Os bancos estão com grande apetite para financiar bons projetos

"As empresas estão no ADN do Bankinter", diz José Luis Vega, diretor de Banca de Empresas do Bankinter Portugal. Por isso o objetivo é que a banca de empresa, que hoje representa cerca de 30% do negócio, cresça para 40% em 2021 e atinja os 50% em 2024.
Os bancos estão com grande apetite para financiar bons projetos
Filipe S. Fernandes 11 de abril de 2019 às 13:00

"Em Portugal existe financiamento e existem bons projetos. Os bancos estão com um apetite grande para financiar bons projetos e há uma grande concorrência e muita agressividade para os captar", José Luis Vega, diretor da Banca de Empresas do Bankinter Portugal. Acrescenta que o banco já aprovou bons projetos, e que tem disponibilidades para financiar mais projetos e empresas em Portugal. Sublinha que "há alguma incerteza nos dias de hoje", o que pode levar os empresários a retraírem-se no investimento em projetos mais pequenos.

Participou em várias conferências promovidas em várias regiões do país e contactou com muitos empresários. Com que ideia é que ficou e que retrato do empresário português é que pode traçar?
A Plataforma Empresarial e os muitos outros eventos organizados pelo Bankinter com empresas e empresários permitiram-me contactar com pessoas muito interessantes e de elevada qualidade. Perante a crise que o país atravessou e as limitações naturais do mercado português, encontro muitos casos de sucesso de empresários que ousaram ir para fora e conseguiram, na maioria dos casos, alcançar o sucesso.

Estas são pessoas com iniciativa, com garra e com visão que adaptaram as suas empresas, apostaram no capital humano, que tem muita qualidade e experiência, formaram quadros e foram em busca do mercado internacional. E isto resulta no facto de agora se encontrar, por todo o país, um elevado número de empresas com níveis de exportação muito bons e contas muito robustas.

Como é que o Bankinter conseguiu ter em pouco mais de três anos um papel no financiamento às empresas, que representa 30% do negócio? Qual é a estratégia de crescimento neste segmento de negócio?
As empresas estão no ADN do Bankinter, que tem a experiência, o conhecimento e a capacidade de apoiar muitas empresas e empresários. Temos uma equipa motivada e comprometida, centros de empresa e produtos e serviços desenhados especificamente para ajudar os empresários portugueses a gerir e rentabilizar o seu negócio.

A Banca de Empresas do Bankinter Portugal partiu de uma base muito pequena, mas tivemos os argumentos para nos diferenciar no mercado. Tudo isto é o resultado de uma estratégia ambiciosa para a banca de empresa, que representa cerca de 30% do negócio do banco em Portugal e que ambicionamos que cresça para 40% em 2021. Atualmente o peso em Espanha é de 50%, valor que estimamos alcançar em Portugal em 2024.

Quais são os principais problemas que afetam as empresas e como é que poderiam ser corrigidos?
A qualidade do tecido empresarial português melhorou consideravelmente na última década, reinventando-se para atingir novos mercados e acabando por atingir patamares de excelência. Alguns destes empresários são já referência pelas empresas que começaram como startups e que hoje têm dimensão mundial. Tivemos contacto com esta nova realidade nas Plataformas Empresariais que decorreram em Coimbra e de Braga. Há dez anos, este cenário não existia.

Mas ainda há um longo caminho a percorrer. O tecido empresarial português é muito fragmentado, com muitas empresas de pequenas dimensões. Os projetos de investimento precisam de escala, e as PME poderiam ganhar avaliando opções de fusão ou pela entrada de novos acionistas que capazes de trazer capital, valor, experiência de gestão, novos clientes e fornecedores.

Por outro lado, Portugal tem empresários muito bons, que criaram empresas muito boas, mas que têm dificuldade em delinear um plano de sucessão, pelo que por vezes sente-se falta de massa crítica nas equipas de gestão destas empresas.

Outro fator a ter em conta é que, de uma forma abrangente, Portugal tem hoje profissionais muito bem preparados e de elevado potencial, mas que têm saído muito para outros mercados. É preciso trazer de novo esse talento para o país e para as empresas portuguesas. Temos visto iniciativas do governo neste sentido, mas ainda há muitos expatriados com elevado perfil. Temos de perceber qual a melhor forma de atrair este capital humano.

Qual é a diferença entre a banca de empresas em Portugal e em Espanha? Em Portugal as empresas dependem mais do financiamento bancário do que as espanholas?
Não há grandes diferenças entre as empresas portuguesas e espanholas. Na minha opinião, a principal diferença é o reduzido número de emissores de dívida. Em Espanha existem mais empresas nos mercados, e estão a abrir-se a fontes de financiamento alternativas. Neste momento, as maiores empresas olham para outras alternativas de financiamento e as médias empresas, em Espanha, começam a financiar-se no mercado de capitais. Há é claramente uma diferença entre o mercado ibérico e outros mercados mais desenvolvidos. Em Portugal, o Bankinter está a apresentar às empresas fontes de financiamento alternativo, como a emissão de dívida no mercado, bem como outros mercados, como o Mercado Alternativo de Renda Fixa (MARF) em Espanha, tendo como objetivo a atração de capital de investidores estrangeiros para investimento na dívida emitida. 

A Plataforma Empresarial em Lisboa

A Plataforma Empresarial é uma iniciativa do Bankinter em parceria com o Jornal de Negócios, que organizou fóruns de debate para discutir e analisar diversas vertentes económicas, numa perspetiva local e nacional, com a participação empresários e gestores. Tendo sempre como tema Os Caminhos do Futuro, chega amanhã, dia 12, ao Hotel Myriad em Lisboa, das 9 às 12H30, depois de ter passado pelo Porto, Braga, Aveiro e Faro.
Participação mediante inscrição em:
www.plataformaempresarial.negocios.pt




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