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Provavelmente, o melhor peixe do mundo

A proximidade do mar e o empurrão de um empresário local substituíram qualquer estratégia e atribuíram à restauração o título de maior empregador de Matosinhos.

António Larguesa alarguesa@negocios.pt 27 de Setembro de 2016 às 00:01
Paulo Duarte
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O cheiro inebriante que vem das cozinhas e dos fogareiros a carvão tanto pode substituir as coordenadas GPS nos últimos metros de estrada, como ser a mensagem de boas-vindas na chegada ao maior "cluster" europeu de restaurantes por metro quadrado. Matosinhos tem perto de 600 locais de repasto, concentrados sobretudo nos antigos quarteirões da cidade.

Nestas contas à mesa, a soma de duas lotas – a de Matosinhos e de Angeiras – e de dois eixos principais – a rua Heróis de França e a avenida Serpa Pinto – dá um resultado apetitoso de uma indústria que Rui Sousa Dias, presidente da Associação de Restaurantes de Matosinhos, tem "a certeza que é uma das mais importantes, quer em termos de emprego quer em termos de receitas".

O vereador da Cultura e Turismo, Fernando Rocha, calcula que emprega directamente cerca de oito mil pessoas – envolvendo mais do dobro de forma indirecta, desde fornecedores de peixe a serviços como lavandarias, limpezas ou manutenção de máquinas –, atestando ser "indiscutível" que a restauração é o maior empregador do concelho.

O segredo para o sucesso começa pela sorte de estar junto a portos de pesca que facilitam o acesso a matéria-prima fresca e de grande qualidade, e prossegue pelo talento a tratar e preparar o peixe de forma natural. "Escalar, pôr um bocadinho de sal, grelhar e levar à mesa", descreve o dirigente associativo, que abriu o Valentim em 2004 e actualmente é também dono do Dom Peixe.

Rui Sousa Dias esteve ligado à têxtil através de um negócio de família que englobava empresas no Porto e em Guimarães, mas quando essa indústria "começou a entrar num percurso complicado", com a fuga dos clientes das grandes séries, decidiu que "era altura de mudar de ramo e procurar algo que tivesse perspectivas de crescimento futuro".

Nos anos 1970 havia "meia dúzia de restaurantes de qualidade, que se calhar não chegavam aos seis", recua o vereador. Na origem deste "fenómeno" com pouco mais de duas décadas emerge um nome: o de Henrique Torres, um funcionário que se tornou empresário de sucesso, ligado à fundação de seis projectos que se tornaram referências locais, como A Marisqueira de Matosinhos e o Proa. "Abria, fazia a casa e passava. Tinha, à época, uma visão bastante à frente", frisa Fernando Rocha.

"Foi um fenómeno que aconteceu. Não houve estratégia", reconhece o responsável político. Mas agora que ele existe, a autarquia tenta puxar por esse "cluster", sem se preocupar com "o epíteto de ser a sala de refeições do Grande Porto". Aproveitando também a onda do turismo no concelho vizinho, avançou com a marca promocional "World’s Best Fish". O melhor peixe do mundo? Provavelmente.
A frase Estrangeiros na mira à "sombra" do vizinho

A marca "World’s Best Fish" está a ser usada há três anos pela autarquia nas feiras profissionais de turismo para colocar Matosinhos na rota dos que vêm pelo Porto.

Em inglês e à boleia do rally de Portugal

A Câmara de Matosinhos criou há três anos a marca World’s Best Fish (melhor peixe do mundo) para "distinguir" um produto que mexe com a economia e o emprego na cidade. Lançada em inglês por ser dirigida exclusivamente à promoção externa, surgiu pela primeira vez quando o Rally de Portugal voltou ao Norte, aproveitando a presença de milhares de estrangeiros que se deslocaram à região. A marca era para ter durado apenas um ano, mas "correu tão bem que deixámos ficar", detalha o vereador.

"Prender pela boca" os europeus

Espanha, França, Alemanha, Inglaterra e alguns países nórdicos que começam também a "exportar" turistas para o Porto são os principais alvos dessa campanha de promoção. É a esses países que a autarquia tem levado a nova marca, através da participação em feiras de turismo.

Porto: problema ou oportunidade?

Em termos de promoção turística, Matosinhos tem "um problema que tem de entender como uma oportunidade": a marca Porto "suplanta todas as outras", reconhece Fernando Rocha. Porém, já percebeu que tem de aproveitar o fluxo crescente de turistas que chegam ao aeroporto  Sá Carneiro e tentar desviar uma parte para o concelho. Isto além dos que chegam em cruzeiros ao novo terminal de Leixões, que este ano já serão mais de 120 mil.

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