A ambição é ter uma década de convergência com a Europa

As empresas portuguesas, em média, têm valores de autonomia financeira idênticos à União Europeia. Houve uma redução do endividamento empresarial, a rentabilidade dos ativos das empresas portuguesas em 2018 foi de 9% e era de 3% em 2015.
A ambição é ter uma década de convergência com a Europa
Pedro Siza Vieira, ministro da Economia, considera a inovação um imperativo.
Inês Gomes Lourenço
Filipe S. Fernandes 24 de abril de 2019 às 15:30
"Hoje os caminhos do futuro são diferentes daqueles que podíamos perspetivar há três anos. Estávamos numa situação em que as empresas, as famílias e o Estado estavam sobre endividados, as empresas estavam com reduzidos níveis de capitalização, o nível de desemprego era ainda muito elevado e tínhamos uma situação frágil nas nossas finanças públicas. Tínhamos um sentimento de emergência", começou por referir Pedro Siza Vieira, ministro da Economia, fazendo uma analogia com a presença, desde há três anos, do Bankinter em Portugal.

Em 2019 "a nossa ambição é totalmente diferente", disse Pedro Siza Vieira. As empresas portuguesas, em média, têm valores de autonomia financeira idênticos à União Europeia. Houve uma redução do endividamento empresarial, a rentabilidade dos ativos das empresas portuguesas em 2018 foi de 9% e era de 3% em 2015. "As empresas estão mais robustas, mais capitalizadas, com mais capacidade de investimento", sublinhou. Criaram-se 350 mil empregos em três anos e a redução do desemprego criou problemas de disponibilidade da mão-de-obra em praticamente todos os setores.

Reduziu-se significativamente o défice público, e inverteu-se a trajetória de crescimento da dívida pública. "Hoje mesmo nas perspetivas mais conservadoras nos permitem confiar que dentro de cinco anos a nossa dívida pública estará em 100% do PIB", salientou o ministro da Economia.

Stock de capital reprodutivo

O que tem efeitos na despesa pública em juros, que em 2019, baixaram quase dois mil milhões em relação 2015, e nos custos de financiamento dos bancos e das empresas não financeiras.. Nos últimos três anos o PIB cresceu 7%, depois de ter caído 6% nos anos anteriores, o saldo estrutural está estabilizado e Portugal pode "gerir mais livremente as suas finanças públicas, podendo ter mais capacidade de escolher como projetar para o futuro a utilização do OE".

Nestes três anos as exportações de bens cresceram 15%, as exportações de serviços 20%. Neste momento as exportações valem 45% do PIB, há 10 anos era de 28%, as exportações quase que duplicaram em valor, as empresas conseguiram conquistar grande quota de mercado que "só é possível quando as empresas são capazes de colocar produtos e serviços que satisfazem os clientes mais exigentes".

Há dez anos mais de metade do stock de capital da economia portuguesa estava em ativos no imobiliário e construção. Neste momento a alocação do capital da nossa economia está a virar-se para os setores de bens transacionáveis e estruturas de capital que são mais reprodutivas.

Para o futuro, "todos temos de ser exigentes em relação como se atingem os objetivos". "Os empresários têm que decidir o que fazer com a libertação de recursos que a atividade económica está a permitir às empresas. Onde é que vão alocar capital? Como é que vão tratar os recursos humanos nacionais que são o melhor ativo deste país que precisa de ter carreiras interessantes, emprego de qualidade, remunerações condignas para evitar continuar a gerar os melhores recursos humanos da Europa e depois enviá-los para trabalhar na Alemanha, na Holanda e noutros países", avisou Pedro Siza Vieira.

A ambição é assegurar que estes três anos em que crescemos acima da média europeia não seja uma exceção, e em ter pelo menos uma década de convergência com a Europa, e crescer com mais coesão social e coesão territorial. 

Novo tech visa

O Governo está a rever a portaria das profissões altamente qualificadas para o regime de residentes não habituais para apoiar as empresas na contratação de técnicos qualificados externos

Para fazer crescer a produtividade é necessário articular três coisas, segundo Pedro Siza Vieira, ministro da Economia. O investimento, o stock de capital à disposição da economia e das empresas tem de aumentar, o que implica resolver o acesso ao financiamento para o investimento empresarial por parte das empresas por parte do sistema bancário e de apoiar o autofinanciamento. "Todos os anos neste ciclo económico, o OE aumenta os benefícios fiscais ao investimento e à capitalização das empresas. No último tax survey da União Europeia, a Comissão Europeia disse que Portugal tem hoje o segundo sistema fiscal mais favorável ao investimento empresarial e o mais favorável em investimento em I&D por parte das empresas. Isto é um passo para apoiar autofinanciamento, a capitalização das empresas", referiu Pedro Siza Vieira.

Estamos a rever a portaria das profissões altamente qualificadas. Pedro Siza Vieira
Ministro da Economia


O segundo aspeto é a inovação. "Para nos mantermos relevantes temos mesmo de inovar. Temos de institucionalizar e assegurar-nos de que há estruturas que permitem a transferência do conhecimento dos centros de produção de conhecimento, das universidades, politécnicos, centros de investigação e tecnológicos para o tecido empresarial e assegurar o financiamento destas estruturas".

A requalificação dos recursos humanos é o terceiro ponto, mas também atrair mais pessoas, sobretudo o "que nos falta em qualidade e por isso estamos a rever não apenas os esquemas de vistos, alteramos o regime do tech visa para colocar à disposição de todas as empresas a possibilidade de com menos formalidades atrair trabalhadores qualificados. Estamos a rever a portaria das profissões altamente qualificadas para o regime de residentes não habituais para apoiar as empresas na contratação de técnicos qualificados externos, lançamos o programa Regressar para apoiar as empresas a lançar propostas de emprego favoráveis aos compatriotas que emigraram". 




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