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Director-geral da Hikma: "Se depender de Portugal, ganho ou perco tudo"

O director-geral da multinacional Hikma, Riad Mechlaoui, considera que o mercado português "é muito difícil", pelo facto de os negócios dependerem, em grande parte, de concursos públicos. Apenas 4% do que é produzido na fábrica de injectáveis genéricos de Sintra é vendido em Portugal.

Sara Ribeiro sararibeiro@negocios.pt 22 de Setembro de 2015 às 00:01
Bruno Simão
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Porque decidiram investir em Portugal ?

Queríamos um sítio para investir na Europa. Portugal é um país pequeno e não tinha muitas multinacionais na altura (1988). Por isso, era um país atractivo para pequenas empresas como a nossa.

E Sintra concretamente ?

Não houve nenhuma razão em particular além de termos encontrado um terreno barato e suficientemente grande.

E quais são as desvantagens?

Desapareceram. Antes não tinha muitos acessos. No início de 1989 o trânsito para chegar a Lisboa era muito complicado, mas agora já há infra-estruturas e há mais vantagens do que desvantagens em estar em Sintra.

Que medidas considera que o governo local devia implementar para captar mais empresas?

Os governos controlam tudo e ao mesmo tempo são os nossos clientes.
 Riad Mechlaoui
Director-geral da Hikma

A electricidade e a água não são baratas. Os maiores incentivos para a instalação de uma empresa são a atractividade financeira. E é necessário que a cada dois dias não haja um corte de electricidade. É um problema que temos muito no Verão, por exemplo....

Quem são os principais clientes da Hikma em Portugal?

Portugal funciona muito por concursos públicos. O negócio em Portugal é muito difícil. Vendemos 4% do que produzimos aqui em Portugal.

Porquê?

A Europa é muito diferente dos EUA. Cá os clientes são os governos e está tudo regulado: são eles que decidem os preços, o que é aprovado... eles controlam tudo e ao mesmo tempo são os nossos clientes. Nos EUA, se for o único a produzir determinado medicamento posso cobrar mil dólares. Aqui os preços são tabelados. Há um preço máximo. Mas claro que ninguém vende a esse preço. Para o governo garantir o menor preço possível abre um concurso. O problema é que só um irá vender. Se depender de Portugal, ganho ou perco tudo. Por isso, sou obrigado a baixar o preço, caso contrário não tenho negócio durante um ano.

O presidente da Câmara de Sintra está a estudar construir uma universidade focada na área da saúde. Como vê esta medida?

Adorávamos ser parceiros deles. O problema, a nível global, é que há escolas com boa formação em farmácia, engenharia, medicina... mas não há nenhuma que ensine a fazer medicamentos. E se Sintra está realmente a pensar nisso, acho que iriam exportar muito talento, muitos trabalhadores certificados para toda a Europa e para o mundo.

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