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Guilherme Pinto: "Falta de hotéis é a grande pecha da cidade"

Na cidade do porto de Leixões, da Exponor e de grandes indústrias, respira-se cada vez mais cultura, design, arquitectura e inovação. Mas, com os turistas a chegar, clama por mais hotéis. Entrevista ao presidente da Câmara de Matosinhos, Guilherme Pinto.

27 de Setembro de 2016 às 09:00
Paulo Duarte
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O presidente da Câmara de Matosinhos, Guilherme Pinto, diz que conseguiu "dar a volta ao paradigma" do concelho e que vai avançar com uma série de intervenções de regeneração urbana, prometendo construir mais praças.

Está a pouco mais de um ano do fim do seu terceiro e último mandato à frente da Câmara de Matosinhos. Como gostava de ser recordado?

 Eu gostava de ser recordado como alguém que conseguiu concluir tudo aquilo que era infra-estruturas básicas – saneamento, educação, edifícios de acção social… – e dar a volta ao paradigma do concelho, que tinha características ligadas à logística e à restauração, agora aberto à criatividade e à inovação, nomeadamente nas áreas do design, da arquitectura e da cultura.

Assinou há um mês, finalmente, o contrato de financiamento comunitário PEDU. Quais são os projectos de referência aqui inscritos para o concelho?

Temos a expectativa de vir a ser financiados na Casa da Arquitectura, na Casa do Design, na Casa da Diáspora, assim como na renovação da zona da restauração, que é um ex-líbris de Matosinhos, e na construção de praças.

Em termos de atracção de investimento empresarial, que resultados tem para mostrar?

Nessa área, estou extremamente satisfeito. Desde logo porque trouxemos o CEIIA [centro de engenharia] para o centro do concelho, e foi em Matosinhos que a Galp fez um dos seus grandes investimentos e onde a Unicer concentrou toda a sua actividade. E conseguimos atrair a Oporto Business School, e o pólo de mar da Universidade do Porto está em fase de instalação no terminal de cruzeiros de Leixões...

perfil Independente "rosa" "Sou Touro do primeiro decanato!" Dono de uma voz bastante grave e pouco sedosa, é sob o signo da "rosa" que Guilherme Pinto palmilha o seu último ano à frente da Câmara de Matosinhos, Depois de ter sido deputado municipal, vereador e vice-presidente, chegou à liderança da autarquia em 2005. Desfiliou-se do PS para ganhar as últimas autárquicas, como independente, mas deverá regressar ao mesmo partido pelo qual também já foi deputado na Assembleia da República. Nascido a 21 de Abril de 1959, formou-se em Direito, é casado, tem duas filhas e gosta de ler, ver cinema e de viagens. Clube? É do Leixões, claro. "E do Benfica!"

É caro o preço dos terrenos em Matosinhos...

Há aqui um problema grave pelo facto de termos o nosso solo bastante valorizado, mas temos, neste momento, muitas empresas que estão a procurar o nosso concelho. Sobretudo na zona de Matosinhos-Sul, onde vai haver uma revolução completa com o surgimento de novas unidades hoteleiras, que é algo que quase não existe em Matosinhos...

Matosinhos tem falta de hotéis?

É a grande falha, a grande pecha destes [seus] mandatos – foram construídos alguns hotéis, mas não em número suficiente. Há claramente um défice  nesta área.

E não tem nenhum hotel em construção ou a arrancar?

Nenhum. Estão previstos uns cinco, boa parte deles topo de gama. Um deles até já tem uma licença – seria o único hotel entre Espinho e Póvoa de Varzim com frente de mar. Agora o importante é que tivessem financiamento.

Desfiliou-se do PS para voltar a ganhar as últimas eleições para a Câmara de Matosinhos. Vai voltar ao PS?

Tive um convite muito simpático do secretário-geral, António Costa, e do presidente da Federação do Porto, Manuel Pizarro, que assinaram a ficha para que eu pudesse preencher os dados. Depois tive um conjunto de gente que disse logo que se eu voltasse a entrar no PS perdia o mandato. Portanto, estou a aguardar o final do mandato para tomar a decisão.

Tudo indica que será a deputada Luísa Salgueiro a candidata do PS em Matosinhos. Conta com o seu apoio?

