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Europac avalia investimento "monstruoso" na fábrica de Viana

O grupo espanhol tem em cima da mesa um plano para investir 200 milhões de euros para aumentar em 80% a produção de papel “kraftliner” nesta fábrica, que emprega 350 pessoas e produz energia suficiente para abastecer todo o distrito.

António Larguesa alarguesa@negocios.pt 28 de Março de 2016 às 20:00
Paulo Duarte
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A Europac está a analisar a expansão em 80% da capacidade produtiva da fábrica de Viana do Castelo, sobretudo através da compra de novos equipamentos. "Estamos a falar de um investimento monstruoso, na ordem dos 200 milhões de euros", calculou ao Negócios o director da unidade industrial, que produz 425 mil toneladas de papel por ano. Traduzido em metros lineares, daria para percorrer mais de uma centena de vezes a distância entre Lisboa e Moscovo. No final de cada dia, a folha resistente com sete metros de largura que sai da máquina de 200 metros de comprimento para se enroscar ainda quente numa bobina gigante, chegaria para ligar Valença a Marrocos.

É de longo prazo e ainda não está totalmente fechado este plano que está em cima da mesa do grupo espanhol, que desde 2005 controla a fábrica em exclusivo – antes formou com a Sonae uma "joint venture" que venceu a privatização no início do século. É que, sustentou Mário Amaral, "quando se fala num investimento deste volume é preciso ter muita cautela porque há uma série de factores que tem de ser considerada para garantir que isto é bem-sucedido e não arruina a empresa".

Em década e meia, a produção praticamente duplicou, beneficiando de investimentos avultados mas diluídos no tempo. "Foi feito à custa de reformas, passo a passo. Do que estamos a falar agora é de uma revolução", entusiasma-se o gestor, que ouve de seguida Álvaro Urdiales colocar alguma água castelhana na fervura portuguesa: "Há um plano estratégico 2015-2018 com objectivos concretos e este investimento em Viana é para um prazo mais longo do que esse". O director de operações da divisão papel da Europac lembra que este é "um sector de capital intensivo, com máquinas muito caras", em que o retorno em dois a quatro anos "já é muito bom".

"Coração" industrial

Inaugurada três meses antes da revolução de 1974, esta fábrica é a única do grupo e uma das sete na Europa a produzir papel "kraftliner" (um termo sueco que significa papel resistente), usado para fazer caixas de cartão canelado que embalam os "packs" de cerveja ou transportam frutas e legumes para supermercados. Ao contrário do outro, que está em quebra, o papel para embalagens cresce 2% ao ano. "Sabemos disso e que os investimentos necessários para alimentar tudo isto dependem também de movimentos da concorrência", admitiu Urdiales.

Com uma quota de exportação de 80% – e parte das embalagens são também enviadas pelos clientes portugueses para o exterior –, Espanha e Alemanha são os dois melhores mercados internacionais para esta indústria, que é também a maior consumidora de papel reciclado em Portugal. Um terço da produção é escoado através do porto de Viana, a  três quilómetros da fábrica que é a melhor cliente, rumo a três portos europeus onde tem entreposto e armazém: Bremen (Alemanha), Terneuzen (Holanda) e Livorno (Itália).

Esta é uma das vantagens competitivas, a par da facilidade de aprovisionamento de madeira, que foi aliás um dos motivos para se ter instalado na capital do Alto Minho esta unidade, da qual dependem 60% dos resultados do grupo. "Viana faz dos melhores papéis do mundo em termos de características. É a nossa melhor fábrica e, em termos fabris, é o coração da Europac. Temos a intenção de ficar aqui para sempre", declarou o engenheiro espanhol.

Uma importância que se comprova também por, ao contrário do habitual nas multinacionais, concentrar aqui a gestão da logística e das vendas do papel produzido pelo grupo também em Espanha e França. Uma tarefa centralizada que absorve um terço dos 350 trabalhadores, 30% deles licenciados – e as estatísticas do sector dizem que cada emprego directo gera sete indirectos. "Esta é uma fábrica intensiva em capital, em máquinas e em engenheiros que sabem manejá-las. Por vezes deslocam-se equipas, mas isto não se move, as fábricas não se movem", sentenciou Álvaro Urdiales.

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