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93 mil garrafas enfeitam história da Unicer

A dona da Super Bock é uma presença imponente em Leça do Balio, com 126 anos de história. No século XXI, a Unicer quer transformar a cerveja numa experiência gastronómica.

Alexandra Noronha anoronha@negocios.pt 27 de Setembro de 2016 às 00:01
Paulo Duarte
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Em 1964 a Unicer tinha uma capacidade anual de produção de 25 mil litros. Hoje chega aos 450 milhões, depois de um projecto de investimento de 100 milhões de euros que concentrou a produção em Leça do Balio.  Rui Ferreira, CEO da cervejeira, mais conhecida pela marca Super Bock, está orgulhoso do percurso da sociedade, que agora é celebrado na nova Casa da Cerveja, uma espécie de museu interactivo onde os visitantes podem tocar e cheirar os ingredientes da cerveja. 

"Não lhe chamaria um projecto turístico. É um circuito de visitas em que nós pretendemos mostrar o que são as nossas credenciais cervejeiras, como fazemos e o que envolve", contou Rui Ferreira, que conhece bem os cantos à casa. 

Quem visitar a Casa da Cerveja está, literalmente, rodeado de garrafas de Super Bock. Uma parte da estrutura foi construída com azulejos compostos por 96.300 garrafas, em bocados bem visíveis nas paredes. Cláudia Santos, que guia os visitantes pela história de 126 anos da Unicer, explica que a empresa extrai a própria água, que pode chegar a compor 99% da cerveja.

Além disso, a dona da Super Bock compra toda a produção de lúpulo nacional, uma planta essencial ao fabrico da cerveja, responsável pela espuma e pela acção antibacteriana . E se mais houvesse, mais comprava. "Há apenas dois produtores em Trás-os-Montes e nós asseguramos todo o escoamento deles. A produção nacional não é suficiente. É uma ínfima parte, que não chega aos 5%" do que é necessário, contou Rui Ferreira.

Uma mini-fábrica para cervejas especiais
A visita passa pela mini-fábrica de cerveja, onde são produzidas as "especiais" como a 1927, de forma artesanal. "O objectivo é ter um portfolio que corresponde ao desejo do consumidor, para ter a possibilidade de não beber todos os dias a mesma cerveja", explicou o CEO da Unicer.

A empresa quer que a cerveja seja uma experiência mais gourmet, ainda que Rui Ferreira recuse usar essa palavra. "Chamamos a estas cervejas ‘especiais’, feitas segundo métodos artesanais, que preenchem um essencial de sabores e harmonizam muito bem com a gastronomia.  Mas não são feitas para ser gourmet", garantiu. Entre as sugestões que Marta Fraga, que na área do bar, na Casa da Cerveja, dá a quem por lá passa, conta-se um produto para acompanhar doces.

Nos últimos anos a empresa investiu na parte industrial, concentrou produção em Leça do Balio e encerrou em Santarém.

A estas alterações não é alheio o estado do mercado. "O nosso maior desafio tem a ver com a diversificação de mercados e procura de mercados alternativos. O que ainda é mais premente associado ao facto de que o mercado angolano praticamente desapareceu", explicou Rui Ferreira. A empresa vende para mais de 50 países, mas quer continuar a expandir-se lá fora.

A procura da diversificação também levou a Unicer a apostar numa "beer table" que está em funcionamento no Mercado da Ribeira, em Lisboa. "Damos a possibilidade ao consumidor de tirar a sua própria cerveja", num sistema que envolveu muita tecnologia, porque inclui um terminal de pagamentos, com um cartão. A cerveja de pressão é uma tradição em Portugal, que se evidencia nos negócios da Unicer com as vendas do barril.

"Os pontos de venda têm que ter novidade e conceitos completamente diferentes. Hoje não é só produzir, engarrafar e mandar para o mercado", salientou o CEO.

A Unicer está presente, entre outros, também no mercado da  águas (Água das Pedras por exemplo) e mais recentemente das sidras, com a Somersby. Esta categoria "era residual há cinco anos e representa algo na casa dos 10 milhões de litros por ano" actualmente, segundo o CEO da Unicer.

A empresa tem uma ligação profunda a Matosinhos, que começa na criação de emprego e no mecenato. Mas um dos impactos menos visíveis é no negócio do porto de Leixões, ainda que nem sempre ao mesmo nível. "Quando estávamos a exportar fortemente para Angola saiam daqui 100 contentores por dia. Isso agora está reduzido. Mas impressiona", realçou Rui Ferreira.

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