O PS deu-me garantias de que a escolha decorrerá das negociações entre o meu movimento de independentes e o PS. A dra. Luísa Salgueiro, de quem sou muito amigo, é uma hipótese muito forte.

estratégia Boas contas com um eléctrico chamado desejo A gozar de uma boa situação financeira, a Câmara de Matosinhos que concluir o projecto do Edifício da Real Vinícola, "limpar" os 17 hectares do Parque Real e fazer regressar o eléctrico à cidade.

Finanças municipais "excelentes", paga a 30 dias aos fornecedores

A Câmara de Matosinhos, que conta com um orçamento anual superior a 100 milhões de euros e tem uma dívida de 46 milhões, goza de uma "excelente situação financeira", garante o presidente da Câmara. "Pagamos a 30 dias, portanto, não temos preocupações financeiras", conclui Guilherme Pinto. As obras de requalificação urbana estarão no topo das prioridades do orçamento municipal para o próximo ano.

"Ajustamento" do PDM de 1992 "só para cumprir a lei"

Datado de 1992, Matosinhos é uma das cidades da região Norte com o Plano Director Municipal (PDM) há mais tempo sem revisão. "Porque o PDM que foi feito na altura se mantém bastante actual, pelo que a revisão que vamos fazer é apenas de ajustamento. É só para cumprir a lei", enfatiza o presidente da autarquia, adiantando que, "porque decorre da lei" serão "reduzidos alguns perímetros urbanos".

Reabilitação da real vinícola deverá ficar concluída até ao final do ano

As obras de reabilitação do Edifício da Real Vinícola, abandonado há cerca de 40 anos e adquirido pela autarquia há 15, prosseguem a bom ritmo, num investimento de oito milhões de euros. "A nossa expectativa é que a obra se conclua até ao final deste ano, para em Maio termos a primeira grande exposição", adiantou o presidente da autarquia. Este complexo vai albergar a Casa da Arquitectura e a Orquestra de Jazz de Matosinhos.

Desmantelamento dos depósitos de combustíveis perto do fim

O desmantelamento dos depósitos de combustíveis da Galp, Repsol e BP, situados nos 17 hectares do Parque Real, em Matosinhos-Sul, é uma realidade. "Espero que dentro de um ano já não haja ali depósitos", ordena o presidente da autarquia. Sobre o que vai acontecer nesta enorme área do concelho, Guilherme Pinto deixa esse desafio para o próximo executivo municipal.

Matosinhos quer voltar a ligar-se ao Porto por eléctrico

Matosinhos está disponível para discutir a gestão das linhas de eléctrico, sob a alçada da STCP, lançando o desafio ao Porto para que seja restabelecida a ligação entre as duas cidades. "É uma grande ambição de Matosinhos. O problema é que nós queremos muito e o Porto não quer", lamenta o autarca Guilherme Pinto.

Obras na secundária do padrão da légua retomadas após quatro anos 

A Parque Escolar retomou este mês as obras de recuperação da Escola Secundária do Padrão da Légua, que tinham sido interrompidas em Maio de 2012. "Foi uma vergonha [essa paragem]", considera o autarca. A obra, agora da Lúcios, está orçada em 12,8 milhões e estará concluída até ao início do ano lectivo de 2017-2018.

ANÁLISE SWOT

A "sala de jantar" de dois Pritzker

Forças

. Localização geoestratégica Acessibilidades rodoviárias excelentes, proximidade ao aeroporto e a exis-tência do porto de Leixões.
. Gastronomia Considerada a "sala de jantar" do Grande Porto.
. Património arquitectónico Obras no território dos dois Pritzker nacionais (Siza Vieira e Souto Moura).

Fraquezas

. Hotelaria Autarca assume que a falta de hotéis é a principal "pecha" da cidade.
. Transportes públicos Cobertura insuficiente das freguesias situadas a norte e a nascente do concelho.
. Carcaças industriais Grandes zonas de edificado afectadas pela desindustrialização.

Ameaças

. Terminal de contentores A não decisão sobre a sua expansão ameaça a competitividade de Leixões.
. Investimento público Restrições legais em matéria orçamental que condicionam o investimento.
. Petrogal A refinaria da Petrogal, com ligação ao porto de Leixões, não é ambientalmente inócua.

Oportunidades

. Turismo Crescimento da procura dirigida ao Porto e sua envolvente. Novo terminal de cruzeiros de Leixões nos roteiros internacionais.
. Atracção empresarial Capacidade de atracção de novas empresas para a malha urbana, dada a exis-tência de grandes naves industriais abandonadas.

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