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Casa Brava: de Paris para Loulé

A Casa Brava é um projeto de turismo rural, de produção de produtos de cosmética naturais, ecológicos, vegan e de origem local, mas é sobretudo uma filosofia de vida, desde 2015.

Maria Ana Barroso 30 de Dezembro de 2019 às 17:00
A Casa Brava retrata o modo de estar de Marco Pinto Filipe Farinha
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A ligação de Marco Pinto a Portugal é verdadeiramente umbilical. É filho de portugueses, tal como a sua mulher, Julie Pereira. Ambos nasceram em Paris e ambos conheciam Portugal das visitas que faziam nas férias. Já casal, o ritmo que tinham na capital francesa era alucinante. "Tínhamos uma vida muito boa. Mas sem alegria", diz o fundador da Casa Brava. E, cada vez que vinham a Portugal de férias, mais difícil era o regresso. "Sentíamos uma energia muito forte quando vínhamos ao Algarve. Em Paris não sentíamos energia nenhuma. É só poluição e gente. Gente zangada", descreve.

Ao mesmo tempo que a vida em Portugal, em concreto em Loulé, se tornava cada vez mais atrativa, com "a alma de uma verdadeira cidade portuguesa", também a forma como encaravam o mundo foi mudando. Abraçaram um ritmo de vida mais "slow", nas palavras de Marco Pinto, uma preocupação em consumir o mais local possível e a atenção ao modo de produção biológico.

Em 2015 mudaram-se para Portugal e em 2016 nasceu a Casa Brava, um projeto que procuram que seja um reflexo da filosofia de vida do casal. Compraram um terreno nos arredores de Loulé que mais tarde se converteu num turismo rural. Este Eco Bed & Breakfast (B&B) só abre alguns meses, coincidentes com o clima mais convidativo.

"Sentíamos uma energia muito forte quando vínhamos. Em Paris não sentíamos energia nenhuma."


"Temos apenas dois quartos e abrimos de abril a final de outubro". O que servem de refeições neste B&B vem da horta que têm na quinta, uma produção em permacultura de onde vêm também os produtos que consomem no ambiente familiar. No B&B, como na vida em família, não entra nada de origem animal. E o objetivo é, "daqui a três ou quatro anos", garantir que a quinta é auto suficiente, até em termos energéticos.

Mas a atividade que desenvolvem não se esgota no turismo rural. Este casal de raízes bem portuguesas tem uma loja em pleno centro de Loulé, onde Marco Pinto recebeu o Negócios, e que constitui um ponto de venda dos seus produtos, grosso modo sabonetes e outros produtos de cosmética. O lema é sempre o mesmo, que este empreendedor faz questão de frisar: ter produtos naturais, ecológicos, vegan e locais. Há ainda o site que vende os mesmos produtos, feitos pelos dois na oficina por cima da loja.

Já os mercados para os quais vendem os produtos estão longe de se confinar a Loulé ou sequer a Portugal. Alemanha, Irlanda, França e Bélgica são alguns deles. Chegaram a vender para o Brasil mas os custos de entrega, ligados às questões alfandegárias, fizeram-nos abandonar esse mercado. Mas, se quando arrancaram, os portugueses não eram sensíveis a este modo de produção e a esta forma de estar, "as coisas estão a mudar muito rapidamente". "Atualmente já temos mais encomendas portuguesas do que estrangeiras", adianta Marco.

Tome nota

"Break-even" deverá chegar em 2020

Este não é um negócio para enriquecer mas oferece a possibilidade de um estilo de vida que de outra forma o casal Marco e Julie não teriam.

Uma nova filosofia de vida
Marco Pinto jura a pés juntos que a vinda do casal para Portugal tem pouco ou nada a ver com qualquer ambição de enriquecer. Pelo contrário. Em Paris tinham uma vida muito mais confortável financeiramente mas já não se reviam naquele ritmo. "O lucro não é muito forte. Temos margens mínimas", garante este lusodescendente. No entanto, preferem trabalhar em menor escala do que perder o modo de vida que escolheram quando vieram para Portugal.

"Break-even" no próximo ano
Ainda que não contem, à partida, fazer fortuna com o seu turismo rural e a produção de sabonetes, Marco e Julie querem ter uma atividade sustentável financeiramente e esperam em 2020 atingir o "break-even" (equilíbrio financeiro).

"Os portugueses não se sabem vender"
Defensor incondicional do país dos pais e dos sogros, que de resto escolheu como casa, Marco Pinto lamenta que os portugueses não se saibam "vender" como deveriam. Ainda assim faz questão de fazer a sua parte e, na loja de Loulé, vende não só os seus produtos mas outros de empreendedores como ele. E na cosmética que vendem, procuram que todas as matérias-primas necessárias à confeção sejam portuguesas. Não só portuguesas como o mais regionais possíveis. 

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