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Paulo Vistas: "Oeiras concorre com Madrid e Barcelona"

O presidente da Câmara de Oeiras não gosta de ouvir que o seu concelho concorre com Lisboa na captação de investimento. Para o autarca, Oeiras concorre com Madrid ou Barcelona.

Sara Matos
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Gaba-se de ser o concelho com maior número de doutorados e licenciados. Com precisão, Paulo Vistas, presidente da autarquia, afirma que Oeiras tem 172.952 residentes, e que todos os dias entram e saem 40 a 50 mil pessoas por causa do trabalho. Oeiras, diz, ainda tem espaço para mais empresas, mas nem todas têm ali cabimento.


A Câmara de Oeiras tem de fazer algum esforço para captar empresas ou os parques empresariais fazem esse trabalho?
É um trabalho de equipa. Há uma proximidade muito grande entre entidades que gerem os parques e o município.

É possível continuar a chamar empresas para o concelho?
O patamar que atingimos em termos de fixação de empresas é, ele próprio, um elemento fundamental para atrair outras empresas. As empresas de base tecnológica vêm para Oeiras porque é onde estão outras grandes empresas. Isso faz com que continuem a chegar empresas a Oeiras. E há também um conjunto de empresas de menor dimensão que gravitam em volta das grandes.

Mas isto significa que a Câmara não precisa de ter um gabinete de captação de investimento?
O presidente da Câmara tem uma manhã por semana dedicada a receber potenciais investidores. À terça-feira de manhã temos uma reunião onde estão os dirigentes de planeamento e gestão urbanística, da área jurídica e do licenciamento. É no fundo um atendimento personalizado.

Isso agiliza licenciamentos?
Agiliza essencialmente a decisão. Essas reuniões permitem logo dizer se um investimento tem ou não tem cabimento em Oeiras. Há investimentos que não têm cabimento em Oeiras.

Já recusou investimentos?
Claro. Nós somos um território de serviços de base tecnológica. Nós não temos no nosso modelo estratégico cabimento para indústria pesada ou outras actividades que não se coadunem com o nosso modelo de desenvolvimento.

Quer ser associado apenas à ciência e tecnologia?
Não quero ser, eu sou associado. Investigação científica, centros académicos, empresas na área das TIC e biotecnologias. Ainda recentemente recebemos no Taguspark uma das maiores empresas mundiais que é a Novartis.

Mas aí perdeu a Microsoft... Perdeu algum grande projecto que gostasse de ter tido?
Sim, o IPO. Entendíamos o IPO não apenas como um hospital mas como um centro de investigação e desenvolvimento.

E a Fundação Champalimaud?
Não tanto, porque nunca esteve prevista vir para Oeiras. Não somos bairristas a esse ponto … queremos é que a influência dessas instituições se faça sentir em Oeiras.

Oeiras concorre com Lisboa?
Oeiras não concorre com Lisboa. Concorre com Madrid, com Barcelona. Nós somos da grande área metropolitana de Lisboa. As empresas de Oeiras são geradoras de emprego para Lisboa e vice-versa. O que Lisboa tem é de ser vanguarda na captação de investimento na Europa e fora da Europa. Acho que Lisboa não se deve permitir dizer que concorre com Oeiras. Eu sinto-me um cidadão da grande área de Lisboa.

Quando concorre para atrair investidores acena com o quê? Impostos?
Não concorremos pelo preço. No que diz respeito às empresas temos taxa máxima. Nós concorremos pela qualidade, não pelo preço.

Tem resultados positivos de 47 milhões. Como?
Temos uma gestão rigorosa e cuidada. E um planeamento estratégico de médio e longo prazos.

E 65 milhões de dívida...
O endividamento foi no âmbito do Programa Especial de Realojamento, que temos vindo a amortizar. Temos uma boa situação financeira e boa liquidez, pese embora sejamos contribuintes activos do FAM [Fundo de Apoio Municipal].

Não concorda?
Parece que não vale a pena sermos bons alunos. A Câmara tem uma situação financeira estável, gera liquidez e tem políticas sociais. Pagamos 50% da factura de medicamentos aos nossos idosos, com mais de 65 anos. Estamos a falar por ano de meio milhão. Geramos resultados, mas não deixamos de apoiar quem precisa.

Entende que não devia ser solidário com outros municípios que não foram bons alunos?
O princípio da solidariedade deve existir mas para isso existem os impostos. Se há concelhos que têm dificuldade não têm de ser os outros concelhos a disponibilizar verba para os viabilizar. A administração central é que devia criar condições e alimentar os fundos necessários, neste caso o FAM, para que os municípios que estão em dificuldades os fossem buscar.

Contestou?
Sim. Colocamos no FAM por ano 7 ou 8 milhões. Que é dinheiro do município que tem de estar disponível para outras coisas.

perfil O sucessor de Isaltino  Amigo de Isaltino Morais e durante anos seu vice-presidente na Câmara de Oeiras, Paulo Vista  sucedeu-lhe na sequência do pedido de suspensão do mandado e foi depois eleito nas últimas autárquicas pelo movimento "Isaltino, Oeiras Mais à Frente". Nascido em Dezembro de 1971 e licenciado em gestão de empresas, Paulo Vistas entrou como estagiário na autarquia em 1997, tendo ocupado diferentes cargos. Em 2004 e 2005 desempenhou funções de subdirector geral dos Registos e Notariado. Tornou-se militante do PSD em 1990, tendo chegado a liderar a juventude e o partido em Oeiras. 



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