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Presidente da Câmara: "Já virei a página dos estaleiros. Lutarei para apoiar a West Sea"

Viana do Castelo ferve de actividade empresarial, sobretudo nos sectores do papel, automóvel e energias renováveis. E o presidente da autarquia acredita que, com o grupo Martifer, a cidade poderá reganhar o estatuto de baluarte da indústria naval.

Rui Neves ruineves@negocios.pt 29 de Março de 2016 às 09:00
Paulo Duarte
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José Maria Costa desfia, com orgulho, a série de novas fábricas e ampliações industriais em curso no concelho que lidera. E anuncia o reforço da aposta na reabilitação urbana, onde estima um investimento de 60 milhões de euros até 2020. Sobre os estaleiros navais, o presidente da autarquia  continua abrasivo nas críticas à opção estatal de fechar a empresa, mas garante que já virou a página, prometendo "lutar" para apoiar a subconcessinária West Sea.

No âmbito do plano estratégico de Viana do Castelo até ao final desta década, quais são os grandes focos da autarquia?

 O primeira é o acolhimento empresarial, num grande esforço não só para apoiarmos as empresas que estão cá instaladas mas também para acolhermos novas empresas. Um segundo foco prende-se com a economia do mar, que é um sector estratégico, não só pela nossa tradição mas também pelas competências que já temos. Em terceiro lugar, a reabilitação urbana, à qual temos vindo a dar uma atenção especial desde 2010. E, por último, a área da educação, cultura e coesão territorial, apostando no desenvolvimento harmonioso de todo o concelho.

O peso das multinacionais no "ranking" das maiores empresas de Viana é esmagador, com as de energias renováveis em destaque. Trata-se de um sector em que o concelho pode ser considerado um centro de competências do país?

Nós olhamos para o acolhimento empresarial de forma integrada, pelo que, naturalmente, procuramos ter também aqui centros de competências. As energias renováveis são, de facto, um centro de competências do concelho. Temos o maior "cluster" eólico do país, através de um tecnólogo alemão que se associou à EDP para a construção de mais de 40 parques eólicos em todo o país e que, neste momento, está a trabalhar a 100% para exportação. Mas Viana do Castelo tem uma grande diversidade de áreas produtivas – não temos uma monocultura industrial, embora nos últimos anos haja um aprofundamento nos sectores das energias, do automóvel e do papel.

Em matéria de atracção de investimento privado, o que é que está na forja?

Temos neste momento 13 novos empreendimentos em curso – oito sociedades que estão a ampliar ou a relocalizar as suas empresas e cinco novos investimentos. Exemplo: a fábrica de papel Fortissue vai construir uma nova unidade.

Qual é o investimento global associado a esse 13 projectos industriais?

Cerca de 72 milhões de euros.

Entretanto, a West Sea (do grupo Martifer), subconcessionária dos estaleiros navais de Viana, já emprega cerca de 200 pessoas e está a laborar em pleno. Reconhece que o seu pessimismo relativamente ao futuro dos estaleiros não se confirmou?

Tenho exactamente a mesma opinião que tinha na altura. Discordei da opção política do anterior Governo, com o Estado a abdicar de uma empresa estratégica e que correu o risco de perder esse centro de competências.

Mas, tendo em conta a evolução da actividade da West Sea, reconhece que a nova vida dos estaleiros está a correr melhor do que previa?

Eu luto e lutarei para apoiar a West Sea. Isto não é como a música do Tony de Matos – "Oh tempo volta pra trás". Eu já virei a página.

Acha possível que Viana recupere o estatuto de baluarte da indústria naval??

Acredito, mas vai levar alguns anos.

A regeneração urbana é outro dos pontos fortes do plano estratégico do concelho. Qual é o investimento previsto nesta área até 2020?

Cerca de 60 milhões de euros, 40 dos quais privado. Trata-se de números razoáveis, porque entre 2010 e 2015 tivémos um investimento de 31 milhões de euros em toda a área de reabilitação, dos quais 12 milhões foram aplicados por privados no centro histórico. Vamos apostar nas chamadas periferias, que são normalmente territórios mais desqualificados. Temos uma opção clara por Darque, zona poente da cidade.

A autarquia prevê criar algum fundo de apoio nesta frente estratégica?

Vamos criar um fundo de apoio à reabilitação de património de valor artístico, porque este é um tipo de apoio que não está previsto no âmbito dos apoios estatais para a reabilitação. Vamos lançar já este ano um primeiro valor de 250 mil euros. E já temos uma primeira proposta, tendo em vista a rebilitação da Capela das Malheiras, um ícone de Viana do Castelo que está a precisar de uma grande reforma.

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perfil Um leonino do Vianense Não é fácil encontrar portistas em Viana do Castelo. O Benfica domina e o Sporting tem muitos adeptas na cidade, entre os quais o presidente da autarquia. "Sou sócio do Vianense, mas o meu primeiro clube é o Sporting Clube de Portugal", esclarece José Maria Costa, que acaba de resgatar o clube da terra da falência. Nascido em 1961, casado e com uma filha, o autarca formou-se em Engenharia Química e foi quadro superior dos Estaleiros Navais de Viana do Castelo entre 1986 e 1994. Vereador da Câmara Municipal de Viana de 1998 a 2009, ganhou nesse ano a presidência do município nas listas do PS e foi reeleito, com maior absoluta, em 2013. Entre outros cargos, Costa preside também à CIM – Comunidade Intermunicipal do Alto Minho.
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