financeira para ir a projectos de maior envergadura", conta o gestor. A firma de Lisboa tem até uma participação de 10% no capital, dividido por Xavier (60%), Pedro Tuna (20%) e José Paramês (10%).

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