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BA Vidro brinda às compras com Super Bock e Mateus Rosé

O grupo vidreiro está a negociar três aquisições no estrangeiro para juntar às sete fábricas em Portugal, Espanha e Polónia. No quartel-general de Avintes produz cem milhões de garrafas por mês, que dão corpo às marcas da Unicer e Sogrape.

António Larguesa alarguesa@negocios.pt 20 de Outubro de 2015 às 00:01
Paulo Duarte
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Ir às compras "está e estará sempre em cima da mesa" da BA Vidro. Literalmente. A CEO, Sandra Santos, aponta para a secretária onde repousam quatro dossiês de aquisição de empresas em geografias distintas – três deles com negociações em curso –, prevendo "novidades" no início do próximo ano.

Mais de um século depois de nascer, em 1912, como Barbosa e Almeida e com um capital inicial de três contos de reis, soma três fábricas em Portugal, duas em Espanha e duas na Polónia. Emprega 2.200 pessoas e nas contas consolidadas de 2014 registou vendas de 515 milhões de euros em meia centena de países, de Cuba a França, e lucros de 86 milhões.

É em Avintes, nos confins de Gaia, que está o quartel-general e a maior fábrica portuguesa (as outras estão na Marinha Grande e Venda Nova), lembrando à entrada dos 350 trabalhadores uma conta de somar corporativa: "sonhos + rigor = êxito". Um outro cartaz, escrito em inglês e design moderno, recorda-os que "impossível significa que ainda não encontrámos a solução". Embora mais impraticável seja suportar a temperatura – no Verão chega a 50 graus – que emana dos fornos que produzem uma média mensal de cem milhões de garrafas de vidro.

A divisão por cor gera uma segmentação quase natural nas fábricas. Esta trabalha em exclusivo para bebidas: o âmbar é usado para cervejas e o verde essencialmente para vinhos e "loiras" como Carlsberg ou Heineken. Se no total das unidades portuguesas a quota de exportação bate 65%, aqui a percentagem baixa para 15%, explicada pela proximidade com grandes clientes, como a Unicer (dona da Super Bock) e a vinícola Sogrape, que produz em Gaia a icónica garrafa do Mateus Rosé. A catalã Freixenet, produtora de "cavas", é outra cliente de referência.

A "semente" da gestão

As cinco fábricas ibéricas são geridas em conjunto, pelo que quem responde à encomenda depende da análise ao cronograma de entregas ou aos custos logísticos. A distância coloca fora desta gestão as unidades polacas, que detém desde 2012. Sandra Santos, 44 anos, aponta a compra de empresas como "a segunda agenda da companhia" e explica por que construir fábricas de raiz não é hipótese. "Na Europa há excesso de capacidade e seria apenas para o preço descer. Em países que não conhecemos é demasiado arriscado, sem a retaguarda de outras fábricas, formar trabalhadores para produzir 24 horas por dia e 365 dias por ano".

A "grandessíssima" dificuldade é encontrar quem venda. Quando essa disponibilidade surge, o constrangimento tem sido o preço: "Vamos às compras mas não por qualquer preço. Não levamos o cheque em branco". Por isso, admite a gestora, já perdeu este ano a corrida pela francesa Verallia para os americanos da Apollo e uma empresa "encantadora" no México, entregue a um operador local que "estava a defender o seu mercado e pagou um preço verdadeiramente astronómico".

A relevância internacional da BA Vidro germinou das sementes lançadas por Carlos Moreira da Silva, o actual "chairman", que assumiu a presidência executiva em 1998 e seis anos depois comprou a participação da Sonae, dividindo o capital com a família Domingues. "Fez a viragem, trouxe práticas de gestão que não existiam", relata a CEO, que trocou a banca pela função de "controller", que até aí nem sequer havia. O grupo domina hoje 25% do mercado ibérico e concorre com gigantes como a Vidrala e a Owens-Illinois.

O principal rosto da inovação são os dois novos artigos que, em média, coloca todas as semanas no mercado, em resultado do triplo dos projectos iniciados no departamento de design e desenvolvimento. Resultam da relação com os clientes que Sandra Santos não quer que seja de compra e venda, sob prejuízo de só se discutir preço. Pelo contrário, chama as equipas de compras, marketing, financeira, produção e tecnológica dos clientes para, em conjunto, encontrar poupanças e afinamentos de performance nas linhas de produção, no transporte ou armazenamento.

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