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Presidente da Câmara de Viseu: "É errado andarmos a procurar fora o que está na proximidade"

António Almeida Henriques definiu o seu programa de governo para 10 anos. Ainda não chegou a meio do mandato para o qual foi eleito, mas garante que a estratégia está definida. A pensar nos fundos comunitários. Viseu quer mais empresas. Mas também mais pessoas.

Bruno Simão
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Viseu quer entrar na antena dos investidores. Criou um gabinete de apoio, pretende duplicar a absorção de fundos comunitários e quer desmaterializar a relação com os munícipes. Ainda assim as empresas queixam-se de burocracia. Almeida Henriques garante que já desbloqueou metade dos seis mil processos pendentes que estavam na Câmara quando assumiu a presidência, alguns com 20 anos.

 

Viseu é rotundas e a Visabeira?
Não, é muito mais do que isso. São dois mil anos de história e é o concelho que mais cresceu no interior, 20 mil pessoas nos últimos 20 anos. Obviamente, a Visabeira é um marco muito importante, talvez a principal âncora económica deste território.

 

Viseu tem hoje
as infra-estruturas que muitas cidades ambicionariam 
António Almeida Henriques, Presidente da Câmara

Está quantificado o peso real da Visabeira para Viseu?
Representa quatro mil empregos no concelho. Só aqui na sede da Visabeira estão cerca de mil pessoas. Tem hoje operações em 30 países no mundo inteiro. E essas pessoas são formadas aqui em Viseu. Aliás, um dos projectos novos que a Visabeira tem é virado para a criação de uma Academia. Este concelho tem crescido a uma média de mil pessoas por ano.

 

Tem captado investimento novo?
Tentei desde logo criar um gabinete de apoio ao investidor, uma espécie de via rápida para qualquer investidor que aqui chegue. Além de novos investimentos, acompanha as empresas que já cá estão porque é errado andarmos a procurar fora coisas que estão na proximidade.


Isso é feito sob uma dinâmica local ou regional?
Obviamente faço uso de uma  rede de contactos que trago da minha vida empresarial e enquanto governante.

 

É fundamental ter portas abertas em Lisboa?
Quem não tiver rede não funciona. Vou a Lisboa todas as semanas. É obrigatório. Não só para manter a rede de contactos, mas para ir colocando Viseu na antena do investimento.

 

Mas está longe de Lisboa.
Esta é uma cidade média do interior que se conseguir consolidar a posição tem capacidade para a auto-sustentabilidade. Através da criação do gabinete do investidor, no Viseu Investe, estipulámos um código de investimento local, que tanto se adapta a um projecto de 75 mil euros como a um de dois milhões, levando em linha de conta o valor do investimento e os postos de trabalho. E que permite recuperar os impostos pagos no concelho durante um período de tempo.

 

Diminuem à receita do município?
Fazemo-los retornar sob a forma de apoios à criação de emprego. Mas é transparente.


Mas já captou investimento?
Há uma evolução. A Bizdirect e o hospital da CUF são resultado de uma dinâmica. Há muita coisa em "pipeline". Neste momento, tenho mais de 120 processos abertos. Mas tenho um princípio: só quando assino contrato, o torno público.


Apesar das estratégias intermunicipais, no investimento os municípios são concorrentes?
Se tiver a possibilidade de ajudar a potenciar outros concelhos não deixo de o fazer. Mas obviamente a minha preocupação será a de trazer investimento para Viseu, até porque entendo que Viseu não teve, nos últimos anos, uma atitude muito pró-activa na captação de investimento.

 

Está a criticar o seu antecessor?
Não, são opções. Os últimos anos foram muito pautados por uma lógica de investimento infra-estrutural.

 

Rotundas?
Felizmente, Viseu tem hoje as infra-estruturas que muitas cidades ambicionariam.

 

Mas em excesso?
Por acaso, acho que Viseu não tem nenhum elefante branco, ao contrário de muitos concelhos por esse país fora. Honra seja feita ao meu antecessor, que foi fazendo investimentos em infra-estruturas sem criar elefantes brancos.

 

Quanto espera captar de fundos comunitários?
O que defini no meu programa   foi duplicar o volume de fundos comunitários absorvidos pelo território, que terá sido qualquer coisa como 300 a 400 milhões no anterior quadro. Não é relevante que seja o município a utilizá-los, mas podemos ajudar as nossas instituições e empresas a potenciar o acesso.

 

 
Perfil: O presidente especialista em PME
Natural do concelho de Viseu, António Almeida Henriques deixou a secretaria de Estado da Economia e Desenvolvimento Regional para se candidatar às autárquicas de 2013 pelo PSD.
 
Hoje, com 61 anos, casado e pai de três filhos, o advogado regressou às origens depois de ter passado vários anos como deputado, tendo ocupado o cargo de vice-presidente da bancada parlamentar laranja. O desenvolvimento regional e o tecido empresarial, nomeadamente as pequenas e médias empresas (PME), são áreas que domina. Foi, por exemplo, vice-presidente da CIP (Confederação da Indústria Portuguesa). Almeida Henriques acredita poder tirar partido da experiência empresarial para revitalizar a economia de Viseu de quem recebeu uma maioria absoluta.

 

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